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Caprinos da raça Azul: resistência e produtividade em climas quentes

POR BONIFÁCIO BENICIO DE SOUZA

PRODUÇÃO

EM 19/01/2012

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Introdução

A diversidade de raças e de tipos caprinos no Brasil é muito grande. Segundo Machado (2000) citado por Santos et al. (2009) só os caprinos naturalizados do Nordeste brasileiro são compostos por 26 tipos raciais, sendo os principais: Moxotó, Canindé, Graúna, Azul, Repartida, Toá e Nambi. Cabe destacar que até o presente apenas as duas primeiras são homologadas como raças. Neste artigo o enfoque é para o tipo Azul (Figura 1).

Figura 1 - Caprinos do tipo racial Azul.


Fonte: SANTOS et al. (2007) http://www.cnpc.embrapa.br/admin/pdf/03034000121535.cot85.pdf

O genótipo Azul tem sua origem no Oeste africano, pertencente ao grupo "Wad", que significa "West African Dwarf", ou "cabras pequenas do Oeste africano" (SILVA et al., 2009). Encontra-se na maioria dos estados do Nordeste: Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará e Piauí. Os animais apresentam pelagem azulada ou cinza-azulada, podendo apresentar extremidades bastante escuras. São caprinos de pequeno porte, medindo em torno de 60 cm, com peso médio adulto de 43 kg (SILVA, 2009). São animais robustos que apresentam dupla aptidão: leite e pele (FILHO, 2006), mas pode ser selecionado para produção de carne.

Segundo Silva et al. (2011) os genótipos Azul, Graúna e Moxotó apresentam características de carcaça semelhantes, quando criados em confinamento.

Rocha et al. (2009) estudaram a adaptabilidade da raça Saanen e a do tipo Nativo Azul, nas condições ambientais da região Meio-Norte. Os autores concluíram que os caprinos do grupo racial Azul são mais adaptados do que os da raça Saanen, em razão de apresentarem maior capacidade para manter a temperatura retal com menor frequência respiratória (Gráfico 1).

Gráfico 1 - Temperatura retal e frequência respiratória de caprinos da raça Saanen e do grupo genético Azul, no período seco, na região Meio-Norte.


Fonte: Santos et al. (2007) : http://www.cnpc.embrapa.br/admin/pdf/03034000121535.cot85.pdf

De acordo com o gráfico, percebe-se que a homeotermia foi mantida sem diferença estatística, entretanto a raça Saanen apresentou uma frequência de 97 mom/min, considerada muito elevada para caprinos, o que indica que o gasto de energia foi provavelmente maior do que no grupo racial Azul, que necessitou apenas de elevar sua frequência respiratória para 49 mov/min.

Uma das características favoráveis aos animais para enfrentar os ambientes quentes é a cor da pelagem, pois é sabido que as cores claras refletem mais do que as escuras. Neste caso, a raça Saanen deveria ter apresentado vantagem em relação à Azul, entendendo-se que a pelagem da Saanen é branca, porém ocorreu o contrário. Isso se deve a vários fatores responsáveis pela maior tolerância ao estresse calórico, o que demonstra que os animais do grupo racial Azul, por ter sido formado nas condições ambientais do semiárido e por possuir pelagem clara, apresenta características superiores aos animais da raça Saanen para enfrentar a adversidade climática.

Segundo SANTOS et al. (2007) o isolamento geográfico fez com que esses caprinos se adaptassem ao semiárido, suportando altas temperaturas e escassez de alimento, apresentando maior resistência às doenças e às parasitoses e mantendo a fertilidade, a prolificidade e uma boa condição corporal, mesmo nos períodos mais secos. Devido à variabilidade genética e à seleção natural, os mais resistentes/adaptados sobreviveram e se perpetuaram, sendo assim a seleção natural é a grande responsável pela formação do grupo racial Azul, no Brasil.

Leite et al. (2009), em estudos relativos ao conforto térmico de caprinos nativos (Azul, Moxotó e Graúna) em confinamento no semiárido, verificaram que o grupo genético Azul apresentou as temperaturas retal e superficial semelhantes aos demais e um menor esforço do aparelho termorregulador (menor frequência respiratória) em relação à raça Moxotó (Gráfico 2).

