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Manejo da cama no compost barn: confira relatos de produtores

POR RAQUEL MARIA CURY PEREIRA

RAQUEL MARIA CURY RODRIGUES

EM 11/01/2019

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O sistema de compost barn teve início em meados dos anos 80 nos EUA, mais especificamente na Virgínia. O sistema foi desenvolvido por produtores e derivou do bedded pack ou sistema de cama sobreposta onde a mesma serve como uma barreira física entre o esterco e a vaca. E não é novidade que os produtores de leite no Brasil estão buscando com maior frequência informações sobre o sistema. O ‘boom’ ocorreu após algumas suposições como a maior facilidade de manejo e a finalidade clara e adequada para os dejetos dos animais.

A fim de entender com mais detalhes como o sistema vem se desenvolvendo no Brasil, o MilkPoint lançou no último trimestre de 2018 uma pesquisa para analisar - com detalhes - a percepção dos produtores e os resultados obtidos por eles com o sistema até então. É interessante lembrar que os produtores participantes se mostraram extremamente satisfeitos com o sistema. Confira aqui.

Neste momento e - seguindo a proposta inicial - estamos publicando a segunda parte do material, que dessa vez trará informações de como os produtores participantes estão manejando as camas do compost. Então vamos lá!

Vale lembrar que participaram da pesquisa 42 produtores de leite de sete estados brasileiros (MG, SP, SC, PR, RS, GO e AL). A região com maior participação foi a Sudeste, totalizando 48% das respostas. Em segundo, veio a região Sul, com 43% seguida da Centro-Oeste (7%) e Nordeste (2%).

Viragem da cama do compost barn

Normalmente, alguns produtores, por falta de trator ou algum manejo dentro da fazenda, reviram a cama 1x por dia ou 1x a cada dois dias. Por consequência, o processo de compostagem fica comprometido, e o teor de umidade da cama aumenta – mesmo com uso de ventiladores. Por isso, é aconselhável revirar a cama pelo menos 2x ao dia, garantindo assim um processo de compostagem homogêneo, facilitando a perda de umidade para o ambiente e fazendo com que a cama fique mais seca. Lembrando que, ao revirar a cama, é importante atingir as camadas mais profundas do composto, por exemplo: se a cama tem 50 cm de altura, deve-se revirar de 35 a 40 cm de profundidade.

A maioria dos participantes da pesquisa proposta pelo MilkPoint disse revirar a cama entre duas ou três vezes ao dia, dependendo da necessidade e de fatores como umidade. Questões externas também se aplicam a decisões com relação a reposição da cama. Vale destacar que - na maioria das vezes - a cama é revolvida quando as vacas vão para a ordenha. É interessante também ponderar a variedade de materiais utilizados para a cama, que vão desde casca de amendoim até casca de café, maravalha e palha de arroz.

Confira abaixo alguns depoimentos interessantes e compartilhamento de ideias:

Segundo um produtor de leite de Patos de Minas/MG, o uso do subsolador é diário, entre uma e duas vezes. “A variação depende da umidade e temperatura da cama. Houve no ápice do inverno a necessidade de umidificar a cama com água devido à baixa fermentação da mesma e a presença de sintomas iniciais de pneumonia nos animais”.

De Guapiaçu/SP um dos participantes disse que a cama é revirada no mínimo duas vezes ao dia, sendo que em dias chuvosos, ela é revirada três vezes. “Utilizamos 13 m² por vaca (raça Holandesa) e a reposição de cama é feita de duas a três vezes por ano para o aumento do volume já que o material vai decompondo e diminuindo de volume, ficando ruim para revirar a cama. Estamos há 4 anos com o sistema e nunca trocamos a cama”.

Um pecuarista de Buritama/SP comentou que na propriedade a cama é removida duas vezes ao dia. “Sempre com um subsolador e depois, uma enxada rotativa. Trabalhamos com casquinha de amendoim e faz mais de dois anos que não trocamos e não adicionamos mais casca”.

Ainda sobre a possibilidade de variar os materiais utilizados na cama, de São Gotardo/MG, um produtor destacou que normalmente também revolve a cama duas vezes ao dia quando as vacas vão para a ordenha. “Em dias muito chuvosos, reviramos até três vezes e caso a cama molhe, repomos com casca de café. Indicamos a cama com no mínimo de 80 centímetros. Os corredores são limpos com trator e lâmina”.

