Os produtos lácteos são reconhecidos por seu alto valor nutricional contribuindo para uma dieta equilibrada por serem fontes importantes de proteínas de alta qualidade, cruciais para a manutenção e reparo dos tecidos corporais além do seu conteúdo rico em cálcio, essencial para a saúde óssea, e outros minerais como: magnésio, selênio e vitamina B12. O Ministério da Saúde recomenda a ingestão diária de 1.000 a 1.200 mg de cálcio a partir dos 20 anos. Contudo, alcançar essa meta torna-se difícil sem o consumo adequado de laticínios, sendo que três porções de leite e/ou derivados podem suprir cerca de 75% das necessidades diárias desse mineral. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a ingestão recomendada de leite ou derivados é de 400 mL diários para crianças de até 10 anos, 700 mL até 19 anos e 600 mL para adultos a partir dos 20 anos
Foi realizado um estudo quantitativo com 20 nutricionistas que atuam na área clínica para identificar e analisar as considerações dos profissionais envolvidos na escolha de alimentos saudáveis, a saber, nutricionistas, visando a recomendação de intervenções lácteas em suas práticas. O questionário online foi realizado pela plataforma Google Forms com informações sobre o conhecimento, utilização e percepção dos lácteos, contendo 11 questões de múltipla escolha com duração aproximada de 5 a 7 minutos. Na primeira parte, foram realizadas informações demográficas, como sexo, localização e nível de escolaridade. A segunda parte foram realizadas questões de frequência de recomendação de lácteos, numa escala de nunca, às vezes, frequentemente, geralmente e sempre. A última etapa avaliou o conhecimento dos profissionais sobre o efeito dos lácteos para a saúde e razões para recomendar aos pacientes.
Observou-se que:
- 47% das nutricionistas sempre recomendam o consumo de lácteos,
- 19% o fazem com frequência
- 23,8% geralmente
- 9,5% às vezes
- Nenhuma profissional relatou nunca recomendar.
Esses dados evidenciam que, apesar do crescimento do mercado de alternativas vegetais, os lácteos ainda são fortemente prescritos como parte da dieta.
Quando questionadas sobre os tipos de lácteos recomendados, verificou-se uma distribuição equilibrada: 47,6% citaram iogurte, 47,6% queijo e 28,5% leite, sendo que 47,6% afirmaram recomendar uma combinação de diferentes lácteos. Isso sugere uma diversificação na prescrição, possivelmente associada às características nutricionais específicas de cada produto.
Em relação à recomendação de lácteos na osteoporose,
- 52% das nutricionistas sempre indicam esses alimentos,
- 14% recomendam frequentemente
- 19% geralmente
- 14% às vezes
Para casos de deficiência de vitaminas:
- 38% relataram recomendar sempre,
- 9,5% recomendam frequentemente
- 28,5% geralmente
- 19% às vezes.
Nenhuma nutricionista indicou que nunca prescreve lácteos em tais situações. Isso reforça a importância reconhecida dos lácteos como fontes de cálcio, proteínas de alta qualidade e vitaminas do complexo B.
Sobre a percepção de segurança na prescrição de lácteos, 33% concordaram totalmente com a afirmação de que se sentem seguras, 43% concordaram, 19% concordaram levemente e apenas 4,7% permaneceram neutras. Não houve respostas de discordância total, e somente 9,5% relataram discordar levemente. Essa percepção de segurança mostra confiança na literatura científica e nas diretrizes nutricionais atuais que apoiam o consumo de lácteos.
Os resultados apontam que os lácteos continuam desempenhando um papel fundamental na prática clínica dos nutricionistas, especialmente em situações que envolvem saúde óssea e deficiências nutricionais. Contudo, a crescente substituição desses alimentos por alternativas vegetais sugere a necessidade de aprofundar estratégias de comunicação científica, de modo a esclarecer consumidores sobre benefícios reais e desfazer mitos relacionados ao teor de gordura, alergias alimentares e impactos ambientais. Além disso, compreender as escolhas dos nutricionistas é essencial para direcionar o desenvolvimento de novos produtos lácteos e derivados tecnológicos que atendam às demandas do mercado e conciliem saúde, sustentabilidade e aceitação do consumidor.
Referências bibliográficas
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