Aplicação de Algas vermelhas em queijos: inovação sensorial e funcional com sustentabilidade

A inclusão de algas como a Palmaria palmata em queijos oferece benefícios nutricionais e sustentáveis, aliando inovação, sabor e saúde no setor lácteo.

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A insegurança alimentar global aumenta devido ao crescimento populacional, mudanças climáticas e desigualdades no acesso a alimentos. A população pode atingir 9,7 bilhões até 2050, desafiando os sistemas agrícolas atuais. O Objetivo 2 da Agenda 2030 visa fortalecer a resiliência alimentar. A alga dulse (Palmaria palmata) surge como uma fonte proteica sustentável e nutritiva, com potencial para ser incorporada em queijos, agregando valor nutricional e sensorial, e promovendo alimentos mais saudáveis e sustentáveis.

A insegurança alimentar é uma preocupação crescente em escala global, agravada por fatores como o aumento populacional, as alterações climáticas, a degradação ambiental e as desigualdades no acesso aos alimentos (Cavallo et al., 2021).

Estima-se que a população mundial ultrapasse os 9,7 mil milhões de pessoas até 2050, o que levanta dúvidas sobre a capacidade dos atuais sistemas agrícolas e alimentares em garantir nutrição adequada e sustentável para todos (Hamad; Tayel, 2025). Nesse contexto, o Objetivo 2 da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável destaca a importância de fortalecer a resiliência dos sistemas de produção alimentar e promover soluções adaptadas às novas exigências globais (United Nations, 2025). 

 

Novas oportunidades para a segurança alimentar

Diante desses desafios, cresce o interesse por fontes alimentares alternativas, mais eficientes e sustentáveis. As algas marinhas surgem como candidatas promissoras nesse cenário, não apenas pela sua rápida taxa de crescimento e baixa exigência de recursos, mas também pelas qualidades nutricionais que oferecem (Pereira; Cotas; Gonçalves, 2024).

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Algumas espécies apresentam perfis de aminoácidos equilibrados e alto teor proteico, podendo servir como fontes proteicas para humanos e animais (Reynolds et al., 2022). Entre elas, destaca-se a macroalga vermelha Palmaria palmata, popularmente conhecida como alga dulse, que apresenta características sensoriais, funcionais e ambientais capazes de torná-la um ingrediente estratégico para o desenvolvimento de alimentos inovadores e sustentáveis (Maubert, 2022).

 

Inclusão de algas nos queijos

Considerando essas tendências atuais de consumo, busca-se a inserção de ingredientes alternativos em alimentos tradicionais como os laticínios. Nesse contexto, a inclusão de macroalgas como a P. palmata em queijos pode representar uma proposta diferenciada e atrativa, que agrega valor nutricional ao produto.

Essa alga é fonte de proteínas de qualidade biológica, sendo também rica em:

  • fibras dietéticas;
  • vitaminas do complexo B;
  • minerais, como ferro, iodo e magnésio;
  • ácido graxo ômega-3, (Stévant et al., 2023).

Além disso, apresenta compostos bioativos com propriedades antioxidantes e antimicrobianas, que podem auxiliar na conservação do produto (Cmiková et al., 2024). No aspecto sensorial, a coloração avermelhada e o sabor suave, com notas marinhas, podem agregar valor ao queijo, despertando o interesse de consumidores em busca de novas experiências alimentares. 

Assim, a incorporação da alga dulse na produção de queijos representa uma estratégia inovadora para diversificar os produtos derivados do leite, agregando valor nutricional, funcional e sensorial. Essa abordagem está alinhada à crescente demanda do mercado por alimentos mais sustentáveis e saudáveis, enquanto estimula o uso responsável dos recursos alimentares marinhos, ainda pouco valorizados no setor de laticínios.

Além disso, ao integrar a P. palmata em um alimento amplamente consumido, como o queijo, abre-se a possibilidade de introduzir o consumo de algas em populações que ainda não estão habituadas a esse tipo de ingrediente, promovendo uma transição alimentar gradual e acessível. Dessa forma, o uso da alga dulse como ingrediente na indústria de laticínios não só qualifica o produto final, como também abre caminho para avanços na inovação e sustentabilidade no setor alimentar.

Referências bibliográficas

CAVALLO, Giuseppe et al. Seaweeds as a “palatable” challenge between innovation and sustainability: A systematic review of food safety. Sustainability (Switzerland), 8 jul. 2021.

CMIKOVÁ, Natália et al. Seaweed Nutritional Value and Bioactive Properties: Insights from Ascophyllum nodosum, Palmaria palmata, and Chondrus crispus. Life, v. 14, n. 11, p. 1522, 20 nov. 2024.

HAMAD, Ahmed; TAYEL, Aya. Food 2050 concept: Trends that shape the future of food. Journal of Future Foods, jul. 2025.

MAUBERT, Ervan. Development of innovative and sustainable products based on algae. [S.l.]: Kristianstad University Press, 2022.

PEREIRA, Leonel; COTAS, João; GONÇALVES, Ana. Seaweed Proteins: A Step towards Sustainability? Nutrients, v. 16, n. 8, p. 1123, 10 abr. 2024.

REYNOLDS, Daman et al. Seaweed proteins are nutritionally valuable components in the human diet. The American Journal of Clinical Nutrition, v. 116, n. 4, p. 855–861, out. 2022.

STÉVANT, Pierrick et al. Concise review of the red macroalga dulse, Palmaria palmata (L.). Journal of Applied Phycology, v. 35, n. 2, p. 523–550, 9 abr. 2023.

UNITED NATIONS. Sustainable Development Goals. Disponível em: <https://sdgs.un.org/>. Acesso em: 15 jul. 2025.

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Material escrito por:

Sofia dos Santos Duarte

Sofia dos Santos Duarte

Mestranda em Gestão da Qualidade e Segurança Alimentar, Instituto Politécnico de Leiria/Portugal.

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Claucia Fernanda Volken de Souza

Claucia Fernanda Volken de Souza

Professora Titular da Univates, atuando nos Programas de Pós-Graduação em Biotecnologia e Sistemas Ambientais Sustentáveis e nos cursos de Engenharia de Alimentos, Engenharia Química e Química Industrial. Doutora em Biologia Celular e Molecular.

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