Lá de Almirante Tamandaré do Sul/RS um leitor compartilhou o manejo da sua cama. “Mexemos ela duas vezes ao dia com escarificador no momento que os animais vão para a ordenha. Uma vez por semana passamos a enxada rotativa para destorroar. Em média, a cada 21 dias é realizada a reposição de cama”.

Na mesma linha, de Cerqueira César/SP, um produtor disse revirar a cama duas vezes ao dia nos intervalos de cada ordenha. “Fazemos a reposição da cama quando ela vai abaixando e os materiais escolhidos são a maravalha e a palha de arroz. Usamos resfriamento com ventilação das 6h00 até às 20h00”.

Ainda sobre ventilação, um dos produtores – de Jataí/GO – disse que o manejo é simples e que para isso, ele conta com o auxílio de ventiladores bem dimensionados e um número suficiente de equipamentos. “Os nossos ventiladores ficam ligados de 14 a 18 horas, dependendo da época e do estado da cama. A enxada rotativa é usada três vezes ao dia na hora dos animais irem para a ordenha”.

“Nós revolvemos a cama de duas a três vezes por dia com um escarificador e a quantidade de revolvimentos vai depender de cada dia, principalmente da umidade dele. A reposição é feita quando necessária”, explicou um produtor de São Miguel do Oeste/SC.

Também utilizando escarificador e de Itaberá/SP, um outro participante disse movimentar duas vezes por dia durante a ordenha das vacas e o monitoramento da temperatura é realizado em 5 pontos espalhados pela área da cama. “Sabemos que o ideal é a variância de 45 a 65ºC e quando sai fora deste limite, aumentamos a frequência de movimentação e/ou acrescentamos mais serragem à cama. A área por animal é de 13 m² de área de cama/animal, o que para a nossa região, é uma medida muito boa”.

Outros depoimentos interessantes que surgiram na pesquisa:

“A cama é mexida 3 vezes ao dia. Tenho algumas dificuldades em relação ao inverno, por ser muito úmido na minha região”.

“A cama é revolvida 3 vezes ao dia quando os animais saem para a ordenha. Hoje meu desafio é grande porque estamos com camas lotadas. Temos uma previsão de expansão que foi adiada devido a necessidade de investimentos estruturais como a construção do barracão pré-parto primeiro”.

“A cama aqui é feita de pó de serra e fazemos o revolvimento sob demanda. Quando notamos que a cama está umedecendo é feito o revolvimento usando a grade do trator”.

“Revolvemos a cama 3 vezes por dia com revolvedor rotativo, reposição somente com serragem quando começa a formar torrões. Tenho o mesmo manejo e cama há dois anos”.

“Atualmente revolvo a cama 2 vezes ao dia com o pé de pato. No início, quando a cama era pequena, eu utilizava uma antiga capinadeira, porém, com o incremento de serragem/maravalha, houve a necessidade de aprofundar o revolvimento. O material era reposto de 15 em 15 dias, o que aumentou significativamente o volume da cama. Após a instalação de ventiladores, aliado ao pé de pato, facilitou a secagem e reduziu a quantidade de cama grudada nos tetos”.

“Reviro entre 2 a 3 vezes ao dia. Na época mais chuvosa e fria, diminuo o intervalo entre a reposição da camada superficial da cama seca e não espero aumentar tanto a umidade no composto. Tenho cama a vontade, pois amigos e familiares possuem granjas nas proximidades e na região tem diversas serrarias”.

“Nossa cama é de serragem e reviramos a mesma com um pé de pato 3 vezes ao dia em uma profundidade de 30 cm. Uma a duas vezes por mês há uma pequena reposição de serragem nas passagens da cama para o corredor e deixando os ventiladores praticamente no verão o dia todo ligado”.

E você? Como vem trabalhando a cama do compost barn na sua propriedade? Compartilhe conosco!

RAQUEL MARIA CURY PEREIRA

Zootecnista pela FMVZ/Unesp de Botucatu e Coordenadora de Conteúdo dos Portais MilkPoint e MilkPoint Indústria

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FLAVIO DAMASCENO

RONDONÓPOLIS - MATO GROSSO - PESQUISA/ENSINO

EM 14/01/2019

Pelos relatos, observa se que ninguem menciona que mediu a temperatura ou a umidade da cama. Sao fatores muito importantes para o manejo da cama. Ademais, são fatores fundamentais para ter sucesso: utilizar cama nova seca, revolvimento 2x/dia, densidade animal adequada (> 10 m2/animal) e ventilacao.