USP: pesquisa detecta alta diversidade de Streptococcus agalactiae em rebanhos leiteiros do Nordeste

Um amplo mapeamento genético da bactéria Streptococcus agalactiae, associada à mastite bovina, revelou grande diversidade de linhagens circulando em rebanhos leiteiros do Nordeste brasileiro, além da presença de genes relacionados à resistência a antibióticos importantes na prática veterinária.

Publicado por: MilkPoint

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Um estudo liderado pela professora Ilana Lopes Baratella da Cunha Camargo, publicado na revista Pathogens, analisou a diversidade genética da bactéria Streptococcus agalactiae em rebanhos leiteiros do Nordeste brasileiro, revelando linhagens associadas à mastite bovina e genes de resistência a antibióticos. A pesquisa destaca a complexidade da população bacteriana e a necessidade de vigilância sanitária e uso criterioso de antimicrobianos. Recomenda medidas de diagnóstico e monitoramento para controlar a infecção e evitar a resistência antimicrobiana.
Um amplo mapeamento genético da bactéria Streptococcus agalactiae, associada à mastite bovina, revelou grande diversidade de linhagens circulando em rebanhos leiteiros do Nordeste brasileiro, além da presença de genes relacionados à resistência a antibióticos importantes na prática veterinária. Os resultados reforçam o alerta para a necessidade de vigilância sanitária e uso mais criterioso de antimicrobianos nas fazendas leiteiras.

O estudo foi liderado pela pesquisadora do IFSC/USP, professora Ilana Lopes Baratella da Cunha Camargo, em parceria com outros cientistas brasileiros, e publicado na revista científica internacional Pathogens. A pesquisa analisou amostras de leite de vacas com mastite clínica e subclínica no estado da Paraíba.

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A partir do sequenciamento genômico completo das bactérias isoladas, os pesquisadores identificaram diferentes tipos de sequência genética (STs). Entre eles, aparecem linhagens já associadas a infecções em bovinos em outras regiões do mundo. Essa diversidade indica que a população bacteriana presente nos rebanhos é mais complexa do que se imaginava, o que pode dificultar estratégias padronizadas de controle da doença.

Um dos pontos que mais chamam a atenção no estudo é a detecção de genes de resistência a antibióticos, incluindo aqueles relacionados à tetraciclina e aos macrolídeos — classes frequentemente utilizadas no tratamento de infecções em animais de produção. A presença desses genes sugere que parte das bactérias já possui mecanismos para sobreviver às terapias convencionais, o que pode resultar em falhas no tratamento e na persistência da infecção dentro dos rebanhos.

Além disso, os cientistas analisaram fatores de virulência — características genéticas que aumentam a capacidade da bactéria de causar doença. Foram identificados genes associados à adesão às células do hospedeiro e à evasão do sistema imunológico, o que ajuda a explicar por que Streptococcus agalactiae consegue estabelecer infecções crônicas na glândula mamária das vacas, afetando diretamente a produção e a qualidade do leite.

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A mastite está entre as enfermidades mais onerosas da cadeia leiteira. Além da queda na produção, a doença gera descarte de leite, custos com medicamentos e aumento das despesas de manejo nas propriedades. Para os autores, o detalhamento genômico das cepas circulantes abre caminho para estratégias de controle mais direcionadas, considerando o perfil genético local das bactérias, em vez de depender exclusivamente de protocolos generalizados.

Os resultados também dialogam com uma preocupação crescente em escala global: a resistência antimicrobiana. Embora o foco da pesquisa seja veterinário, microrganismos resistentes presentes em animais podem representar risco indireto à saúde pública, seja por contato direto ou pela cadeia alimentar. Por isso, os pesquisadores defendem uma abordagem integrada entre saúde animal, humana e ambiental dentro do conceito de Saúde Única (One Health).

Na prática, o estudo reforça a importância de medidas como diagnóstico laboratorial antes do tratamento, melhoria das condições de higiene na ordenha e monitoramento constante da saúde dos rebanhos. Mais do que tratar os casos de mastite, o desafio agora passa também por evitar a disseminação de linhagens bacterianas resistentes que já circulam nas fazendas leiteiras da região.

Confira o estudo completo publicado na revista científica Pathogens aqui. 

As informações são do jornal Primeira Página, adaptadas pela Equipe MilkPoint.

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