Balança comercial registra aumento das importações no mês de março

O mês de março foi marcado por um aumento expressivo no volume total das importações, que somaram 235,1 milhões de litros em equivalente-leite - alta de 33,3% em relação ao mês anterior e de 31,4% frente a março de 2025.

Publicado por: MilkPoint

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Em março, as importações de produtos lácteos no Brasil atingiram 235,1 milhões de litros em equivalente-leite, com aumento de 33,3% em relação a fevereiro. O crescimento é impulsionado por preços mais baixos no mercado externo. O déficit na balança comercial foi de 229,5 milhões de litros. Enquanto as exportações cresceram 8,9% em relação ao mês anterior, houve uma queda anual de 26,6%. Espera-se que as importações se mantenham altas no curto prazo, mas possam diminuir ao longo de 2026 devido à produção interna elevada. O Fórum MilkPoint Mercado 2026 discutirá as tendências do setor em abril.
O mês de março foi marcado por um aumento expressivo no volume total das importações, que somaram 235,1 milhões de litros em equivalente-leite — alta de 33,3% em relação ao mês anterior e de 31,4% frente a março de 2025. Esse movimento reflete, em grande medida, a maior competitividade dos produtos importados em relação aos nacionais, com preços mais atrativos no mercado externo, o que tem incentivado as compras internacionais. No mercado interno, a elevação dos preços de derivados, especialmente da muçarela ao longo de março, contribuiu para ampliar esse diferencial, reforçando a atratividade da importação como alternativa de abastecimento.

Gráfico 1. Importações em equivalente-leite.

Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado, a partir dos dados da COMEXSTAT.

Os principais movimentos observados nas importações foram:

  • Leite em pó integral (LPI): produto de grande relevância na pauta, apresentou aumento de 29% no volume importado frente a fevereiro;

  • Leite em pó desnatado (LPD): registrou crescimento expressivo, com alta de 51% em relação ao mês anterior;

  • Queijos: apresentaram avanço de 25% no volume importado na comparação mensal;

  • Muçarela: apresentou aumento de 67% frente ao mês anterior.

O mês de março registrou déficit de 229,5 milhões de litros em equivalente-leite na balança comercial de lácteos, resultado 34% mais negativo tanto na comparação com o mesmo período de 2025 quanto frente a fevereiro de 2026.

Gráfico 2. Saldo mensal da balança comercial brasileira de lácteos – equivalente leite.

Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado, a partir dos dados da COMEXSTAT.

Do lado das exportações, houve avanço de 8,9% em relação a fevereiro. No entanto, na comparação anual, os embarques recuaram 26,6%, totalizando 5,6 milhões de litros em equivalente-leite, o que reforça uma menor competitividade do produto brasileiro no mercado internacional.

Gráfico 3. Exportações em equivalente-leite.

Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado a partir dos dados da COMEXSTAT.

Nas exportações de março, foram observados movimentos distintos entre os principais produtos:

  • Soro de leite: principal item da pauta exportadora brasileira, voltou a apresentar retração, com recuo de 26% no volume embarcado frente a fevereiro;

  • Leite condensado: registrou forte avanço nas exportações, com aumento de 54% no período;

  • Manteiga: apresentou queda de 14% nos embarques em relação ao mês anterior;

  • Iogurtes e outros derivados lácteos: apesar da baixa participação no total exportado, demonstraram crescimento relevante no volume embarcado em março.

As tabelas 1 e 2 mostram as principais movimentações do comércio internacional de lácteos nos meses de fevereiro de 2026 e março de 2026.

Tabela 1. Balança comercial de lácteos em março de 2026

Tabela 2. Balança comercial de lácteos em fevereiro de 2026

Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado com base em dados COMEXSTAT. 

O que podemos esperar para os próximos meses?

Diferente do esperado para o período, as importações apresentaram avanço relevante em março, movimento explicado, em grande parte, pela maior competitividade dos produtos importados frente aos nacionais, em um contexto de preços externos mais atrativos e maior movimentação do mercado diante das expectativas de alta.

No curto prazo, a tendência é de manutenção das importações em níveis elevados, sustentadas pela recente acomodação dos preços internacionais e por um ambiente de câmbio mais favorável, que segue incentivando a entrada de produtos no país.

Por outro lado, ao longo de 2026, a expectativa é de redução no volume importado em relação ao ano anterior. Esse movimento deve ser influenciado principalmente pela manutenção de uma produção interna ainda elevada — em linha com o observado em 2025 — reduzindo a necessidade de complementação via mercado externo.

Com um cenário internacional em transformação e mudanças importantes na dinâmica de oferta e demanda, acompanhar de perto os movimentos do mercado global se torna cada vez mais estratégico para a cadeia láctea brasileira. Esses temas estarão no centro das discussões do Fórum MilkPoint Mercado 2026, evento que reunirá especialistas e lideranças do setor para analisar tendências, competitividade e perspectivas para o mercado de lácteos. O encontro acontecerá no dia 09 de abril, em Piracicaba (SP).

Ainda há tempo para garantir sua participação e acompanhar de perto as discussões que vão direcionar o mercado ao longo de 2026.

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