Especificamente para o setor de alimentos e bebidas, o caminho para o desenvolvimento de produtos destinados a acompanhar o uso de medicamentos GLP-1 ainda não está totalmente definido. Mesmo assim, muitas empresas estão se preparando para essa possibilidade, especialmente na China e na Índia, onde estão sendo produzidos medicamentos GLP-1 genéricos.
A gigante chinesa de lácteos Mengniu é uma dessas empresas. Recentemente, a companhia passou a dar maior destaque à sua cepa probiótica patenteada LC19, lançando um documentário inteiro sobre o ingrediente, no qual destaca seu papel no estímulo natural à secreção adicional de GLP-1 pelo organismo.
“Um dos principais metabólitos ativos do corpo humano que estimulam a secreção do hormônio GLP-1 é chamado ácido triptofano-cólico (Trp-CA), e ele está associado ao metabolismo da glicose e à regulação do peso. Indivíduos com controle inadequado da glicemia geralmente apresentam níveis mais baixos de Trp-CA, que atua por meio de uma [via recém-descoberta] de regulação metabólica. Foi nisso que concentramos nossos esforços e foi assim que restringimos a busca por cepas bacterianas capazes de produzir Trp-CA de maneira eficiente”, afirmou a professora Pang Yanli, da Universidade de Pequim, que trabalhou com a Mengniu na identificação da cepa probiótica LC19.
A cepa bacteriana selecionada foi a LC-19, devido às suas características específicas, que permitem sintetizar Trp-CA no organismo a partir do aminoácido triptofano e de ácidos biliares. Esse processo atua sobre a nova via de regulação metabólica pela qual o GLP-1 pode contribuir para a perda de peso.
Levando os probióticos para os produtos lácteos
O trabalho da Mengniu nessa área foi validado e publicado na revista científica internacional Cell. Como resultado, a empresa já lançou no mercado suplementos probióticos contendo LC-19, como o probiótico em pó YouRuiAn Sugar Shield.
No entanto, a companhia tem planos muito mais amplos para o probiótico e pretende incorporá-lo a produtos lácteos de consumo cotidiano, que façam parte da alimentação regular dos consumidores. Entre eles estão leites em pó voltados ao público idoso e leites em pó funcionais para adultos, desenvolvidos para auxiliar no controle da glicemia, embora ainda não sejam direcionados especificamente ao controle de peso.
“Nossa pesquisa mostra que esses prebióticos podem ajudar indivíduos que apresentam sintomas de pré-diabetes e alterações iniciais da glicemia, proporcionando melhorias físicas evidentes sem a necessidade de depender de medicamentos. Também identificamos os lácteos refrigerados, em particular, como um importante motor de crescimento para toda a indústria de lácteos, já que essa categoria vem crescendo apesar das pressões enfrentadas pelo mercado de leite em geral. À medida que as capacidades de cadeia de frio, pesquisa e cadeia de suprimentos continuam melhorando, os lácteos refrigerados entraram em um novo período de ouro de desenvolvimento, inclusive nas áreas relacionadas à funcionalidade”, afirmou Shusen Li, gerente-geral do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Produtos da Mengniu.
A empresa estima que os lácteos fermentados refrigerados estejam presentes em diversas ocasiões de consumo ao longo do dia, com uma média de 2,4 ocasiões por consumidor diariamente. "Isso inclui café da manhã, lanche da tarde, pequenas refeições para aliviar a fome, substituição de refeições, consumo após as refeições e assim por diante. Produtos lácteos fermentados refrigerados, como o iogurte, tornaram-se alimentos consumidos com alta frequência na dieta dos consumidores, e [precisamos agregar] valor funcional adicional, como benefícios relacionados ao metabolismo da glicose, a essa categoria.”
A Mengniu estabeleceu um portfólio de propriedade intelectual de cepas probióticas que atualmente ultrapassa 18 mil cepas. Assim, à medida que o interesse pelo GLP-1 cresce na região da Ásia-Pacífico, é improvável que a LC-19 seja sua única solução probiótica capaz de aproveitar o aumento do interesse por GLP-1, controle da glicemia e saúde metabólica nos próximos anos.
As informações são do Dairy Reporter, adaptadas pela equipe MilkPoint.
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