Gráfico 2 - Médias dos parâmetros fisiológicos temperatura retal (TR), temperatura superficial (TS) e frequência respiratória (FR) de caprinos dos grupos genéticos, Azul, Moxotó e Graúna, no semiárido.



De acordo com vários autores, (SANTOS, et al., 2005; SILVA, et al., 2006; SOUZA et al.,2011) a raça Moxotó apresenta elevado grau de adaptação ao semiárido. Assim sendo, pode-se afirmar que o grupo genético Azul, por conseguir manter a homeotermia com menor gasto energético do que a Moxotó, cientificamente apresenta elevada capacidade para resistir aos rigores do clima semiárido e para enfrentar os efeitos do aquecimento global e das mudanças climáticas.

Considerações finais

Os caprinos do grupo genético Azul são animais altamente adaptados às condições do semiárido do Brasil. Ademais, apresentam potencial para a produção de leite, de carne e de pele. Dessa forma, devem ser preservados, difundidos e homologados como raça o mais rápido possível, pois trata-se de um patrimônio genético valioso para auxiliar a alcançar os objetivos das políticas de Segurança Alimentar e Nutricional no Brasil, principalmente no semiárido.

Referências Bibliográficas

FILHO, N. Tudo sobre Caprinos e Ovinos, 2006. Disponivel em: . Acesso em: 12 janeiro 2012.

LEITE, J. R. S.; SILVA, A. S.; SOARES, E. A.; FURTADO, D. A.; LEAL, A. F. Avaliação do conforto térmico de caprinos nativos em confinamento. In: SINPÓSIO DE CONSTRUÇÕES RURAIS E AMBIÊNCIA, 2009. Anais... Campina Grande, UFCG, 2009, CD- ROM.

ROCHA, R. R. C. et al. Adaptabilidade climática de caprinos Saanen e Azul no Meio-Norte do Brasil. Arq. Bras. Med. Vet. Zootec., v. 61, p. 1165-1172, 2009.
SANTOS, D. O. et al. BGCON - Banco de Germoplasma de Caprinos e Ovinos Naturalizados: uma Alternativa para Inventariar a Infra-estrutura dos Recursos Genéticos Existentes. Comunicado Técnico, Sobral, v. 85, n. 1, 8 p, novembro 2007. Disponível em (http://www.cnpc.embrapa.br/admin/pdf/03034000121535.cot85.pdf). Acesso em 13 de janeiro 2012.

SANTOS, F.C.B.; SOUZA, B.B.; ALFARO, C.E.P.; CEZAR, M.F.; PIMENTA FILHO, E.C.; ACOSTA, A.A.A.; SANTOS, J.R.S. Adaptabilidade de caprinos exóticos e naturalizados ao clima semiárido do Nordeste brasileiro. Ciência e Agrotecnologia, v.29, n.1, p.142-149, 2005. (http://www.cstr.ufcg.edu.br/bioclimatologia/artigos_cientificos/avaliacao_adaptabilidade_
caprinos_exoticos.pdf). Acesso em 19 de novembro de 2011.

SILVA, E.M.N.; SOUZA, B.B.; SILVA, G.A. et al. Avaliação da adaptabilidade entre caprinos exóticos (Boer, Savana e Anglo-Nubiana) e nativos (Moxotó) no semiárido paraibano. Ciência e Agrotecnologia, v.30, n.3, p.516-521, 2006. Disponível em: (http://www.cstr.ufcg.edu.br/bioclimatologia/artigos_cientificos/avaliacao_adaptabilidade_
caprinos_exoticos.pdf). Acesso em 19 de novembro de 2011.

SOUZA, B.B. et al. Índice de tolerância ao calor de caprinos no semiárido, 2011. Disponível em: (http://www.farmpoint.com.br/radares-tecnicos/bemestar-e-comportamento-animal/indice-de-tolerancia-ao-calor-de-caprinos-no-semiarido-68871n.aspx). Acesso em 19 de novembro de 2011.

SILVA, A. S. D. Desempenho, comportamento ingestivo e características de carcaça de caprinos nativos em confinamento no semiárido brasileiro, 2009. Disponível em: . Acesso em: 13 janeiro 2012.

BONIFÁCIO BENICIO DE SOUZA

Professor Associado - UAMV/CSTR/UFCG, Bolsista de Produtividade do CNPq

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