Durante a passagem do sistema por Chapecó, rajadas de vento chegaram a 126 km/h segundo medições de uma estação do Instituto Nacional de Meteorologia, enquanto em Xanxerê os registros marcaram 80 km/h. O impacto na infraestrutura local foi imediato, com destaque para a destruição no aeroporto de Chapecó. A estrutura interna do terminal despencou, atingindo a entrada principal, hangares e o saguão. A concessionária Voe Xap, responsável pela administração do espaço, suspendeu as operações por tempo indeterminado e orientou os passageiros a não se dirigirem ao local, para que o Corpo de Bombeiros possa atuar na retirada dos escombros.
Foto: Igor Mussolin
O balanço de ocorrências em Santa Catarina já contabiliza 86 municípios atingidos por chuva, vento e granizo, resultando em 13 decretos de situação de emergência. Autoridades estaduais confirmaram o óbito de uma pessoa em decorrência dos eventos, além de 4.441 casas danificadas, 34 desabrigados e 24 desalojados. Equipes do Corpo de Bombeiros Militar realizaram resgates de grupos isolados pela água, incluindo a retirada de 30 pessoas ilhadas em uma escola de Rio do Sul e outras 76 na cidade de Lages, onde uma instituição de ensino no centro também precisou ser evacuada rapidamente. Mais de 200 agentes seguem mobilizados no atendimento às vítimas.
O município de Iporã do Oeste, localizado no extremo oeste do estado, figura entre as cidades que registraram danos ininterruptos desde o último domingo, segundo relatórios da Defesa Civil de Santa Catarina. Propriedades leiteiras na região enfrentaram a destruição de suas instalações em decorrência dos ventos. Em uma das fazendas atingidas, o temporal derrubou um galpão de confinamento compost barn. A intensidade das chuvas fez com que o telhado desabasse diretamente sobre as baias de contenção, espalhando telhas retorcidas e derrubando os postes de sustentação no pátio de manobras. Para garantir a segurança do rebanho e evitar perdas maiores, os animais precisaram ser transferidos às pressas para o setor de free stall, espaço que passou a abrigar as vacas de forma improvisada sob uma cobertura que também havia sido danificada pela chuva.
Esse episódio marca o segundo impacto meteorológico sofrido pela mesma família de produtores em um intervalo de poucos dias, exigindo múltiplas frentes de reconstrução. Durante a noite do domingo anterior, rajadas de vento já haviam arrancado a parte superior do telhado desse mesmo galpão e de um barracão anexo utilizado pela propriedade. Trabalhadores e familiares estavam no meio do processo de reconstrução das estruturas iniciais quando foram surpreendidos pela nova tempestade de quarta-feira. Apesar do desabamento completo da edificação, o funcionário que atuava no local durante o desastre não se feriu, e não houve registro de vítimas humanas na fazenda. Parte dos animais sofreu apenas escoriações, restando aos agricultores a tarefa de recomeçar do zero a montagem física do negócio, após a perda de uma estrutura que representava duas décadas de dedicação ao setor agropecuário.
Mais ao sul, o cenário no Rio Grande do Sul apresenta proporções ainda maiores em termos de abrangência territorial e populacional. A Defesa Civil gaúcha relata 102 cidades impactadas pelas chuvas, com predominância de queda de granizo e vendavais que afetaram cerca de 47 mil habitantes no total. Entre os municípios mais prejudicados estão Nova Prata, com 15 feridos e 2,7 mil casas avariadas, e Espumoso, onde 600 imóveis foram comprometidos. Na cidade de Passa Sete, os ventos destelharam dezenas de moradias e comprometeram o fornecimento de energia, enquanto em Passo Fundo o granizo bloqueou quase trinta vias locais e destruiu totalmente uma residência. Outras localidades, como Água Santa e Áurea, registraram dezenas de propriedades rurais e urbanas sem cobertura.
Com o deslocamento gradual dessa frente de temporais, a previsão meteorológica indica que os temporais perdem força no Sul e atingem o Paraná e São Paulo a partir desta quinta-feira. Nesses dois estados, há risco de rajadas de vento de até 80 km/h, descargas elétricas frequentes e queda de granizo de maneira isolada até o próximo sábado. O órgão de proteção civil paulista alerta que as chuvas ocorrerão de forma irregular, intercalando períodos curtos de melhoria com pancadas intensas e rápidas, concentradas especialmente nos períodos da tarde e da noite. Para Santa Catarina, o tempo deve firmar temporariamente na tarde de quinta-feira, mas a aproximação de uma nova frente fria na noite de sexta-feira mantém o estado em alerta para o risco de novos temporais ao longo do fim de semana.
As informações são da Agência Brasil e CNN.
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