A análise, baseada em mais de 2 mil entrevistas realizadas no Brasil no período entre fevereiro e março, revela que 90% dos brasileiros pretendem assistir aos jogos em casa — reforçando a demanda por soluções que economizem tempo e evitem deslocamentos.
Nesse contexto, o delivery deixa de ser alternativa e passa a ocupar papel central na experiência. No Brasil, 21% pretendem pedir pizza durante os jogos, evidenciando a força do canal em ocasiões de consumo coletivo, imediato e compartilhado.
Esse comportamento está diretamente ligado à presença relevante dos perfis classificados como Eventuais (29%) e Desinteressados (28%), que se ativam apenas quando o evento começa — concentrando decisões no calor do momento. Dentro deste último grupo, 26% afirmam que não pretendem assistir aos jogos, mas esse cenário se transforma ao longo do campeonato: mesmo entre os menos engajados, há aumento da intenção de consumo, ampliando o espaço para decisões impulsivas — e, consequentemente, para o delivery como solução imediata.
Mais do que conveniência, o delivery responde a um traço estrutural do consumo durante a Copa: a decisão em tempo real. Segundo o estudo, 49% dos brasileiros não se organizam com antecedência para as compras relacionadas aos jogos, evidenciando um padrão marcado pela improvisação. Na prática, a dinâmica das partidas reduz o espaço para planejamento e preparo de refeições, impulsionando a busca por soluções rápidas, prontas e facilmente compartilháveis — especialmente em um contexto em que assistir em casa é dominante.
A TV ao vivo segue como principal meio (84,8%), mas o avanço do digital redefine a experiência. Entre os apaixonados por futebol, o consumo via streaming na TV já atinge 23,1% — mais do que o dobro dos eventuais —, além de maior presença de dispositivos móveis e redes sociais. Mais do que substituição, o que se observa é uma sobreposição de telas: assistir aos jogos se torna uma experiência simultânea, interativa e distribuída.
Esse movimento reforça o principal insight do estudo: quanto maior o engajamento com o futebol, mais digital é o consumidor. Entre os apaixonados, 44,7% realizam compras via e-commerce — patamar significativamente superior ao dos eventuais (36,4%) e dos desinteressados (18,9%). Trata-se de um público mais conectado, inserido em dinâmicas de consumo compartilhado e com maior propensão ao uso de aplicativos — cenário que favorece diretamente o crescimento do delivery.
“Os dados mostram que o engajamento com o futebol vai muito além do entretenimento — ele está diretamente ligado a um comportamento de consumo mais digital. O torcedor apaixonado é mais conectado, mais ativo em aplicativos e mais propenso a comprar online, o que cria um ambiente especialmente favorável para o avanço do e-commerce e do delivery”, afirma Rafael Couto, Diretor da Worldpanel by Numerator Brasil.
Para marcas e varejo, o desafio vai além da presença: passa por capturar o momento. Em um ambiente de consumo imediato e multiplataforma, o delivery se consolida como canal estratégico para ativar demanda em tempo real. Ganham relevância iniciativas como combos prontos para ocasiões, ofertas acionadas durante os jogos — especialmente em intervalos e momentos decisivos —, integração com redes sociais e comércio conversacional, como o WhatsApp, e parcerias com plataformas digitais.
“Mais do que estar disponível, será essencial ser acionável: com rapidez, relevância e conveniência no exato momento em que o jogo — e o consumo — acontecem”, completa o executivo.
As informações são da Worldpanel by Numerator, adaptadas pela equipe MilkPoint.
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