A proteína ganhou espaço na rotina alimentar do brasileiro, e a creatina acompanha o mesmo ritmo. Levantamento da Scanntech em parceria com a McKinsey mostra que, entre janeiro e outubro de 2025, as vendas de whey protein no varejo alimentar brasileiro cresceram 124% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto as de creatina avançaram 89%. No mesmo intervalo, cereais, iogurtes e leites saborizados com adição de proteína também registraram alta.
O movimento acompanha uma tendência global. Segundo a Euromonitor International, alimentos, bebidas e suplementos com alto teor de proteína somaram mais de US$ 3 trilhões em vendas no varejo em 2025, e a demanda por proteína deve crescer 11% entre 2024 e 2029. No Brasil, a categoria de alimentos com proteína adicionada movimenta cerca de R$ 2 bilhões por ano e teve alta de 12% no faturamento no primeiro trimestre de 2026, de acordo com dados da Worldpanel by Numerator.
Parte dessa demanda está ligada à popularização dos medicamentos da classe GLP-1, utilizados no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. Um posicionamento conjunto do American College of Lifestyle Medicine, da American Society for Nutrition, da Obesity Medicine Association e da Obesity Society, publicado em 2025, aponta que no estudo clínico STEP 1, 38% do peso perdido pelos participantes correspondeu a massa magra. O documento também destaca que o baixo consumo de proteína, decorrente da redução do apetite, pode contribuir para a perda muscular.
Proteína e creatina na mesma porção
Com proteína e creatina entre as categorias que mais crescem no varejo, fabricantes ampliam a oferta de produtos 2 em 1, que reúnem os dois nutrientes em uma única formulação. A proposta é simplificar a rotina de quem consome os dois suplementos diariamente, com uma só dose e sem a necessidade de preparar e ingerir cada produto separadamente.
A combinação também acompanha um novo momento do consumidor. A suplementação, antes restrita principalmente a atletas e praticantes de atividade física, passou a fazer parte da rotina de um público mais amplo, que busca incluir mais proteína na alimentação do dia a dia e valoriza a praticidade no consumo.
Formatos mais leves ampliam as ocasiões de consumo
Além da composição, o formato dos suplementos também passa por mudanças. Nos Estados Unidos, as bebidas proteicas prontas para consumo movimentaram cerca de US$ 6,5 bilhões nas 52 semanas encerradas em abril de 2026, alta de 7,5% em relação ao período anterior, segundo dados da SPINS publicados pela BevNET. Entre as apostas do setor estão as bebidas proteicas translúcidas, que permitem sabores frutados e uma textura próxima à de um suco. No Brasil, bebidas desse tipo já chegaram ao varejo, e o formato vem sendo apontado como uma alternativa mais leve aos shakes cremosos.
As informações são do Uai.
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