A estratégia da True para dominar o mercado de suplementos clean label no Brasil

Criada por dois empreendedores capixabas, a empresa aposta em fórmulas limpas, expansão industrial e projeção de dobrar de tamanho a cada dois anos.

Publicado por: MilkPoint

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A True, empresa brasileira de suplementos, foi fundada em 2018 por Patrick Schilte e Cristina Ferraz, focando no clean label, com ingredientes curtos e sem aditivos. A marca cresce 80% ao ano e planeja dobrar de tamanho a cada dois anos. A True diversifica seu portfólio com novos produtos, incluindo suplementos líquidos e uma linha matinal. A expansão inclui aumento da capacidade produtiva e ampliação da presença em canais digitais e farma, além de ações em eventos variados para atingir novos públicos.
O whey vem dominando o mercado brasileiro de alimentação nos últimos anos: em pó, em bebidas, em barrinhas, em cafés e até em milkshakes. Em 2018, quando o ingrediente já tinha algumas marcas consolidadas, dois empreendedores capixabas decidiram apostar em uma diferenciação: o clean label, com lista de ingredientes curtos e sem conservantes e adoçantes artificiais. Assim, nasceu a True, com foco na proteína em pó. Hoje, a marca já aposta em suplementação para sono e até linhas infantis. 

A empresa acelera uma nova fase de expansão, apoiada em três frentes: lançamento de produtos em novos formatos, ampliação da capacidade industrial e avanço em canais como farma e alimentar. A aposta ocorre em um momento de transformação do setor, com consumidores mais atentos à composição, saúde intestinal e conveniência de consumo. “Prezamos por fórmulas o mais limpas possível. O desafio é justamente chegar a um sabor e a um paladar agradável trabalhando com formulações limpas”, afirma Patrick Schilte, CEO e fundador da True. A True vem crescendo cerca de 80% ao ano nos últimos ciclos e projeta dobrar de tamanho a cada dois anos.

A estratégia da True para dominar o mercado de suplementos clean label no Brasil

Foto: Cristina Ferraz e Patrick Schilte / Divulgação

História da empresa

A True nasce dentro de um setor que já vinha amadurecendo no Brasil, mas ainda com forte dependência de marcas importadas e pouca oferta local em algumas categorias. A origem da empresa está ligada à trajetória dos fundadores, Patrick Schilte e Cristina Ferraz, no próprio mercado de suplementação.

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Antes de criar a marca, eles operavam lojas de suplementos regionais no Espírito Santo, além de trabalhar com importação de produtos. “Utilizamos a experiência como um laboratório, aprendendo realmente na indústria: o que vende, o que não vende, qual marca se destaca mais”, diz Schilte. 

A decisão de criar a True surge no contexto de transformação do setor a partir de 2018, quando começam a ganhar força discussões sobre saúde, sono, estresse e longevidade. “Começou a se perceber uma preocupação maior com longevidade e prevenção, de uma forma diferente do que o mercado falava antes e percebemos a oportunidade de criar fórmulas Clean Label”, afirma. A estratégia buscava sabores menos convencionais para aquele momento, como coco, abacate, maracujá e crème brûlée.

A partir dessa base, a empresa começa a expandir o portfólio de forma acelerada, testando novas categorias e consolidando presença no varejo especializado. O crescimento inicial é descrito como orgânico, apoiado na relação com lojistas e na construção de credibilidade dentro do setor. “Foi um trabalho muito forte com profissionais da área da saúde, nutricionistas e médicos, que foram sempre uma comunidade muito forte dentro da True”, diz o CEO.

Inovação e novos produtos

Para continuar apostando na diversificação e inovação, a marca deve inaugurar uma segunda fábrica até novembro de 2026, em Aracruz, no Espírito Santo. Hoje, a True já produz seus produtos em pós, mas outros tipos de suplementação ainda são terceirizadas – com a nova unidade, a expectativa é aumentar a capacidade produtiva.  

As novas categorias já chegam neste mês durante a Naturaltech. A principal aposta é nos suplementos líquidos, pensados para consumo direto, inclusive com uso de colher, em referência a formatos antigos de suplementação.  “É um formato que já cresce no exterior e vimos uma oportunidade de trazer isso para o mercado brasileiro. Agora, a estratégia é acelerar a divulgação com influenciadores, degustações e experimentação para apresentar essa categoria ao consumidor”, diz Schilte.

Além disso, a empresa lança um produto voltado ao consumo matinal com foco em energia, proteína e saúde intestinal, combinando diferentes ingredientes funcionais em uma única formulação. “Vimos um movimento muito forte acontecendo em torno dos rituais matinais e não tínhamos um produto pensado para esse momento do dia”, afirma. A companhia ainda iniciou estudos científicos próprios para validar produtos, movimento ainda pouco comum no setor brasileiro de suplementos.

A estratégia da True para dominar o mercado de suplementos clean label no Brasil

Foto: True Morning / Divulgação

A expansão da True passa pela diversificação dos canais de venda. Hoje, cerca de metade da receita ainda vem das lojas especializadas em suplementação, mas a empresa acelera a presença no digital, em assinaturas e em novos canais de distribuição. 

Segundo a companhia, o e-commerce já representa cerca de 35% a 40% das vendas, enquanto farmácias e supermercados aparecem como próximas apostas de crescimento para o setor. “O canal farma e o alimentar serão muito relevantes para a indústria nos próximos anos”, diz. 

Além da expansão comercial, a True também vem ampliando sua estratégia de divulgação em eventos presenciais. A empresa participa de mais de 100 ativações por ano, entre feiras, congressos e ações regionais, mas passou a buscar espaços fora do circuito tradicional da suplementação. 

Nos últimos meses, a marca esteve em eventos ligados a tênis, moda e lifestyle, numa tentativa de aproximar o consumo de suplementos de públicos menos ligados à lógica da alta performance esportiva. “A indústria ainda está muito focada em corrida e esporte. A gente está tentando fugir um pouco dessa zona e levar a nutrição para outros contextos”, afirma Schilte.

As informações são da Exame, adaptadas pela equipe MilkPoint.

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