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Aborto em ovelhas - Parte I: principais causas

POR DÉBORAH ASSIS BARBOSA

PRODUÇÃO

EM 27/07/2007

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O problema

O sucesso de uma estação de monta bem realizada, com o emprego de tecnologias de produção como a monta controlada, a monta dirigida, o flushing e o efeito macho, pode ir por água abaixo caso o produtor se esqueça que não basta a fêmea estar prenhe e esquecer-se dos cuidados durante a gestação.

O abortamento é a perda do feto em qualquer fase da gestação, porém é mais comum nos últimos 2 meses. Muitos fatores podem levar à interrupção de uma gestação saudável, e uma taxa de aborto entre 1,5 a 2% é considerada excelente, e até 5% é uma taxa comum. Entretanto o produtor deve ficar atento, já que quando um agente infeccioso é introduzido em um rebanho suscetível, os abortos ocorrem em surtos, acometendo até 20-30% das ovelhas prenhes.

A ocorrência de um aborto é apenas a ponta do iceberg, visto que é apenas parte de uma série de problemas reprodutivos causados por agentes infecciosos ou por doenças metabólicas que levam à infertilidade, reabsorção embrionária e cordeiros fracos - esses sim grandes problemas que somados podem levar a atividade ao naufrágio.

Na primeira parte do artigo identificaremos as causas e sintomas dos principais agentes causadores de abortamento, e na segunda parte abordaremos o tratamento e controle de abortamento em ovelhas.

As causas

Dentre os fatores não infecciosos temos como causadores de abortos as pancadas, brigas entre animais, doenças metabólicas, desnutrição e ingestão de plantas tóxicas. Porém na maioria das vezes esses fatores ocasionam abortos esporádicos, e não levam a surtos.

Já agentes infecciosos, esses sim levam a surtos, e entre os vários que levam ao aborto, os principais são Toxoplasma gondii (Toxoplasmose), Chlamydia psittach (Aborto Enzoótico) e Campylobacter fetus (Vibriose), sendo que em cada região um deles representa o principal agente de aborto, como por exemplo a Toxoplasmose no norte dos Estados Unidos, a Vibriose na região oeste do mesmo país e o Aborto Enzoótico na Inglaterra. Entre as causas menos comuns de aborto estão a leptospirose e a Brucella ovis.

Aborto enzoótico - Chlamydia psittach

O aborto enzoótico também ocasiona a perda do feto no último mês de gestação, embora pode se manifestar tão cedo quanto aos 100 dias de prenhez. É uma doença contagiosa, subaguda , caracterizada por febre , aborto e pelo nascimento de cordeiros fracos.
A doença, além de aborto, pode também causar pneumonia, ceratoconjuntivite, poliartrite, epididimite e diarréia.

A transmissão ocorre durante o período de parição ou abortos. Ovelhas infectadas eliminam no meio ambiente grande quantidade de Chlamydia viáveis junto com a placenta, fetos e líquidos fetais. Os microorganismos contaminam o alimento e a água, infectando ovelhas sadias através do tubo digestivo ou pelas vias respiratórias.

O acúmulo de ovelhas em galpões de parição favorece a transmissão. A infecção de ovelhas entre 30 e 120 dias de gestação leva a placentite, alterações fetais e nascimento de cordeiros fracos. O contágio em ovelhas no último mês de gestação não leva ao aborto e a infecção desse grupo de animais, assim como de borregas ou cordeiras pode resultar em infecção latente que resultará em aborto na próxima gestação. Estudos têm mostrado que um grupo reduzido de ovelhas pode albergar a bactéria no intestino delgado, e dessa forma, excretá-lo pelas fezes, tornando-se fonte de infecção para outros ovinos. Carneiros podem também adquirir infecção intestinal, mas embora o organismo possa atingir os órgãos genitais e infectar o sêmen, não há evidência que o macho tenha importância na transmissão da doença.

