Exportações de lácteos da Argentina caem 23% em janeiro, após forte desempenho ao fim de 2025

As exportações de produtos lácteos da Argentina registraram queda em janeiro na comparação com dezembro de 2025. Segundo dados do Observatório da Cadeia Láctea Argentina (OCLA), os embarques somaram 38.992 toneladas no primeiro mês de 2026 - uma retração de 22,9% em relação ao mês anterior.

Publicado por: MilkPoint

Publicado em: - 3 minutos de leitura

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 0

As exportações de produtos lácteos da Argentina registraram queda em janeiro na comparação com dezembro de 2025. Segundo dados do Observatório da Cadeia Láctea Argentina (OCLA), os embarques somaram 38.992 toneladas no primeiro mês de 2026 — uma retração de 22,9% em relação ao mês anterior.

Em valor, as vendas externas alcançaram US$ 147,3 milhões, redução de 22,2%. Na prática, foram exportadas cerca de 11,6 mil toneladas a menos, o equivalente a US$ 42 milhões. Na comparação anual, porém, o cenário é diferente. Em relação a janeiro de 2025, as exportações cresceram 31,8% em volume e 26,6% em receita. O OCLA ressalta, no entanto, que esse avanço expressivo ocorre porque o volume exportado no início do ano passado foi excepcionalmente baixo.

Com isso, a participação das exportações na produção total de leite da Argentina ficou em 29,1% em janeiro de 2026 — um nível considerado dentro da faixa histórica normal.

Preços também recuam

O preço médio das exportações foi de US$ 3.778 por tonelada em janeiro, queda de 4% em relação ao mesmo mês de 2025. No caso do leite em pó — principal produto exportado pelo país, responsável por 42,4% dos embarques totais — o preço médio foi de US$ 3.492 por tonelada, 11,7% abaixo do registrado no ano anterior.

Fator sazonal explica parte da queda

De acordo com o OCLA, a redução nas exportações tem forte relação com a sazonalidade da produção de leite na Argentina. O país registra seu pico produtivo na primavera. Nesse período, que vai da saída do inverno até o final do ano, é comum que as exportações aumentem para escoar os excedentes de produção. Quando a produção diminui, esse movimento tende a desacelerar — o que ajuda a explicar o desempenho de janeiro.

Continua depois da publicidade

Outro fator relevante é o forte desempenho de dezembro. O último mês de 2025 registrou um volume elevado de exportações, o que amplia a diferença na comparação mensal. Mesmo assim, quando se analisa o acumulado anual, o desempenho externo permanece positivo: tanto o volume quanto o valor exportado cresceram mais de 25% em relação ao ano anterior.

Mercado interno segue pressionado

No mercado doméstico, os dados mostram comportamentos distintos dependendo da base de comparação. Em relação a janeiro de 2025, as vendas de produtos lácteos recuaram 5,6%. Já na comparação com dezembro, houve crescimento de 2,6%.

Esse resultado, porém, muda quando se observa o consumo em litros equivalentes — medida que considera o volume de leite utilizado na fabricação dos produtos. Nesse caso, foi registrada uma queda de 8% frente a dezembro.

Leite em pó lidera as quedas

Entre as principais categorias, o maior recuo nas vendas em relação a janeiro do ano passado ocorreu no leite em pó, com queda de 23,4%.

Na sequência aparecem:

  • Outros produtos lácteos (como doce de leite, manteiga e iogurtes): -9,1%

  • Leites fluidos: -5%

O consumo de queijos, por outro lado, apresentou crescimento de 1,9% na comparação anual. Esse segmento tem grande relevância para a cadeia, já que cerca de 50% da produção nacional de leite é destinada à fabricação de queijos.

Mudança no comportamento de consumo

O OCLA aponta duas possíveis explicações para a retração nas vendas.

A primeira está relacionada à base de dados utilizada. As informações de vendas são coletadas pela Direção Nacional de Laticínios a partir de indústrias que representam cerca de 60% do mercado, o que significa que parte relevante do consumo — incluindo marcas menores e o mercado informal — não é capturada pela pesquisa. Segundo o observatório, há indícios de que o segmento não monitorado possa ter registrado aumento nas vendas em janeiro.

Nesse contexto, uma das hipóteses é que consumidores estejam migrando das marcas líderes — incluídas no levantamento — para produtos mais baratos ou de marcas menores.

Além disso, o desempenho do consumo também reflete oscilações no poder de compra da população. “Há variações nesses períodos de acordo com a recuperação do poder aquisitivo das pessoas. Se compararmos janeiro deste ano com o de 2025, as vendas parecem menores porque naquele momento o desempenho havia sido relativamente bom, considerando que vínhamos de um 2024 mais difícil”, aponta o relatório.

Com informações do Clarín, resumidas pela Equipe MilkPoint.

Vale a pena ler também

UE-Mercosul e lácteos: o que muda (de fato) com a validação do acordo?

O redesenho do leite: como o Brasil está transformando sua produção, segundo Marcelo Pereira de Carvalho

QUER ACESSAR O CONTEÚDO? É GRATUITO!

Para continuar lendo o conteúdo entre com sua conta ou cadastre-se no MilkPoint.

Tenha acesso a conteúdos exclusivos gratuitamente!

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 0

Publicado por:

Foto MilkPoint

MilkPoint

O MilkPoint é maior portal sobre mercado lácteo do Brasil. Especialista em informações do agronegócio, cadeia leiteira, indústria de laticínios e outros.

Deixe sua opinião!

Foto do usuário

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração.

Qual a sua dúvida hoje?