Lula assina decreto de promulgação do acordo entre Mercosul e União Europeia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou decreto de promulgação do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia (UE), que entra em vigor provisoriamente nesta sexta-feira, 1 de maio de 2026. O pacto entre os blocos avançou após mais de 25 anos de negociações.

Publicado por: MilkPoint

Publicado em: - 3 minutos de leitura

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 0

Sem tempo? Leia o resumo gerado pela MilkIA
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva promulgou o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, que entra em vigor provisoriamente em 1º de maio de 2026, após mais de 25 anos de negociações. Lula destacou a importância do multilateralismo e anunciou avanços em outros acordos, como com Singapura e o Canadá. Ele também articulou a inclusão da Colômbia no Mercosul e mencionou preocupações sobre a importação de leite, afetando o mercado nacional. O acordo Mercosul-UE eliminará tarifas em até 91% dos produtos, mas ainda aguarda avaliação jurídica na UE.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou decreto de promulgação do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia (UE), que entra em vigor provisoriamente nesta sexta-feira, 1 de maio de 2026. O pacto entre os blocos avançou após mais de 25 anos de negociações.

Durante a cerimônia, Lula defendeu relações multilaterais entre as nações: “Se o Brasil aprender a se respeitar, vamos negociar igualdade de condições com qualquer país”, disse. Segundo ele, o país adotará a mesma postura em futuros acordos, como fez nas tratativas com a União Europeia.

Em relação ao cenário global recente, marcado pelo aumento de tarifas promovido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Lula afirmou que Brasil e União Europeia deram uma resposta ao mundo de que “não existe nada melhor” do que acreditar na democracia, no multilateralismo e nas relações cordiais entre as nações. “Não existe saída individual para nenhum país nesse mundo de comércio”, reforçou.

Outros acordos comerciais

O presidente também encaminhou duas mensagens ao Congresso Nacional referentes aos acordos de Mercosul com Singapura e Associação Europeia de Livre Comércio, a EFTA. Lula afirmou que o Brasil trabalha para concluir o tratado comercial com o Canadá.

Continua depois da publicidade

Como mostrou o Valor em março, o acordo entre Mercosul e Canadá ainda tem temas sensíveis a serem alinhados, como o acesso a carne, lácteos, frango e ovos, além de divergências sobre regras de indicação geográfica. Ainda assim, essas questões não devem impedir a conclusão do tratado, prevista para este ano.

Incorporação da Colômbia ao Mercosul

Lula declarou ainda que o Brasil articula a incorporação da Colômbia ao Mercosul — atualmente formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, com a Bolívia em processo de adesão — e sinalizou que outros países também podem vir a integrar o bloco.

O presidente também mencionou o que classificou como “problema” relacionado ao excesso de produção e à importação de leite do Uruguai e da Argentina. Ele defendeu a necessidade de equilíbrio “para que todos se sintam confortáveis”.

A importação de leite e derivados pelo Brasil tem gerado pressão sobre o mercado nacional em 2026. Isso fez com que, em março, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) protocolasse proposta na Câmara dos Deputados para investigar os impactos dessas compras externas sobre a renda de produtores nacionais. Grande parte desses produtos estão vindo da Argentina e Uruguai.

Acordo Mercosul-UE

O acordo comercial reúne países que somam cerca de 718 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) combinado de aproximadamente US$ 22,4 trilhões, além de estabelecer uma zona de livre comércio entre o Mercosul (composto por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) e os 27 países da União Europeia. Atualmente, a UE é o segundo principal parceiro comercial do Brasil.

O tratado deve eliminar de forma progressiva tarifas em cerca de 91% dos produtos importados pelo Mercosul e 95% pela União Europeia. A redução ocorrerá de forma gradual, com prazos que variam entre quatro e quinze anos. O texto também prevê uma série de regras para salvaguardas comerciais, especialmente em setores considerados sensíveis.

Continua depois da publicidade

A nova etapa do acordo ocorre após o Brasil notificar oficialmente a Comissão Europeia, em 18 de março, sobre a conclusão dos procedimentos internos de ratificação. A União Europeia, por sua vez, notificou o Brasil em 24 de março. Com isso, foram cumpridos os requisitos para a entrada em vigor provisória do acordo a partir de 1º de maio.

Apesar de já ter sido aprovado nos parlamentos do Mercosul e da União Europeia, o acordo ainda passa por avaliação jurídica no bloco europeu. Em janeiro, o Parlamento Europeu decidiu submeter o texto a uma revisão pelo Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE), o que pode atrasar a entrada em vigor plena do tratado. A emissão de um parecer desse tipo costuma levar em média entre 18 e 24 meses.

No dia 23 de abril, Lula classificou como “coisa de gente ciumenta” a decisão dos eurodeputados de acionar o TJUE para questionar o pacto comercial. Segundo ele, a ação não seria um entrave para os avanços das negociações entre Mercosul e UE. Ele ainda reiterou que o Brasil não pretende “destruir” os produtos europeus, mas construir uma política de complementaridade entre os blocos.

As informações são do Valor Econômico, adaptadas pela equipe MilkPoint.

Vale a pena ler também:

Ministros da Agricultura do Brasil e do Uruguai discutem pautas prioritárias para a agropecuária

Porque a Holanda está pagando 1.606 euros por vaca leiteira para reduzir o rebanho

Trump e estreito de Ormuz: repercussões nos lácteos podem ir muito além das commodities

QUER ACESSAR O CONTEÚDO? É GRATUITO!

Para continuar lendo o conteúdo entre com sua conta ou cadastre-se no MilkPoint.

Tenha acesso a conteúdos exclusivos gratuitamente!

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 0

Publicado por:

Foto MilkPoint

MilkPoint

O MilkPoint é maior portal sobre mercado lácteo do Brasil. Especialista em informações do agronegócio, cadeia leiteira, indústria de laticínios e outros.

Deixe sua opinião!

Foto do usuário

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração.

Qual a sua dúvida hoje?