Leite fermentado pode estar associado a menor risco de morte, aponta estudo

A fermentação pode agregar benefícios que vão além do valor nutricional original dos alimentos.

Publicado por: MilkPoint

Publicado em: - 2 minutos de leitura

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 1

Sem tempo? Leia o resumo gerado pela MilkIA
Uma metanálise publicada na Frontiers in Nutrition revisou 50 estudos sobre alimentos fermentados, envolvendo mais de 3 milhões de adultos. Os resultados indicaram que o consumo de laticínios fermentados, como iogurte e queijo, está associado a uma redução de cerca de 6% na mortalidade geral, além de menores taxas de mortalidade cardiovascular e por câncer. A fermentação pode impactar positivamente a saúde por meio da modulação da microbiota intestinal e redução da inflamação. No entanto, os efeitos variam entre os alimentos, e a pesquisa não estabelece uma relação causal direta.
Iogurte, queijo e outros alimentos fermentados há muito tempo fazem parte da alimentação humana. Agora, uma nova metanálise reforça uma hipótese que vem ganhando espaço na ciência: a fermentação pode agregar benefícios que vão além do valor nutricional original dos alimentos.

Publicado na Frontiers in Nutrition, o estudo analisou 50 pesquisas de coorte prospectivas, reunindo dados de mais de 3 milhões de adultos saudáveis. O resultado chamou atenção especialmente para os laticínios fermentados.

Segundo a análise, um maior consumo desses produtos esteve associado a um risco cerca de 6% menor de mortalidade por todas as causas. O consumo também apresentou associação com menor mortalidade cardiovascular e por câncer. Entre os produtos avaliados, iogurte e queijo também apareceram com resultados positivos, embora as associações variassem conforme o tipo de mortalidade analisado.

O que a fermentação pode ter a ver com isso?

A explicação pode estar justamente no que acontece com o alimento durante o processo de fermentação. Além de modificar sabor, textura e conservação, os microrganismos envolvidos no processo produzem compostos que podem interagir com o organismo. Os pesquisadores destacam possíveis efeitos relacionados à modulação da microbiota intestinal, redução da inflamação e melhora da saúde metabólica.

Continua depois da publicidade

No caso dos laticínios, isso significa que o debate sobre saúde não envolve apenas nutrientes tradicionais, como proteína, cálcio e gordura. A fermentação pode acrescentar uma nova camada à equação.

O iogurte, por exemplo, foi associado à redução da mortalidade por todas as causas. Já o queijo apresentou uma redução mais modesta nesse indicador e também um possível efeito protetor em relação à mortalidade por câncer de pulmão. Os resultados, no entanto, não foram iguais para todos os alimentos fermentados. Missô e pão fermentado, por exemplo, não apresentaram associações fortes com redução da mortalidade.

Até o chocolate apareceu entre os alimentos associados a menor mortalidade por todas as causas e por doenças cardiovasculares — nesse caso, possivelmente pela presença dos polifenóis do cacau, relacionados à função vascular e à redução do estresse oxidativo.

Fermentar não é garantia de benefício

Os próprios resultados mostram que não basta um alimento ser fermentado para produzir automaticamente os mesmos efeitos sobre a saúde. Os pesquisadores observaram diferenças importantes entre os alimentos, o que reforça que fatores como composição nutricional, quantidade consumida, processo de produção e estilo de vida das populações estudadas também podem influenciar os resultados.

Além disso, por se tratar de uma metanálise de estudos observacionais, os dados mostram associações, e não uma relação direta de causa e efeito. Ou seja: não é possível afirmar que consumir mais iogurte, queijo ou leite fermentado, por si só, fará uma pessoa viver mais. Ainda assim, o estudo adiciona evidências a uma discussão cada vez mais relevante para a indústria de alimentos: quando o leite passa pela fermentação, ele pode se transformar em algo mais do que apenas leite.

E, em um momento em que consumidores buscam alimentos associados à saúde intestinal, bem-estar e funcionalidade, entender melhor o papel dos fermentados pode abrir novas possibilidades para uma das categorias mais tradicionais da indústria láctea.

As informações são do Dairy Daily Report, traduzidas pela Equipe MilkPoint. 

Vale a pena ler também: 

Do leite ao sorvete de kefir: por que essa inovação merece a atenção da cadeia leiteira?

QUER ACESSAR O CONTEÚDO? É GRATUITO!

Para continuar lendo o conteúdo entre com sua conta ou cadastre-se no MilkPoint.

Tenha acesso a conteúdos exclusivos gratuitamente!

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 1

Publicado por:

Foto MilkPoint

MilkPoint

O MilkPoint é maior portal sobre mercado lácteo do Brasil. Especialista em informações do agronegócio, cadeia leiteira, indústria de laticínios e outros.

Deixe sua opinião!

Foto do usuário

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração.

Qual a sua dúvida hoje?