O aparecimento da doença pela primeira vez em um rebanho leva a ocorrência de 25 a 60% de abortos, sendo que nos anos subseqüentes a taxa tende a ser menor, entre 1 5%, isso porque as ovelhas que abortam tornam-se resistentes à doença.

A única forma segura para não introduzir a doença no rebanho é a compra de borregas de rebanhos livres da infecção ou que tenham sido monitorados através de exame sorológico. Em outros países tem sido usadas vacinas inativadas com bons resultados.

Toxoplasmose - Toxoplasma gondii

A toxoplasmose é causada por um protozoário que causa abortamento, mumificação fetal, natimortos e nascimento de cordeiros fracos. Os gatos têm importância fundamental na transmissão da toxoplasmose, visto que as gatas, após se infectarem ao ingerir pássaros ou roedores infectados, transmitem a infecção aos seus filhotes, que excretam oocistos de T. Gondii através das fezes. As ovelhas se infectam através do consumo de alimentos e água contaminados com oócitos excretados pelos gatos infectados. A menos que sejam imunodeprimidos, os gatos manifestam doença aparente apenas quando filhotes.

Ovelhas infectadas antes do acasalamento em geral não abortam. Fêmeas infectadas 30 a 90 dias após o acasalamento normalmente apresentam morte fetal com reabsorção ou mumificação. A maior parte dos abortamentos ocorre quando a infecção se instala na metade final da gestação. A prevalência de abortamento no rebanho é baixa, mas pode variar de 3 a 50%.

Leptospirose

Comparado com outras espécies domésticas, os pequenos ruminantes são menos suscetíveis à leptospirose. Os sintomas da doença incluem anorexia (falta de apetite), febre, icterícia intensa, sangue na urina (urina com coloração marrom), sinais nervosos e ocasionalmente morte.

Vários sorotipos de Leptospira interrogans são considerados como causadores de abortamento, porém os mais comuns em ovinos incluem hardjo, bratislava, pomona e icterohaemorrhagica. O aborto ocorre no terço final da gestação.

Vibriose - Campylobacter

Ovelhas com Vibriose abortam durante as últimas 6 a 8 semanas de gestação, ou dão à luz cordeiros fracos ou natimortos. Após o primeiro aborto a ovelha adquire imunidade à doença, que é transmitida após a ingestão dos microorganismos pela fêmea através do contato com feto, placenta ou secreções vaginais infectadas. A bactéria também pode ser disseminada pelo intestino (através das fezes) de ovelhas portadoras que permanecem persistentemente infectadas e ocasionalmente por cães que comeram feto abortado. Embora possa ocorrer abortamento em 70 a 90% das fêmeas do rebanho, geralmente levam a taxas inferiores a 20% em rebanhos infectados enzooticamente.

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EZEQUIEL BATISTA CLEMENTINO

EM 18/03/2019

Estou com 17 matrizes, a última vez que pariram foi em Maio de 2018. Pelas minhas contas, nesta época já era para estar parindo novamente, porém, nenhuma está nem fazendo ubre, alguém pode informar o que pode ser?
RENNES PAES DE CARVALHO

SENTO SÉ - BAHIA - OVINOS/CAPRINOS

EM 23/07/2018

Rilson , aqui na minha região ficou confirmado que são primeiras ramas que nascem com as primeiras chuvas em especial a jurema Preta, que é a primeira que flora
EZEQUIEL BATISTA CLEMENTINO

EM 18/03/2019

A jurema preta causa aborto?
CLAUDIO BORGES DOS SANTOS

EM 22/06/2018

Bom dia dra , crio a raça sta Inês e tenho tido uma taxa de aborto muito alta, praticamente 1oo% das marrãs e de 7o a 90 % das ovelhas.
Adquiri um lote de animais que vieram de uma propriedade distante, uns 15 quilômetros, as que vieram prenhas tiveram parto normal exceto as que demoraram mais de dois meses pra parir.
Agora transferi a outra propriedade 10 fêmeas e já teve um aborto a um mês, dois borregos com aleijo na boca mas vivos e estão vivos, aparentemente saudáveis e uma outra matriz teve uma borrega saudável e um morto e sem a parte inferior da boca .
Pelo que eu entendi posso ter um transmissor de vibriose como ter certeza e qual o tratamento?
Grato desde já.
JOSIAS DE ALMEIDA STROPA

