CFOs da indústria láctea apontam crédito pressionado, consolidação e valor agregado no futuro

A indústria de lácteos no Brasil atua em um ambiente de negócios marcado por volatilidade, juros elevados, forte competição e desafios estruturais que trazem impactos às margens e tornam o planejamento de longo prazo mais complexo. Ao mesmo tempo, o setor enxerga oportunidades relevantes em eficiência operacional, consolidação, inovação e fortalecimento da relação com os produtores rurais.

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A indústria de lácteos no Brasil enfrenta volatilidade, altos juros e forte concorrência, impactando margens e planejamento. Durante o Fórum do MilkPoint Mercado, executivos discutiram a necessidade de capital acessível, parcerias com produtores e produtos de maior valor agregado. A consolidação do mercado é vista como essencial para competitividade e exportação. O acesso a crédito é um desafio, e fortalecer relações de longo prazo entre indústrias e produtores é recomendado. O tema será debatido no Interleite Brasil 2026.
A indústria de lácteos no Brasil atua em um ambiente de negócios marcado por volatilidade, juros elevados, forte competição e desafios estruturais que trazem impactos às margens e tornam o planejamento de longo prazo mais complexo. Ao mesmo tempo, o setor enxerga oportunidades relevantes em eficiência operacional, consolidação, inovação e fortalecimento da relação com os produtores rurais.

Esses temas estiveram no centro da mesa-redonda “CFOs: desafios e oportunidades para a performance futura da indústria láctea”, realizada durante o Fórum do MilkPoint Mercado, em 9 de abril, com executivos de Lactalis, Tirolez e Piracanjuba.

Apesar das diferentes estratégias empresariais, as falas convergiram em alguns pontos: necessidade de capital mais acessível, avanço de modelos de parceria com produtores, busca por produtos de maior valor agregado e tendência de consolidação em toda a cadeia.

Capital caro limita crescimento e exige agilidade

Para Izanir Brun, da Lactalis, um dos principais entraves para a competitividade está no custo de capital. Segundo ele, empresas do setor precisam manter estruturas financeiras adequadas à atividade e capacidade de adaptação rápida diante das oscilações de mercado.

Em sua avaliação, o mercado brasileiro ainda apresenta elevada volatilidade, dependência relevante de commodities e uma cadeia pouco integrada, com forte presença de negociações spot. Nesse contexto, companhias que não conseguirem ajustar rotas com velocidade tendem a perder margem, participação de mercado e competitividade. O executivo também destacou a complexidade operacional do Brasil, observando que atuar no setor lácteo nacional exige conhecimento profundo das particularidades locais.

Consolidação aparece como movimento natural

Outro ponto recorrente no debate foi a consolidação do mercado. Para os participantes, o processo deve avançar tanto entre produtores quanto entre indústrias, impulsionado pela busca por escala, eficiência e maior capacidade de investimento. Na visão apresentada pela Lactalis, esse movimento pode contribuir para posicionar o Brasil, no médio prazo, como exportador competitivo de lácteos, em trajetória semelhante à observada em cadeias como carnes e grãos.

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Já a Piracanjuba reforçou que a consolidação tende a vir acompanhada de profissionalização no campo, com produtores mais informados, tecnificados e preparados para crescer. Segundo Daniel Zanuto, o avanço da qualificação técnica no campo já é perceptível e deve acelerar nos próximos anos, favorecendo produtores mais estruturados e preparados para expandir.

Mix premium e eficiência para defender margens

Representando a Tirolez, Aliny Nazar destacou que operar no Brasil exige equilibrar múltiplas variáveis, em especial em um ambiente tributário complexo e de custos elevados.

Segundo ela, a gestão de portfólio ganha papel central nesse cenário. A estratégia de priorizar produtos premium e de maior valor agregado aparece como caminho relevante para sustentar margens e rentabilidade. Ao lado disso, eficiência operacional e boa governança seguem como pilares indispensáveis. A executiva também chamou atenção para o impacto dos juros elevados sobre toda a cadeia, limitando a capacidade de investimento e dificultando mecanismos de apoio ao produtor.

Na mesma linha, Daniel destacou que ampliar a diversificação do portfólio e elevar a participação de itens de maior margem estão entre as prioridades da Piracanjuba, movimento visto como importante para reduzir a dependência de commodities e capturar mais valor no mercado.

Crédito ao produtor segue como gargalo estrutural

O acesso a financiamento competitivo para a produção leiteira foi outro tema sensível da discussão. Executivos relataram dificuldades para estruturar operações de crédito em razão da ausência de garantias, custos financeiros elevados e limitações dos instrumentos hoje disponíveis.

Zanuto observou que ainda há barreiras para ampliar o crédito ao setor, especialmente pela dificuldade de estruturar operações com lastro adequado e custo competitivo. Segundo ele, esse cenário dificulta a criação de mecanismos de longo prazo voltados ao crescimento do produtor e ao aumento da oferta com mais qualidade. Na prática, isso reduz o ritmo de expansão da produção leiteira, trava projetos de longo prazo e dificulta ganhos de produtividade dentro da fazenda.

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A percepção compartilhada no painel é que o setor precisará avançar em novos mecanismos financeiros capazes de aproximar recursos do produtor, com taxas viáveis e horizonte compatível com os ciclos de investimento do leite.

Relações de longo prazo podem destravar competitividade

Também ganhou destaque a necessidade de fortalecer vínculos entre indústria e produtores de leite, substituindo relações excessivamente baseadas em negociações mensais por modelos mais estáveis e previsíveis. A avaliação dos executivos é que contratos, programas de incentivo e instrumentos de parceria podem reduzir inseguranças, melhorar planejamento e criar bases mais sólidas para crescimento conjunto.

Em comparação com outros grandes mercados globais, foi lembrado que diversos países contam com algum nível de regulação ou mecanismos de proteção à cadeia láctea, enquanto o Brasil ainda opera em um ambiente altamente competitivo e menos protegido.

Figura 1. Da esquerda para a direita: Ivanir, Aliny, Daniel e Marcelo Pereira de Carvalho, CEO da MilkPoint Ventures. 

Fórum do MilkPoint Mercado - Lactalis, Piracanjuba e Lactalis

Debate continua no Interleite Brasil 2026

Os desafios e caminhos para elevar a competitividade da cadeia voltarão ao centro das discussões no Interleite Brasil 2026, que será realizado de 18 a 20 de abril, em Uberlândia (MG).

Entre os destaques da programação, na sala de gestão, o Painel 5 – Como cooperativas e laticínios podem trazer competitividade ao produtor, oferecido por Lactalis e CCPR, aprofundará justamente temas que emergiram no Fórum do MilkPoint Mercado: redução de custos, ganho de eficiência, integração com o campo e sustentabilidade econômica da produção.

A Lactalis participará com duas apresentações: Roosevelt Jr., CEO da companhia, abordará a visão da indústria sobre o que precisa ser feito para elevar a competitividade da produção brasileira; já Rafael Junqueira, diretor da empresa, mostrará exemplos práticos de programas implementados pela companhia e como essas iniciativas podem se refletir em menores custos e melhor desempenho nas fazendas.

Em um momento em que crédito, escala, eficiência e parceria se tornam palavras-chave para o setor, o debate promete indicar caminhos concretos para o futuro do leite no Brasil. A virada do primeiro lote ocorrerá no dia 15/05, aproveite e adquira o seu ingresso agora mesmo.

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Material escrito por:

Raquel Maria Cury Rodrigues

Raquel Maria Cury Rodrigues

Head do MilkPoint e Zootecnista pela UNESP de Botucatu

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