Gráfico 1: Variação anual da captação de leite (%)
Fonte: Pesquisa Trimestral do Leite - IBGE
Na comparação com o primeiro trimestre de 2026, houve queda de 2,5% no volume captado, movimento associado à sazonalidade da produção leiteira e à chegada do período de entressafra. Apesar do recuo frente ao trimestre anterior, a captação permaneceu em um patamar elevado, superando levemente os níveis observados no mesmo período do ano passado.
Gráfico 2: Variação trimestral da captação de leite (%)
Fonte: Pesquisa Trimestral do Leite - IBGE
O avanço de 1,0% na comparação anual ocorreu em um cenário diferente do observado em 2025. No início do ano passado, os preços pagos ao produtor e a rentabilidade da atividade estavam em patamares mais elevados, estimulando a expansão da produção. Esse movimento resultou em um crescimento mais expressivo da captação no segundo trimestre de 2025, quando o volume captado avançou 10,2% frente ao mesmo período de 2024.
Ao longo de 2025, o aumento da oferta contribuiu para a redução dos preços pagos ao produtor e das margens da atividade, resultando na menor competitividade do leite quando comparado aos valores de aquisição da ração e da arroba do boi gordo. Na prática, o produtor de leite precisou de mais litros de leite para adquirir insumos para a produção, e em algumas propriedades, o abate dos animais do rebanho passou a apresentar maior atratividade econômica frente à atividade leiteira.
Gráfico 3: Captação brasileira de leite
Fonte: Pesquisa Trimestral do Leite - IBGE
Desempenho mensal
Analisando os resultados mensais, observa-se que a captação permaneceu acima dos níveis registrados nos mesmos meses de 2025 ao longo de todo o segundo trimestre, embora o avanço tenha sido moderado.
Tabela 1. Captação total mensal de leite no Brasil (Prévia)
Fonte: IBGE - elaborado pelo MilkPoint Mercado
O final do período também marcou a transição para o início da safra de leite em parte da região Sul do Brasil, uma das principais bacias produtoras do país. Com a entrada da safra a partir de junho, as condições mais favoráveis de produção contribuem para a recuperação sazonal da oferta e aumentam a disponibilidade de leite no mercado interno.
Mesmo com a captação em patamar elevado na comparação anual, a demanda por lácteos permaneceu aquecida ao longo do período, contribuindo para a absorção da oferta adicional. Nos meses seguintes, a menor disponibilidade de leite favoreceu a recuperação dos preços pagos ao produtor, com os valores registrados em junho e julho de 2026 superando os observados nos mesmos meses de 2025.
Conclusão
Para os próximos meses, a expectativa é de continuidade da maior disponibilidade de leite, principalmente com o avanço da safra na região Sul do Brasil a partir de junho. A entrada da produção sazonal no Sul deve contribuir para o aumento da captação nos meses seguintes, mantendo a oferta em níveis elevados e sendo um ponto de atenção para o equilíbrio do mercado.
No entanto, a dinâmica esperada para a produção pode ser influenciada pelas condições climáticas, especialmente com a intensificação do fenômeno El Niño, que pode alterar o regime de chuvas e impactar o desempenho da produção nas principais bacias leiteiras.
Por outro lado, a manutenção da demanda aquecida, associada à melhora dos preços pagos ao produtor, indica um cenário mais favorável para a atividade. A expectativa é de que a rentabilidade do produtor nos próximos meses supere os níveis observados no mesmo período de 2025, contribuindo para a manutenção do estímulo à produção ao longo do segundo semestre.
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