EM 20/06/2018

Bom dia as minhas ovelhas são o total de 30 ja aborto 2 durante 3 mês o que pode ser?
VALDETE VAZ DE CHAVES

EM 28/05/2018

Sou criadora de ovelhas e não entendo muito e uma ovelha pariu um borrego morto e não se limpou o que fazer?
RENNES PAES DE CARVALHO

SENTO SÉ - BAHIA - OVINOS/CAPRINOS

EM 25/05/2018

Minhas ovelhas estão parindo borregos com defeito na boca, a parte inferior é bem menor que a superior e morrem 1 a 2 dias depois do nascimento por não poder se alimentar, isso ta acontecendo frequentemente, o que pode ser?
EDI LAGO DA SILVA

EM 28/05/2018

Bom dia Rennes!!Pois aqui também tenho observado o mesmo...os cordeiros nascem e morrem por não se alimentar...qual será a causa??
JAIRO ROBERTO GLIENKE

TRÊS DE MAIO - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE OVINOS DE CORTE

EM 18/07/2018

Pode ser genético o problema se o pai e mãe são parentes, ai o problema de consanguinidade!!!
EM RESPOSTA A JAIRO ROBERTO GLIENKE
RENNES PAES DE CARVALHO

SENTO SÉ - BAHIA - OVINOS/CAPRINOS

EM 23/07/2018

Infelizmente não é genético, se fosse já teria trocado o reprodutor
CLAUDEMIR ALVES MACHADO

EM 17/05/2018

Sobre abortos....estou dando bagasso maçã a minhas ovelhas....e apareceu três abortos alguém sabe do assunto se.pode ser o bagasso o causador dos abortos....
RILSON JOSE DE OLIVEIRA MOURA

SÃO FÉLIX DO PIAUÍ - PIAUÍ - OVINOS/CAPRINOS

EM 10/01/2018

crio ovelhas no piaui e ceca de 20% dos borregos nascem mortos ou com deformações na boca e nariz, o que pode está ocorrendo?
LUIZ

ÁGUA FRIA - BAHIA - OVINOS/CAPRINOS

EM 20/09/2017

Oi, no domingo mediquei umas ovelhas prenhes com Pencivet Plus e hoje, na quarta feira, ocorreram dois abortos. A causa foi a medicação?

Obrigado
JOSE ARNALDO VIANA

PALMEIRA DOS INDIOS - ALAGOAS - VAREJO

EM 25/06/2017

Muito importante a matéria. Sou criador de ovelhas à 8 anos e gostaria que a Dra Déborah a seguinte pergunta. A ração de crescimento que em contem MONENSINA, pode causar aborto em marrãns  prenhas
WILSON CHAMORRO DE MORAIS

CAMPO GRANDE - MATO GROSSO DO SUL

EM 01/05/2016

Sou iniciante na criação de ovelha, mas não estou tendo sorte, perdi uma ovelha no parto, o reprodutor de qualidade logo após a ovelha morrer no parto, está semana uma ovelha abortou um borrego já morto estive conversando com um veterinário ele me disse que poderia ser alguma erva daninha, mas o capim de pastagem é a base de grama forquilha e ração 16 por cento de proteína. gostei muito deste artigo, ele é esclarecedor e simples.
JOSÉ CARLOS GERALDO DE LIMA JÚNIOR

PENEDO - ALAGOAS

EM 02/04/2014

estou com uma ovelha santa ines prenha ,mas já completou 5 meses e 15 dias o q fazer?

