O público acima de 45 anos, a chamada “geração prateada”, é cada vez mais digital, representando uma fatia crescente do consumo e do poder aquisitivo brasileiros.
Segundo o portal CartaCapital, até 2040, 57% da força de trabalho no Brasil será composta por profissionais com mais de 45 anos, trazendo uma grande motivação para se conquistar este consumidor ainda hoje. Mas, se olharmos atentamente para consumidores seniores de agora, vemos que já existe uma oportunidade incrível de mercado:
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Os consumidores + 50 anos já representam 24% do consumo das famílias brasileiras, movimentando R$ 1,8 trilhão por ano. A projeção é que esse grupo alcance 35% do consumo até 2044.
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São pessoas que valorizam mais a experiência do que o status, buscam qualidade e praticidade, e têm participação crescente no consumo digital, movimentando R$ 15 bilhões ao ano em compras online.
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Segundo dados do Kantar, o público maduro prioriza alimentos básicos como arroz, feijão, carnes magras, ovos, frutas e leite/derivados. Entre alimentos industrializados, há demanda crescente por produtos com benefícios funcionais, incluindo iogurtes probióticos, queijos magros, leites fortificados e bebidas funcionais.
O envelhecimento aumenta o interesse por laticínios funcionais, saudáveis e adequados à população madura. Após os 45 anos, cresce a busca por leite e derivados ricos em cálcio, proteínas e vitamina D, visando saúde óssea, massa muscular e prevenção de doenças crônicas.
Segundo artigo publicado em setembro/2025 no portal UOL, “A associação entre consumo de leite e derivados e saúde óssea é quase sempre imediata. Como fonte natural de cálcio, esses alimentos, de fato, desempenham papel fundamental no crescimento e fortalecimento do nosso esqueleto, especialmente durante a infância e adolescência — mas também durante a vida adulta e na maturidade”. Um dos principais benefícios é a prevenção da sarcopenia, que é a perda de massa muscular que afeta principalmente a população sênior. O artigo ainda lembra que “ o consumo regular também favorece a saúde muscular e cardiovascular. Entre os efeitos benéficos estão a redução da pressão arterial, a prevenção de doenças cardíacas, o controle da glicemia e o combate à diabetes tipo 2 e à síndrome metabólica”
Mas por que, então, a indústria láctea brasileira ainda não desenvolve produtos para este consumidor – cujo gasto com saúde aumenta significativamente após os 50 anos?
Vale lembrar que o público maduro busca cada vez mais lácteos funcionais: probióticos, iogurtes enriquecidos, queijos magros e alternativas com baixo teor de gordura ou açúcar, além de produtos zero lactose, devido à crescente prevalência de intolerância entre idosos.
Além disso, o envelhecimento populacional no Brasil impulsiona oportunidades para a indústria inovar com soluções alinhadas às necessidades deste grupo, privilegiando saudabilidade, conveniência, opções sem lactose, rótulos limpos e informações claras sobre benefícios para a saúde de longo prazo. Sim, há queda no consumo de lácteos integrais - mas em prol de versões semidesnatadas, desnatadas e fermentadas, consideradas mais leves e digestivas.
O NCOA (National Council on Aging), em artigo recente, recomenda o consumo de iogurte grego como fonte de proteína, já que apenas uma xícara contém 17 gramas de proteína, além de 20% da ingestão diária recomendada de cálcio e probióticos, que nos ajudam a manter a saúde intestinal..
Oportunidades para indústria Lactea
Falaremos mais a respeito no Dairy Vision 2025, dia 11 e 12 de novembro, mas seguem alguns #spoilers:
1. Desenvolvimento de Lácteos Funcionais e Adaptados - lácteos com benefícios como alta concentração de cálcio e proteína, versões sem lactose, reduzidas em açúcar e gordura, voltadas à saúde óssea, digestiva e muscular da terceira idade.
2. Embalagens Práticas e Acessíveis – uma das maiores dificuldades do público maduro refere-se às embalagens. Pense em design ergonômico, fáceis de abrir e manusear, porções individuais e materiais recicláveis, facilitando o uso para idosos com limitações motoras. Muito importante, também, desenvolver rótulos com informações ampliadas e, eventualmente, QR codes para se ter acesso a informações complementares.
3. Comunicação Direcionada e Experiências Sensorial – Engana-se quem pensa que este público não valoriza marketing sensorial. Ações de focadas em sabor, textura, cores e aromas atrativos, que estimulem memórias afetivas e experiências agradáveis são muito bem aceitas por consumidores +50 anos. (e por que não valorizar as histórias de vida e protagonismo na longevidade?)
4. Conteúdo Educativo e Institucional - Parcerias com profissionais de saúde para disseminar informações sobre a importância do consumo regular de lácteos, guias e campanhas educativas sobre o papel dos lácteos para longevidade ativa e saudável, usar as redes sociais e iniciativas presenciais em comunidades sêniores valem a pena!
Alguns exemplos
Ainda que nem todos foquem especificamente no público sênior (ou não os descreve em suas embalagens), vários deles contêm benefícios que este público busca, conforme descrito anteriormente:
Morinaga Milk - A Morinaga Milk Industry lançou, em agosto de 2024, uma série de alimentos funcionais em iogurte, sachês em pó, fórmula láctea e bebidas fermentadas para atender às necessidades nutricionais da população japonesa que está envelhecendo rapidamenteSS
Figura 1. Campanha da Danone nos EUA, realçando os benefícios do consumo de iogurtes para pacientes com Disfagia (dificuldade de deglutição)