Em valor, as vendas externas alcançaram US$ 147,3 milhões, redução de 22,2%. Na prática, foram exportadas cerca de 11,6 mil toneladas a menos, o equivalente a US$ 42 milhões. Na comparação anual, porém, o cenário é diferente. Em relação a janeiro de 2025, as exportações cresceram 31,8% em volume e 26,6% em receita. O OCLA ressalta, no entanto, que esse avanço expressivo ocorre porque o volume exportado no início do ano passado foi excepcionalmente baixo.
Com isso, a participação das exportações na produção total de leite da Argentina ficou em 29,1% em janeiro de 2026 — um nível considerado dentro da faixa histórica normal.
Preços também recuam
O preço médio das exportações foi de US$ 3.778 por tonelada em janeiro, queda de 4% em relação ao mesmo mês de 2025. No caso do leite em pó — principal produto exportado pelo país, responsável por 42,4% dos embarques totais — o preço médio foi de US$ 3.492 por tonelada, 11,7% abaixo do registrado no ano anterior.
Fator sazonal explica parte da queda
De acordo com o OCLA, a redução nas exportações tem forte relação com a sazonalidade da produção de leite na Argentina. O país registra seu pico produtivo na primavera. Nesse período, que vai da saída do inverno até o final do ano, é comum que as exportações aumentem para escoar os excedentes de produção. Quando a produção diminui, esse movimento tende a desacelerar — o que ajuda a explicar o desempenho de janeiro.
Outro fator relevante é o forte desempenho de dezembro. O último mês de 2025 registrou um volume elevado de exportações, o que amplia a diferença na comparação mensal. Mesmo assim, quando se analisa o acumulado anual, o desempenho externo permanece positivo: tanto o volume quanto o valor exportado cresceram mais de 25% em relação ao ano anterior.
Mercado interno segue pressionado
No mercado doméstico, os dados mostram comportamentos distintos dependendo da base de comparação. Em relação a janeiro de 2025, as vendas de produtos lácteos recuaram 5,6%. Já na comparação com dezembro, houve crescimento de 2,6%.
Esse resultado, porém, muda quando se observa o consumo em litros equivalentes — medida que considera o volume de leite utilizado na fabricação dos produtos. Nesse caso, foi registrada uma queda de 8% frente a dezembro.
Leite em pó lidera as quedas
Entre as principais categorias, o maior recuo nas vendas em relação a janeiro do ano passado ocorreu no leite em pó, com queda de 23,4%.
Na sequência aparecem:
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Outros produtos lácteos (como doce de leite, manteiga e iogurtes): -9,1%
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Leites fluidos: -5%
O consumo de queijos, por outro lado, apresentou crescimento de 1,9% na comparação anual. Esse segmento tem grande relevância para a cadeia, já que cerca de 50% da produção nacional de leite é destinada à fabricação de queijos.
Mudança no comportamento de consumo
O OCLA aponta duas possíveis explicações para a retração nas vendas.
A primeira está relacionada à base de dados utilizada. As informações de vendas são coletadas pela Direção Nacional de Laticínios a partir de indústrias que representam cerca de 60% do mercado, o que significa que parte relevante do consumo — incluindo marcas menores e o mercado informal — não é capturada pela pesquisa. Segundo o observatório, há indícios de que o segmento não monitorado possa ter registrado aumento nas vendas em janeiro.
Nesse contexto, uma das hipóteses é que consumidores estejam migrando das marcas líderes — incluídas no levantamento — para produtos mais baratos ou de marcas menores.
Além disso, o desempenho do consumo também reflete oscilações no poder de compra da população. “Há variações nesses períodos de acordo com a recuperação do poder aquisitivo das pessoas. Se compararmos janeiro deste ano com o de 2025, as vendas parecem menores porque naquele momento o desempenho havia sido relativamente bom, considerando que vínhamos de um 2024 mais difícil”, aponta o relatório.
Com informações do Clarín, resumidas pela Equipe MilkPoint.
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