"Pela porta da frente": ExpoQueijo defende entrada do produto brasileiro na Europa

Com foco em cooperação e rastreabilidade, evento articula caminho viável para queijarias nacionais competirem de igual para igual no exterior.

Publicado por: MilkPoint

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A ExpoQueijo Brasil apresentou na Itália a necessidade de um caminho claro para que queijos artesanais brasileiros acessem o mercado europeu. Maricell Hussein defendeu a cooperação para que produtores possam atender aos padrões europeus. A proposta inclui criar um protocolo para amostras não comerciais e aprofundar a cooperação em indicações geográficas. O objetivo é valorizar a produção artesanal brasileira, sem flexibilizar as exigências europeias. A iniciativa visa fortalecer a relação entre os mercados brasileiro e europeu.

A ExpoQueijo Brasil levou à Itália uma das principais reivindicações da cadeia de queijos artesanais brasileiros: a criação de um caminho claro e tecnicamente viável para que produtores formalizados possam acessar o mercado europeu.

Durante a Conferência Internacional sobre União Europeia, Mercosul e o setor lácteo, realizada em Bérgamo, Maricell Hussein, fundadora da ExpoQueijo Brasil e Embaixadora do Queijo Minas Artesanal, defendeu que os queijos brasileiros possam chegar à Europa de forma regular, respeitando os padrões exigidos. “Não pedimos à Europa que reduza os seus padrões, jamais. Propomos cooperação, para que produtores capazes de cumpri-los tenham um caminho claro para demonstrar conformidade e competir de igual para igual”, afirmou Maricell, durante o encontro que contou com representantes do setor lácteo, entidades ligadas às indicações geográficas, autoridades italianas e representantes da Embaixada do Brasil na Itália.

A manifestação ocorreu durante a agenda internacional da comitiva da ExpoQueijo Brasil, encontros com especialistas, masterclasses, visitas técnicas e reuniões com produtores e empresas do setor. A missão tem como objetivo conhecer experiências de excelência, aproximar os dois mercados e ampliar o intercâmbio entre as cadeias produtivas brasileira e europeia.

Foto: Portal do Triângulo

“Não dentro de malas, mas pela porta da frente”

Ao apresentar a trajetória da ExpoQueijo Brasil, Maricell destacou que o evento nasceu com a proposta de dar visibilidade aos produtores artesanais e se transformou em uma plataforma internacional de conexão entre profissionais, produtores e especialistas.

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Em 2026, a sexta edição reuniu mil queijos de 19 países, movimentou mais de oito toneladas de produtos, formou 250 jurados e recebeu 61 mil visitantes. No Concurso Internacional, foram distribuídos 131 troféus entre oito países. O Brasil conquistou 97 deles, sendo 66 destinados a produtores de Minas Gerais, além do Super Ouro, que pelo segundo ano consecutivo ficou com um queijo brasileiro.

Para Maricell, porém, os números representam apenas uma parte do processo. O principal resultado está na valorização de homens e mulheres que mantêm a produção artesanal e a economia de seus territórios. “São essas pessoas que transformam o queijo em vetor de renda, de permanência no campo e de futuro para as novas gerações”, afirmou.

Ao abordar a relação entre Brasil e Europa, ela destacou que a própria ExpoQueijo já promove esse intercâmbio ao receber produtores e jurados estrangeiros em Araxá e levar queijos brasileiros para concursos e eventos internacionais. “Lutamos diariamente para a concretização do sonho de que um dia eles cheguem aqui, não dentro de malas, mas pela porta da frente, com toda a dignidade que os produtores brasileiros merecem”, disse.

Brasil quer cooperação com a Europa

A defesa apresentada na Itália foi organizada em torno de três frentes. A primeira é a criação de um caminho tecnicamente viável para que queijarias brasileiras formalizadas possam acessar efetivamente o mercado europeu. A segunda envolve a construção de um protocolo seguro e rastreável para a circulação de amostras não comerciais entre eventos profissionais. A terceira trata do aprofundamento da cooperação em indicações geográficas, com o objetivo de proteger e valorizar territórios produtores brasileiros, como Canastra e Serro.

Maricell ressaltou que a proposta não é flexibilizar as exigências europeias, mas estabelecer mecanismos que permitam aos produtores brasileiros demonstrar que estão aptos a cumpri-las. “Não vim aqui falar de cláusulas nem de tarifas. Falo de uma oportunidade histórica de aproximar dois mundos queijeiros extraordinários”, afirmou.

A fundadora da ExpoQueijo também destacou a relação construída com a Itália ao longo das edições do evento. Queijos italianos já conquistaram por duas vezes o Super Ouro da ExpoQueijo Brasil e seguem entre os principais concorrentes da competição internacional realizada em Araxá. “Para nós, é uma honra imensa receber em Araxá os mestres da tradição queijeira europeia. Cada queijo italiano premiado no Brasil é, para o nosso setor, uma lição de excelência e um estímulo para continuarmos evoluindo”, disse.

As informações são do Portal do Triângulo, adaptadas pela equipe MilkPoint.

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