Proteína alternativa pode revolucionar a indústria láctea

Entenda como a farinha de inseto pode enriquecer lácteos, reduzir custos e gerar menos impacto ambiental. Saiba os desafios técnicos e de comunicação com o consumidor.

Publicado em: - 1 minuto de leitura

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A entomofagia, definida como o consumo de insetos por humanos, é uma prática alimentar milenar amplamente disseminada em diversas culturas ao redor do mundo. Estima-se que mais de dois bilhões de pessoas, predominantemente na África, América do Sul e Ásia, incorporem insetos em sua dieta de forma tradicional, destacando-se seu papel como fonte nutricional e sustentável de proteínas.

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As proteínas dos insetos contêm todos os aminoácidos essenciais, comparando-se favoravelmente a alimentos convencionais além de peptídeos com atividade biológica, com ação anti-oxidante, anti-hipertensiva e anti-diabética. Os insetos são ainda ricos em lipídeos, com concentrações de 30% a 50%, incluindo ácidos graxos monoinsaturados, como o ácido oleico, e poli-insaturados, como o ácido linoleico. Eles também contêm fibras, variando de 2% a 8%, predominando a quitina, uma fibra insolúvel que compõe seu exoesqueleto.

Em termos de sustentabilidade, a criação de insetos requer menos recursos naturais e gera uma menor pegada de carbono em comparação à pecuária tradicional, tornando-os uma alternativa viável e ecologicamente correta para a indústria alimentícia em particular a de produtos lácteos.

Uma alternativa interessante para ser utilizado é o processamento de produtos lácteos de alto teor de proteína, com menor custo e maior potencial funcional utilizando como ingrediente a farinha de inseto. Nesse sentido, produtos lácteos desidratados como o leite em pó, leites fermentados, sorvetes e sobremesas pode tem em sua formulação farinha de insetos, tendo, contudo, a necessidade de otimização dos níveis a serem adicionados por avaliação prévia dos parâmetros de qualidade intrínsecos dos produtos. Adicionalmente suas interações com os constituintes do leite devem ser cuidadosamente estudadas em particular com suas proteínas e gorduras, além da qualidade microbiológica e aceitação sensorial dos produtos final.

Finalmente deve ser considerado a efetividade da transmissão da mensagem a ser colocada no rótulo do produto de forma a ter uma linguagem acessível e de fácil entendimento para que não cause repulsa do consumidor. Neste sentido, estudos com produtos lácteos devem ser realizados e incentivados para uma que se tenha uma solução final inovadora e sustentável.

Autores:
Isabella O.S. Cruz1, Carolina P.C. Martins2, Adriano G. Cruz1

 

1Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia, Departamento de Alimentos

2Universidade Federal Fluminense, Faculdade de Veterinária

Referências bibliográficas

KIM, H. S. et al. (2024). Organoleptic evaluation of the high-protein yoghurt containing the edible insect Oxya chinensis sinuosa (grasshopper): a preliminary study. Journal of Dairy Science and Biotechnology, 35, 266–269, 2017. 

Neves, V. et al. (2024). Insect flour as milk protein substitute in fermented dairy Products. Food Bioscience, 60, 104379.

Omuse, E. R. et al.  (2024). The global atlas of edible insects: analysis of diversity and commonality contributing to food systems and sustainability. Scientific Reports, 14, 5045

Santiago, L.A et al. (2024). Edible insect proteins: how can they be a driver for food innovation? Current Opinion in Food Science, 58, 101195.

Zhang, J. et al, (2025). A review of insect peptides: from extraction and preparation to bioactivities. Current Opinion in Food Science, 63, 101301

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Material escrito por:

Adriano Gomes da Cruz

Adriano Gomes da Cruz

Engenheiro Químico, Doutor em Tecnologia de Alimentos (UNICAMP), Professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ) - Departamento de Alimentos.

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Thiago Carrijo Benedetti
THIAGO CARRIJO BENEDETTI

FRUTAL - MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 06/07/2025

Pensei que as vacas iriam comer, não a gente kkk
Será que não entraria na dieta das vacas? Um incremento de proteína e gordura, de forma natural? Substituindo uma fração dos grãos?
Qual a sua dúvida hoje?