O cenário foi apresentado por Mike McCully, presidente da McCully Consulting, durante a Conferência Internacional de Whey, realizada em 21 de setembro. Segundo ele, quase um terço dos alimentos encontrados nos supermercados norte-americanos já contém algum tipo de proteína, ampliando os espaços para ingredientes lácteos em categorias que vão muito além da nutrição esportiva.
O soro de leite, por exemplo, já aparece em produtos como molhos para salada, biscoitos e snacks. “O soro do leite está presente em molhos para salada, Pop-Tarts e Doritos”, destacou McCully.
Mais queijo para produzir mais proteína
Como o soro é um subproduto da fabricação de queijos, o aumento da oferta de proteína do soro de leite passa, necessariamente, pela expansão da produção de queijo. A indústria norte-americana deve adicionar mais de 500 mil toneladas de capacidade de produção de queijo até o início de 2027, segundo McCully. O número, porém, representa capacidade instalada, e não necessariamente produção efetiva. Além disso, parte desse crescimento será compensada pelo fechamento de unidades mais antigas.
Ainda assim, a lógica do mercado mudou. “O queijo se tornou um subproduto da produção de soro de leite”, afirmou McCully, em uma referência ao peso crescente dos ingredientes proteicos na rentabilidade das indústrias.
As próprias plantas de secagem também estão mudando de perfil. Parte da capacidade antes destinada à produção de ingredientes de menor valor agregado, como o soro de leite em pó doce e o WPC com menos de 80% de proteína, está sendo convertida para WPC 80 e WPI, que apresentam maior concentração proteica e maior valor comercial. Em 2025, a produção norte-americana de WPI cresceu 11% em relação ao ano anterior, enquanto a de WPC 80 avançou 9%.
Oferta segue apertada
Mesmo com os investimentos, a expansão da oferta não deve aliviar rapidamente o mercado. “A oferta está muito restrita e continuará assim”, afirmou McCully. Para ele, o cenário deve manter os preços elevados e continuar desafiando compradores e usuários finais de ingredientes proteicos.
A mudança também aparece na composição da rentabilidade das indústrias. Segundo o consultor, enquanto anteriormente cerca de 80% do lucro líquido dos fabricantes de queijo vinha do queijo e 20% do processamento do soro, atualmente mais de 50% do lucro líquido nos Estados Unidos já vem da produção de soro.
Um ponto de atenção é que a demanda doméstica por queijo não acompanha o ritmo dos investimentos. O consumo per capita de queijo natural nos Estados Unidos foi de 18,1 kg em 2024, abaixo do recorde de 18,2 kg registrado em 2023 e no menor nível desde 2021, de acordo com dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
A expansão da produção, portanto, está sendo sustentada também pela necessidade de gerar mais soro para atender ao mercado de proteínas — e pelas oportunidades no comércio internacional. Em julho de 2026, os Estados Unidos exportaram cerca de 144 milhões de libras de queijo, volume recorde e equivalente a mais de 10% da produção norte-americana no período, segundo o USDA.
O movimento mostra como a forte demanda por proteína está alterando a lógica de valorização dos componentes do leite: o soro, antes tratado principalmente como um coproduto da indústria de queijos, passou a ocupar posição central nas decisões de investimento e rentabilidade do setor.
As informações são do Dairy Processing, resumidas e adaptadas pela Equipe MilkPoint.
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