O desempenho fora da curva é resultado de uma rotina rigorosa. Segundo o seu criador, Rodrigo Nogueira Ferreira, a campeã recebe cuidados comparáveis aos de um atleta de alto rendimento, o que a faz produzir quase quatro vezes mais do que a média das outras vacas de sua própria fazenda, que fica em torno de 30 kg diários. Para Rui Verneque, chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Gado de Leite, atingir esse patamar era algo inimaginável há duas décadas, quando a simples projeção de tais números seria vista como algo irreal.
Embora o desempenho de Jornada esteja distante da média do rebanho nacional, o seu caso sintetiza o topo do avanço tecnológico do setor no país. O primeiro pilar essencial para esse resultado foi o investimento em melhoramento genético.
Foto: arquivo pessoal
Genética planejada
Verneque, da Embrapa, afirma que a seleção genética foi um dos principais fatores por trás do aumento da produtividade das vacas leiteiras no Brasil. O gir leiteiro, raça zebuína que produzia pouco, passou de uma média de 2 mil kg para 5 mil kg por lactação, período que dura cerca de 10 meses.
A própria raça girolando, da qual a Jornada faz parte, foi desenvolvida por meio do melhoramento genético. Ela resulta do cruzamento entre as raças holandesa e gir leiteiro. "Para as nossas condições de clima tropical, é uma raça altamente competitiva, com média de 7 mil kg por lactação", diz o pesquisador. Para Rodrigo Ferreira, proprietário da Jornada, a genética do animal foi fundamental para o recorde. "Um animal que não tem uma genética boa é praticamente impossível você conseguir chegar no resultado", afirma.
Animal mais 'exigente'
Um animal que produz mais também exige mais cuidados, afirma Verneque. "As exigências dele com relação a conforto, controle de temperatura e questões ambientais têm que ser muito maiores para que ele responda", diz.
Cada raça pode exigir condições diferentes, como temperaturas mais altas ou mais baixas. Quando essas necessidades não são atendidas, o animal sofre estresse e, como consequência, produz menos. "Se você estiver com o ambiente com ar-condicionado, na temperatura que você gosta, está ótimo, não é isso? Agora, se você estiver em ambiente de calor extremo, você tem esse estresse térmico. O seu organismo terá que reagir para você sobreviver", exemplifica o pesquisador da Embrapa.
O mesmo vale para o barulho de máquinas ou alterações na rotina do animal. Na propriedade onde Jornada vive, Ferreira oferece sombra para o gado descansar e áreas de pastagem. Ela também conta com uma baia exclusiva e uma equipe treinada para monitorar seu bem-estar.
As informações são do G1, adaptadas pela equipe MilkPoint.
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