Antes do apito: a cadeia agropecuária de US$1,8 trilhão que abastece a Copa do Mundo

A história da alimentação da Copa começa longe dos gramados. Ela passa por confinamentos de gado no Texas, lavouras de milho no Meio-Oeste americano, fazendas leiteiras canadenses e áreas agrícolas mexicanas que abastecem parte do mercado norte-americano.

Publicado por: MilkPoint

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A Copa do Mundo de 2026, que ocorrerá em três países (EUA, México e Canadá), contará com 16 estádios e 104 partidas, atraindo 7 milhões de espectadores. O evento destaca a importância das cadeias produtivas locais, com um valor agregado de US$ 1,8 trilhão em 2025. Os principais alimentos servidos incluem hambúrgueres, tacos e laticínios, refletindo a relevância das economias agroalimentares. O milho, essencial na alimentação, conecta as produções dos três países, enquanto laticínios e frutas também têm papel significativo.
Quando a seleção campeã (e que seja o Brasil) levantar a taça da Copa do Mundo de 2026, no final da tarde de 19 de julho (daqui a exatos 34 dias), milhões de refeições já terão passado pelos estádios e pelas fan zones espalhadas pelos Estados Unidos, México e Canadá.

A primeira edição do torneio realizada simultaneamente por três países reúne 16 estádios, 104 partidas e um público de 7 milhões de pessoas. O evento será disputado em algumas das principais regiões agrícolas do planeta, onde estão concentradas cadeias globais de carne bovina, milho, laticínios, frutas e bebidas.

A história da alimentação da Copa começa longe dos gramados. Ela passa por confinamentos de gado no Texas, lavouras de milho no Meio-Oeste americano, fazendas leiteiras canadenses e áreas agrícolas mexicanas que abastecem parte do mercado norte-americano.

Quando um torcedor comprar um hambúrguer em Dallas, um taco na Cidade do México ou uma porção de poutine em Toronto (prato que é uma combinação de batatas fritas crocantes, queijo coalho fresco em cubos e um molho encorpado à base de carne), estará consumindo o resultado de cadeias produtivas espalhadas por milhões de hectares.

Por trás de refeições como essas, servidas durante o torneio, estão cadeias produtivas que movimentaram em 2025 cerca de US$ 1,8 trilhão (R$ 9,89 trilhões, na cotação atual) e ajudam a sustentar três das maiores economias agroalimentares do planeta. Ela reúne agricultores, pecuaristas, cooperativas, transportadoras, frigoríficos, laticínios, processadoras de alimentos e centros de distribuição.

Mais do que um evento esportivo, a Copa de 2026 será uma vitrine da agricultura que sustenta o consumo urbano em larga escala. Segundo análises de relatórios econômicos, a arrecadação total da FIFA para 2026 deve ser recorde com US$ 8,9 bilhões (R$ 48 bilhões) exclusivamente com o mundial. Esse valor representa um aumento de quase 20% em relação aos lucros do mundial anterior no Qatar, impulsionado pelo formato expandido com 48 seleções e maior volume de jogos.

O peso econômico do agro nos países da Copa

A força dessas cadeias ajuda a explicar por que a Copa do Mundo de 2026 será abastecida majoritariamente por produção local e regional. Nos Estados Unidos, o sistema agroalimentar gerou US$ 1,54 trilhão (R$ 8,62 trilhões) em valor adicionado à economia, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O montante representa 5,5% do Produto Interno Bruto americano. Apenas a produção agropecuária dentro das fazendas respondeu por US$ 222,3 bilhões (R$ 1,2 trilhão).

No Canadá, o sistema agroalimentar movimentou US$ 107,4 bilhões (R$ 601,4 bilhões), segundo o Agriculture and Agri-Food Canada, o equivalente canadense ao Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil (MAPA). Segundo ele, o setor responde por cerca de 7% da economia canadense.

Já no México, a agropecuária representa aproximadamente 3,8% do Produto Interno Bruto nacional, segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Dados oficiais do Data México mostram que as atividades de agricultura, pecuária, silvicultura e pesca movimentaram cerca de US$ 119,1 bilhões (R$ 666,9 bilhões). Mais do que sediar partidas, os três países reúnem cadeias produtivas que abastecem parte relevante do mercado global de alimentos, proteínas animais, grãos, frutas, bebidas e produtos processados.

A proteína que sai dos confinamentos

Entre os alimentos mais consumidos em arenas esportivas da América do Norte estão hambúrgueres, sanduíches de carne bovina, hot dogs e produtos derivados de proteína animal.

