Esse foi um dos principais recados de Daniel Morales, Managing Director da Arla Foods Ingredients, durante sua apresentação no Dairy Vision 2026. Em um verdadeiro alerta à cadeia produtiva, o executivo destacou que as empresas precisam acompanhar a velocidade das transformações no comportamento de consumo e, principalmente, ter coragem para construir o futuro, em vez de apenas proteger os sucessos do passado.
O que está mudando no comportamento do consumidor?
Para Morales, compreender as forças que estão transformando o mercado é essencial para identificar oportunidades e orientar a inovação no setor lácteo. Entre os movimentos que merecem atenção, estão:
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Saudabilidade e indulgência: o consumidor não quer necessariamente escolher entre saúde e prazer. O desafio das empresas é desenvolver produtos que atendam à busca por uma alimentação mais equilibrada, sem deixar de lado a experiência e o sabor.
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O avanço dos medicamentos GLP-1: a popularização de medicamentos como a semaglutida também começa a influenciar os hábitos alimentares. Com a redução do apetite e do volume de alimentos consumidos, cresce a importância de produtos que ofereçam maior densidade nutricional e contribuam para a saciedade.
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Sustentabilidade: as exigências ambientais representam desafios para a cadeia, mas também abrem espaço para diferenciação e agregação de valor. Temas como bem-estar animal, por exemplo, ganham relevância na relação entre marcas e consumidores.
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Inteligência artificial e conveniência: a tecnologia também está transformando a maneira como as pessoas descobrem, escolhem e compram alimentos. A inteligência artificial e os novos hábitos digitais devem influenciar cada vez mais a relação dos consumidores com as marcas e os produtos.
A oportunidade está nas ocasiões de consumo, não apenas nas categorias
Outro ponto destacado pelo executivo foi a necessidade de mudar a forma como a indústria enxerga a inovação. Em vez de concentrar esforços no lançamento de novas versões de produtos que já existem, as empresas precisam identificar oportunidades para criar novas ocasiões de consumo.
Afinal, não basta oferecer mais um sabor de iogurte. É preciso entender como os lácteos podem estar presentes em diferentes momentos da rotina, facilitar escolhas e atender a necessidades que ainda não estão plenamente contempladas pelo mercado.
Morales apresentou exemplos de marcas que seguiram esse caminho. Um deles é a Lurpak, da própria Arla Foods, que ampliou as possibilidades de uso da manteiga com a linha Cook's Range. Com opções como manteiga clarificada, spray e versões líquidas para cozinhar e assar, a marca buscou aproximar o produto do preparo cotidiano das refeições, incentivando novas formas de utilização.
Outro exemplo veio da Starbucks, que expandiu sua atuação no mercado de bebidas prontas para consumo (ready-to-drink). Além de opções associadas à indulgência e ao prazer, como o frappuccino, a marca passou a explorar produtos com apelos funcionais, incluindo bebidas com 20 gramas de proteína e sem adição de açúcar. Nos dois casos, a estratégia vai além da ampliação do portfólio: trata-se de encontrar novas oportunidades para fazer parte da rotina do consumidor.
O que a indústria precisa fazer para continuar crescendo?
Diante desse cenário, a mensagem de Morales para o setor lácteo é que acompanhar as transformações exige mais do que ajustes pontuais nos produtos. É preciso rever prioridades e ampliar a compreensão sobre as necessidades do mercado.
Nesse sentido, o executivo apontou três caminhos importantes: dedicar mais tempo ao entendimento das novas demandas dos consumidores, investir em inovação que vá além das melhorias incrementais e desenvolver estratégias orientadas pelas ocasiões de consumo, e não apenas pelas categorias de produtos. Afinal, em um mercado no qual os hábitos mudam cada vez mais rápido, a capacidade de antecipar movimentos e criar novas formas de atender ao consumidor pode fazer a diferença entre acompanhar as transformações e liderá-las.