DÉBORAH ASSIS BARBOSA

SÃO PAULO - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 24/03/2014

Prezado Julio Cesar, o ideal é fazer a necropsia de alguns desses natimortos para fechar o diagnóstico. Dê uma olhada se a causa não é por fatores não infecciosos também. Caso seja infeccioso, muitas doenças podem levar a esse quadro, e provavelmente além da necropsia terá que enviar material para algum laboratório para conseguir fechar o diagnóstico. Entre em contato com alguma faculdade de veterinária da região, pois provavelmente eles conseguirão te ajudar com os exames laboratoriais.

Um abraço

JULIO CESAR OLIVEIRA CHAVES

CANTO DO BURITI - PIAUÍ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 21/03/2014

Sou Extensionista Rural, médico Veterinário. Parabenizo as matérias abordadas neste site. Fico contente em participar pela primeira vez deste site. Estou com problema na propriedade: tenho uma propriedade com um rebanho mestiço de Santa Inês, onde o índice de natimorto está acontecendo em torno de 5% do rebanho. Os animais natimortos não apresentam lesões externas , tais como anormalidades osséas, ou seja, quase normais. Porém, não foi necropsiado nemhum animal. Qual a possível causa ou causas provavéis?
ITAMAR ANDREATTA

PENÁPOLIS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE

EM 15/03/2013

Parabens Dra, ótima matéria.
JUBILIANA TINOTIO

SIDROLÂNDIA - MATO GROSSO DO SUL - PESQUISA/ENSINO

EM 14/06/2011

Oi... eu sou a Ana, tenho una pequena criacão de ovelhas e elas  estão apresentando um quadro preocupavel  somente no ultimo mês perdi quatro das minhas melhores fêmeas; uma durante a gestação e as outras durante o parto  elas não apresentaram delatação na hora do parto tiveram febre; mas porem apresentavam boa saude  todas morreram inclisive os fetos, que nem vieram a nascer.
FERNANDA FERNANDES

ITUVERAVA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 30/03/2009

Ola Dra Déborah
Gostaria de saber o que causa uma coceira brava que chega a ferir o animal quando ele se coçar, o cordeiro chega aficar na carne viva, principalmente na região da cabeça, as vezes nas regioes lombares.

Eu ja apliiquei antitoxicos, ja dei antibiotico e nada adiantou, eles continua se coçando e se ferindo e não é sarna.
Um grande abraço
DÉBORAH ASSIS BARBOSA

SÃO PAULO - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 05/02/2009

Prezado Aurélio Buriti,

É possível sim que o sangramento vaginal tenha indicado algum problema na gestação, o ideal seria acompanhar com o ultrassom a presença ou não do feto.

Como aparentemente o animal passou por um estresse de transporte, mudança de propriedade e de manejo no início da gestação, pode realmente ter havido um aborto!

Observe também se a fêmea não está apresentando ocasionalmente prolapso de vagina, que aparece com alguma frequencia na raça, e que também pode levar a um sangramento vaginal, sem necessariamente ser um aborto!

Boa sorte na criação!
DÉBORAH ASSIS BARBOSA

SÃO PAULO - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 05/02/2009

Prezado Geraldo Barbosa Junior,

Geralmente é a deficiência de alguns minerais e vitaminas, como iodo, cobre, magnésio, manganês, vitamina A e selênio que pode causar abortamento ou nascimento de animais fracos.

Não é comum também o consumo exagerado de sal, desde que o rebanho esteja corretamente suplementado e o sal devidamente balanceado e com boas fontes de minerais. Daí a importância de adquirirmos produtos de empresas idôneas!

Um grande abraço,

Déborah
AURÉLIO BURITI

SANTA CRUZ - RIO GRANDE DO NORTE - PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 04/02/2009

Ola Dra Débora,

Estou iniciando uma criação Dorper e umas das matrizes que adquiri apareceu com um sangramento vaginal, mas não expulsou nenhum feto. O criador me falou que ela esta com 8 semanas de preenhez.
Ela esta com estado nutricional excelente, se alimenta bem e não tem sinal de infecção. Na sua baia tem mais dois animais. Será que esta animail esta em processo de aborto ou este tipo de sangramento pode acontecer?