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Nos Estados Unidos, a cadeia bovina ocupa posição central nesse abastecimento. Segundo o Serviço Nacional de Estatísticas Agrícolas do USDA, o país iniciou 2026 com um rebanho de 86,2 milhões de bovinos. Apesar da redução observada nos últimos anos, os Estados Unidos permanecem entre os maiores produtores de carne bovina do mundo. O USDA projeta produção próxima de 11,7 milhões de toneladas em 2026. Grande parte dessa produção está concentrada em estados como Texas, Nebraska e Kansas, que formam o núcleo da pecuária de corte americana.

A carne suína também ocupa espaço relevante. Os Estados Unidos mantêm um rebanho próximo de 75 milhões de animais, concentrado principalmente em Iowa, Minnesota e Carolina do Norte. É dessa estrutura produtiva que saem as salsichas utilizadas nos tradicionais hot dogs vendidos em eventos esportivos por todo o país.

O grão que conecta três países

Se existe uma commodity presente em praticamente toda a alimentação da Copa, ela é o milho. O cereal aparece diretamente em produtos consumidos pelos torcedores, como nachos, tortillas e tacos. Também participa de forma indireta da cadeia de proteínas, compondo a alimentação de bovinos, suínos e aves. Os Estados Unidos permanecem como o maior produtor mundial do grão. Segundo o USDA, a safra americana superou 380 milhões de toneladas nas últimas temporadas.

O volume ajuda a explicar por que o milho está presente em praticamente toda a cadeia alimentar da Copa. Além dos alimentos consumidos diretamente pelos torcedores, o cereal é a principal fonte energética utilizada na alimentação animal de boa parte das proteínas produzidas na América do Norte.

O milho que une Estados Unidos e México

No México, o milho possui peso econômico e cultural próprio. Dados da Secretaria de Agricultura e Desenvolvimento Rural (Sader), ligado ao governo mexicano, e do USDA indicam produção de até 23 milhões de toneladas por safra.

Ao mesmo tempo, o país figura entre os maiores importadores mundiais de milho seco destinado à alimentação animal. Essa combinação faz do cereal uma das bases da segurança alimentar mexicana e um elo direto entre as cadeias agropecuárias dos três países-sede da Copa.

Ao longo do torneio, o milho estará presente em diferentes formatos. Das tortillas servidas nos estádios mexicanos aos nachos vendidos nas arenas americanas, passando pela alimentação dos animais que abastecem a cadeia de proteínas, o grão conecta praticamente toda a operação alimentar da competição.

O leite que abastece o Canadá

O Canadá adiciona outra dimensão ao abastecimento do torneio. Segundo dados do governo canadense e da organização Dairy Farmers of Canada, o setor reúne mais de 9 mil fazendas leiteiras e movimenta uma das cadeias agroindustriais mais relevantes do país. Ontário e Quebec concentram a maior parte da produção nacional.

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A presença dos laticínios aparece em alimentos tradicionais consumidos nas cidades-sede, além de abastecer restaurantes, hotéis, camarotes e operações de hospitalidade ligadas ao evento.

Frutas entram em campo

A cadeia das frutas também terá papel relevante. O México lidera a produção mundial de abacate. Segundo projeções do USDA, o país deverá produzir aproximadamente 2,8 milhões de toneladas da fruta em 2026.

No lado canadense, regiões agrícolas de Quebec e da Colúmbia Britânica concentram boa parte da produção de frutas. Dados do Statistics Canada apontam que Quebec responde por cerca de 36,5% da produção nacional, com destaque para maçãs e frutas vermelhas. Essas cadeias ajudam a abastecer restaurantes, hotéis, áreas de hospitalidade e espaços destinados aos torcedores durante a competição.

A agricultura que chega ao copo

As bebidas também começam no campo. A cerveja depende da produção de cevada, milho e lúpulo, mas os países sede, no ranking do consumo per capita, estão bem longe do topo.

Segundo o mais recente relatório global de 2024 da Kirin Holdings, o México vem em primeiro dos três com um consumo de 83,4 litros por pessoa no ano (resultado que desbanca o próprio Brasil, que está na 21º posição, com 70,3 litros por pessoa).

Os Estados Unidos estão na 29ª posição deste ranking, com um consumo de 65,4 litros por pessoa, e o Canadá (apesar de não mostrar sua posição na lista) possui um consumo em torno de 50 a 54 litros por pessoa ao ano.

Seguindo o mercado de bebidas, também estão os refrigerantes que utilizam açúcar ou derivados do milho. Sucos dependem da produção de frutas. Cafés e chás consumidos em áreas de hospitalidade seguem cadeias globais de abastecimento agrícola.

Nas diretrizes de compras sustentáveis da FIFA, a entidade estabelece critérios relacionados à rastreabilidade e à origem dos produtos adquiridos para os eventos oficiais.

As informações são da Forbes, adaptadas pela Equipe MilkPoint. 

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