As consequências do fim da entressafra e fator externo no custo
Os itens de alimentação que compõem o grupo concentrado são os que mais impactaram o custo de produção em agosto, com 3,35% de elevação, puxado pela ração e milho, dentre outros. Mas, o grupo de maior elevação foi o minerais, com 10,89%. Os demais seis grupos puxaram o custo de produção para baixo, conforme dados do gráfico 1.
A inflação de custos de agosto ainda não é efeito do esperado El Niño. Resulta da redução da disponibilidade de pastagens, da elevação do preço dos grãos e de insumos importados usados na produção de alimentos, num momento em que o mercado internacional vive maior tensão.
Custo de produção está muito alto em 2026
O custo de vida das famílias cresceu 3,11% de janeiro a agosto deste ano. Neste mesmo período, o custo de produção de leite acumulou alta 4,13% com os grupos minerais e sanidade e reprodução atingindo dois dígitos. Também merece registro a variação substancial acumulada no custo da mão de obra. Os dados constam do gráfico 2.
Custos de produção também cresceram em doze meses
A variação de custos produção neste período de doze meses atingiu 3,73%% em agosto, mais que o dobro dos 1,72% observados nos doze meses finalizados em julho. Três grupos de itens que compõem custo de produção acumularam aumentos maior que este percentual, conforme gráfico 3.
Contudo, destes, mão de obra é que teve maior impacto no resultado final, dado o seu peso no cálculo de custo de produção. Este resultado aumenta a pressão sobre as margens financeiras no acumulado do ano. Considerando-se a esperada redução de preços recebidos pelos produtores de leite neste segundo semestre do ano, com a nova tendência de custos de produção crescentes, iniciada em julho, o cenário mais provável será a redução de margens da atividade até o período de verão.
Artigo escrito por Paulo do Carmo Martins, Manuela Sampaio Lana, Alziro Vasconcelos Carneiro e Samuel José de Magalhães Oliveira, Membros da Equipe Técnica do Cileite.