O movimento ocorre em paralelo à expansão da produção. Em setembro de 2026, os 24 principais estados produtores norte-americanos produziram 18,7 bilhões de libras de leite (cerca de 8,5 milhões de toneladas), alta de 2,7% em relação ao mesmo mês de 2025, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
O crescimento combina aumento do rebanho e ganhos de produtividade. O número de vacas nos 24 estados chegou a 9,304 milhões de cabeças, 162 mil a mais que um ano antes. A produção média por animal também avançou, alcançando 2.012 libras no mês, 18 libras acima de setembro de 2025.
Mas o destaque não está apenas no volume produzido. A composição do leite também está mudando, com a gordura avançando mais rapidamente que a proteína. Para uma indústria que utiliza grandes volumes de leite na fabricação de queijos e ingredientes, essa diferença tem implicações econômicas e operacionais.
Segundo Corey Geiger, da CoBank, a gordura do leite norte-americano passou de 3,71% em 2011 para 4,32% em 2025, atingindo um patamar histórico. A proteína também cresceu no período, de 3,08% para 3,34%, mas em ritmo menor.
Essa evolução é resultado, em parte, do melhoramento genético dos rebanhos. De acordo com Geiger, a genética respondeu por 62% do avanço da gordura e por 72% da melhoria da proteína no leite dos Estados Unidos na última década. Os resultados refletem decisões acumuladas ao longo dos anos em seleção genética e manejo, com efeitos que continuam influenciando a composição do leite.
O desafio agora é transformar essa riqueza em componentes em valor para a indústria. Quando a gordura aumenta mais rapidamente que a proteína, a relação entre os dois sólidos pode se tornar menos favorável para determinados processos de fabricação de queijos, exigindo padronização do leite ou ajustes industriais. A questão é relevante porque uma parcela expressiva dos sólidos do leite norte-americano é destinada à produção de queijos. Ao mesmo tempo, a demanda por proteína láctea cresce em categorias como iogurtes proteicos, bebidas enriquecidas e ingredientes utilizados pela indústria de alimentos.
O cenário coloca a cadeia diante de uma nova etapa: depois de elevar o teor de sólidos, será necessário alinhar melhor a composição do leite às demandas de cada aplicação industrial. O recorde de gordura demonstra a capacidade de evolução dos sistemas de produção norte-americanos, mas também reforça que produzir mais componentes não elimina a necessidade de equilibrá-los.
Com a produção em expansão e a genética impulsionando ganhos contínuos, o desafio será desenvolver mercados capazes de absorver a oferta crescente de gordura e, simultaneamente, atender à valorização da proteína. Para a indústria de lácteos, o próximo passo não é apenas produzir um leite mais rico, mas aproveitar cada componente da forma mais eficiente possível.
As informaçõe são do Dairy Herd, resumidas e traduzidas pela Equipe MilkPoint.
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