Espécies de verão como Braquiária, Tifton, capim Capiaçú e Kurumi praticamente cessaram seu crescimento. Diante desse cenário de transição, típico para o período, muitas áreas de campo nativo encontram-se em pousio, mas os produtores seguem ativos na implantação de espécies de inverno por meio de sobressemeadura ou plantio direto, utilizando principalmente o azevém e a aveia. Para mitigar a menor oferta de volumoso, o setor mantém o manejo rotativo, o corte para produção de feno e pré-secado, além do escalonamento de novas pastagens.
O panorama do desenvolvimento das pastagens de inverno varia conforme a região administrativa da Emater/RS-Ascar. Na região de Bagé, as lavouras de aveia sentem o estresse térmico das geadas e enfrentam um déficit hídrico após quase três semanas sem chuva, o que causou amarelecimento das folhas e redução no crescimento. Essa estiagem também reduziu a população de trevo em áreas sobressemeadas em Hulha Negra, embora as zonas de várzea mantenham um bom desenvolvimento devido à retenção de umidade. Por outro lado, em Caçapava do Sul, os animais já estão em pastejo com bom desempenho em áreas de aveia e azevém. Nas regiões de Caxias do Sul, Passo Fundo e Soledade, o desenvolvimento das pastagens anuais varia de regular a bom, com os primeiros pastoreios iniciados nos pontos mais produtivos.
A variabilidade climática também dita o ritmo das lavouras em outras partes do estado. Em Erechim, o estabelecimento inicial das variedades de inverno foi positivo, mas o crescimento atual é lento por conta das chuvas escassas. Em Frederico Westphalen e Ijuí, os trabalhos avançam dentro do esperado, com a semeadura na fase final e algumas áreas de Ijuí já apresentando alta produção de massa verde. Já na região de Pelotas, municípios como Pinheiro Machado, Jaguarão e Santana da Boa Vista relatam queimaduras de geada que reduziram a qualidade do campo nativo, enquanto São Lourenço do Sul registra uma migração gradual dos animais para as pastagens cultivadas de inverno. Nas regiões de Porto Alegre e Santa Maria, a maior parte das forrageiras ainda está em fase inicial, motivando os agricultores a aproveitarem as previsões de chuva para realizar a sobressemeadura de azevém. Por fim, em Santa Rosa, o azevém emerge de forma satisfatória sob temperaturas amenas, embora a aveia enfrente ataques de pulgões e manchas foliares.
Esse cenário forrageiro restritivo exige atenção redobrada na bovinocultura de leite, focada no manejo alimentar e sanitário para evitar quedas bruscas na produção. Pelo lado positivo, o tempo firme e seco favoreceu a higiene na ordenha e garantiu o conforto térmico dos animais, impulsionando a qualidade do produto e facilitando a inseminação artificial na região de Santa Rosa. Contudo, as limitações nutricionais do pasto exigiram ajustes.
Na região de Bagé, os produtores aumentaram o fornecimento de feno e silagem, que possuem menor resposta produtiva que o pasto verde, embora as propriedades com trevo estabelecido tenham alcançado excelentes índices de proteína e digestibilidade. Em Pelotas e Santa Maria, a escassez de forragem resultou em queda na produção leiteira e na condição corporal dos animais, demandando intensificação da suplementação com silagem e, no município de Pelotas, um reforço no combate à tristeza parasitária bovina devido à presença de carrapatos.
Em contrapartida, as regiões de Caxias do Sul e Passo Fundo mantêm a estabilidade produtiva e sanitária, com os lotes de maior produtividade sendo direcionados para as melhores pastagens de inverno. Em Ijuí, a produção de leite apresenta tendência de elevação devido ao aumento do número de vacas em lactação. A melhora na produtividade também é realidade em Santa Rosa, impulsionada pelo início do pastoreio rotativo em culturas altamente palatáveis como trigo e aveia. Devido à alta umidade dessas plantas, o esterco dos animais tornou-se mais fluido, o que levou os produtores locais a aumentarem a oferta de feno na dieta e a reduzirem o teor de proteína bruta da ração de 22% para 18%, diminuindo os custos operacionais. Na mesma região, o município de Caibaté iniciou um programa de fomento à atividade leiteira em parceria com a Emater/RS-Ascar, promovendo visitas técnicas para balanceamento de dietas, aplicação de vermífugos e orientações de higiene.
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