Caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, o fenômeno começou a dar sinais mais claros de consolidação ao longo do último mês. Os termômetros oceânicos registraram desvios de temperatura que passam de 2°C acima da média em algumas regiões monitoradas, um indicador clássico de que o motor climático do planeta está operando sob novas condições.
Essa mudança não se restringe apenas à superfície da água, envolvendo uma reação em cadeia entre o oceano e a atmosfera. Os ventos que normalmente sopram de leste para oeste na região equatorial enfraqueceram, permitindo que bolsões de água quente se concentrassem nas porções central e oriental do Pacífico.
Além disso, os padrões de chuva e nebulosidade já começaram a se alterar. Esse acoplamento entre o calor do mar e o comportamento dos ventos sinaliza aos meteorologistas que o El Niño em 2026 já é uma realidade que moldará as próximas estações.
Os modelos climáticos computacionais mais avançados apontam para um cenário que exige atenção global. A expectativa é que o fenômeno ganhe ainda mais força durante o verão brasileiro, no período entre o final de 2026 e o início de 2027. De acordo com as projeções estatísticas dos principais centros de pesquisa, existe uma probabilidade de 63% de que este El Niño se configure como um evento de intensidade "muito forte". Se essa previsão se confirmar, o fenômeno deste ano poderá se posicionar entre os maiores registros históricos desde que o monitoramento sistemático começou, em 1950, rivalizando com episódios marcantes do passado.
Embora a intensidade de um El Niño não seja uma garantia absoluta de desastres idênticos em todas as partes do mundo, a força do fenômeno funciona como um modulador de probabilidades. Eventos mais robustos tendem a desequilibrar o clima de forma mais previsível e severa, aumentando as chances de secas prolongadas em algumas regiões e volumes históricos de chuva em outras.
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