A setor primário da cadeia produtiva do leite, devido a sua importância na economia brasileira, foi analisado e, por isso, foi disponibilizado abaixo o trecho destinado ao segmento. Qual sua opinião sobre estas projeções? Comente!
Outlook Fiesp 2023 : projeções para o agronegócio brasileiro
O Brasil é o sexto maior produtor mundial de leite, com 5% de participação, ou 32,9 milhões de toneladas, em uma produção global de 544,1 milhões de toneladas em 2012, de acordo com o USDA. Embora o volume deixe o País distante dos três principais produtores, já que a União Europeia representa 26%, a Índia, 24% e os EUA, 17% da oferta total, ao analisar os países europeus de forma individual, observa-se que a produção brasileira é maior do que as registradas em mercados tradicionais, como França e Alemanha.
Uma característica desse mercado é o fato de os maiores produtores serem também os maiores consumidores do produto. Por essa razão, o comércio internacional é proporcionalmente pequeno em relação ao volume total produzido.
O Brasil tem participado de forma tímida nas exportações de alimentos lácteos nos últimos anos, por motivos que vão do preço relativo do seu produto às restrições impostas pelo mercado internacional. O País atua como importador, principalmente de leite em pó, manteiga e queijos, cujas quantidades, convertidas em “equivalente leite fluido”, representam 3,5% do consumo doméstico.
O cenário básico de lácteos considera a hipótese, conservadora, de que o Brasil manterá sua presença atual no comércio mundial, ou seja, não se tornará um grande exportador e continuará importando produtos específicos, como queijos e mesmo leite em pó, mas não em quantidades crescentes.
Entretanto, não se pode descartar totalmente a possibilidade – ainda que não seja o cenário básico utilizado nesta projeção – de o Brasil se tornar relevante no mercado internacional na próxima década, uma vez que a China pode modificar substancialmente a dinâmica desse quadro. Nos últimos cinco anos, as importações chinesas de leite em pó e manteiga praticamente quintuplicaram, para, aproximadamente, 600 mil toneladas em 2012 e o ritmo de crescimento continua forte.
Vale destacar que o consumo per capita chinês de leite é ainda bastante baixo, da ordem de 11 quilos de leite fluido por ano, ante 55 quilos no Brasil. Do lado da oferta global, existem dificuldades para um crescimento significativo: países exportadores, como a Austrália e a Nova Zelândia, onde a utilização intensiva de pastagens permite um baixo custo de produção, possuem forte limitação de expansão de área. Isso pode abrir uma oportunidade para o Brasil no mercado internacional, pois temos boas condições de expansão, seja pelo aumento do rebanho, seja pelos ganhos de produtividade advindos do uso mais intensivo de tecnologia.
Considerando que o direcionador da ampliação da oferta será fundamentalmente o consumo doméstico, que seguirá bastante dinâmico, alicerçado no aumento da renda média das famílias, estima-se que a produção brasileira de leite crescerá 3,2% a.a., partindo de 32,9 bilhões de litros em 2012 para 46,7 bilhões de litros em 2023.
A maior formalização do setor e o lançamento de novos produtos, determinantes para a expansão do consumo, seguirão influenciando positivamente o seu desempenho. Dessa forma, o consumo per capita de lácteos apresentará variação de 2,5% a.a. entre 2012 e 2023, que passará de 166 quilos a.a. para 216 quilos a.a.
Rebanho Leiteiro
Espera-se uma evolução média de 2,0% a.a. no rebanho de vacas leiteiras, partindo de 23,6 milhões de cabeças em 2012 para 29,3 milhões de cabeças em 2023, considerando os dados do IBGE disponíveis até 2011.
Já a produtividade por animal apresentará crescimento de 1,2% a.a., saindo de 3,9 litros/dia em 2012 para 4,4 litros/dia em 2023. Essa produtividade é bastante baixa em comparação com os níveis observados em outros países.
Portanto, apesar de esse aumento esperado da produtividade estar alinhado ao observado nos últimos dez anos, caso ocorra um crescimento da demanda superior ao estimado, com o Brasil passando a fornecer volumes superiores para o mercado externo, haveria estímulo para um incremento maior na produtividade, por meio do uso mais intensivo de tecnologia.
Em um cenário alternativo, o mesmo crescimento esperado da produção (3% a.a.) poderia vir exclusivamente do ganho de produtividade, em que o rebanho se manteria constante e a produtividade por vaca evoluiria num ritmo anual mais forte, de 3,5%. Indicadores de avanço tecnológico, como o crescimento de 43% nas vendas de sêmen importado de gado leiteiro nos últimos cinco anos, dão evidências de que uma transformação está em curso no setor. Com isso, a pecuária leiteira deverá caminhar para um modelo de produção mais concentrado com menor número de propriedades cada vez mais especializadas.
Dinâmica Regional
Em termos regionais, projeta-se um crescimento superior da produção na Região Sul, em detrimento das demais. Isso significará que o Sudeste perderá gradativamente a primeira posição que ainda detém.
Esse movimento já vem sendo observado: em 1997, a região representava 45% da produção nacional de leite, enquanto o Sul respondia por 23%. Já em 2012, a fração do Sudeste foi de 35%, ante 32% do Sul. Estima-se que, em 2023, esses porcentuais serão de 31,5% e 37%, respectivamente.
Já as regiões Norte e Nordeste também perderão importância relativa, mas em ritmo bem menor. O Norte sairá de 5% para 4,5%, enquanto o Nordeste cairá de 13% para 12% nesse mesmo período. O Centro-Oeste deverá ficar praticamente estável em 15%.
No que diz respeito ao rebanho leiteiro, não são esperadas grandes alterações nas participações regionais, dado que o aumento da importância da produção da Região Sul ocorrerá devido aos ganhos de produtividade por vaca acima do ritmo de outros estados.
Com isso, a Região Sudeste continuará com o maior rebanho, chegando, em 2023, a uma participação de 35%, ante 34% em 2012, seguida pelo Nordeste (21%), Sul (17,5%), Centro-Oeste (16%) e Norte (10%).
As informações são da FIESP.
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