Segundo análise de Sarah Jungman, corretora de commodities da AgDairy, publicada pela Dairy Herd Management, os preços da manteiga caíram 29% em setembro, na comparação com o mesmo mês de 2025, enquanto os queijos registraram redução de 14%.
Em contrapartida, os preços do leite em pó desnatado e do soro de leite em pó aumentaram no mesmo período. Para a analista, essa diferença está relacionada principalmente ao crescimento da demanda por alimentos ricos em proteínas.
Produção de leite em alta pressiona os preços
O aumento da produção leiteira americana é um dos principais fatores por trás da maior disponibilidade de derivados. Segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), citados na análise, a produção de manteiga alcançou aproximadamente 85 mil toneladas em agosto de 2026, crescimento de 6,3% em relação ao mesmo mês do ano anterior.
A produção de queijos também aumentou, chegando a cerca de 565 mil toneladas, alta de 1,4% na comparação anual. Esse crescimento acompanha a expansão do rebanho leiteiro americano, que alcançou aproximadamente 9,72 milhões de vacas no terceiro trimestre de 2026, aumento de 172 mil cabeças em relação ao mesmo período de 2025.
Em setembro, a produção de leite nos 24 principais estados produtores cresceu 2,7% na comparação anual. Com mais leite disponível para processamento, as indústrias ampliaram a fabricação de derivados, contribuindo para o aumento dos estoques. Segundo Jungman, os estoques de manteiga estavam 16% acima dos níveis registrados um ano antes, enquanto os de queijos apresentavam crescimento de 2%. Essa maior disponibilidade tem exercido pressão sobre os preços, especialmente no mercado de manteiga e queijos.
Demanda por proteínas movimenta o mercado
Enquanto a oferta elevada pressiona os preços de alguns derivados, a crescente procura por proteínas está favorecendo outros segmentos da indústria láctea. Na avaliação de Jungman, os consumidores americanos estão demonstrando maior interesse por alimentos ricos em proteínas, principalmente aqueles oferecidos em formatos práticos e convenientes.
A tendência tem impulsionado a demanda por ingredientes utilizados na fabricação de bebidas proteicas, alimentos enriquecidos e outros produtos nutricionais. Esse movimento ajuda a explicar, segundo a analista, por que os preços do leite em pó desnatado e do soro de leite em pó seguem em alta, mesmo diante do aumento da produção de leite nos Estados Unidos. A diferença entre os mercados evidencia que a maior disponibilidade de matéria-prima não provoca necessariamente o mesmo comportamento de preços em todas as categorias de produtos lácteos.
O que esperar dos próximos meses?
Apesar da maior oferta em relação ao ano anterior, os estoques de manteiga e queijos apresentaram redução em comparação com o mês anterior, acompanhando a diminuição sazonal da produção. Segundo Jungman, a proximidade das festas de fim de ano poderá provocar oscilações nos preços, à medida que os varejistas reforçarem seus estoques para atender à demanda do período.
Outro fator que merece atenção é a evolução do rebanho leiteiro americano. Embora o número de vacas tenha aumentado, os produtores enfrentam custos crescentes de alimentação, enquanto os preços de animais destinados ao descarte e de bezerros permanecem elevados. Para a analista, essas condições levantam dúvidas sobre por quanto tempo os produtores conseguirão manter o atual tamanho do rebanho. O cenário apresentado mostra um mercado dividido: de um lado, manteiga e queijos enfrentam pressão decorrente da maior oferta; de outro, ingredientes lácteos associados ao consumo de proteínas encontram sustentação na demanda.
As informações são do Dairy Herd Management.
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