Produtores de leite dos EUA que buscam maximizar a eficiência da sala de ordenha em breve terão uma nova ferramenta genética à sua disposição. O Council on Dairy Cattle Breeding (CDCB) está prestes a lançar, na prova de agosto de 2025, uma avaliação genética de velocidade de ordenha aguardada há muito tempo, marcando um grande marco no desenvolvimento de características de desempenho.
A velocidade de ordenha, definida como litros de leite por minuto, tornou-se um tema de interesse crescente nos EUA, especialmente em salas de ordenha de alta capacidade e sistemas robotizados no Oeste e Sudoeste do país. Mas até agora, faltava uma avaliação genética confiável e padronizada adaptada à população leiteira dos EUA.
“Velocidade de ordenha é um tema empolgante sobre o qual ouvimos cada vez mais”, diz Asha Miles, diretora do Dairy Records Management Systems e presidente da Força-Tarefa de Avaliação de Velocidade de Ordenha do CDCB. “Estamos ouvindo cada vez mais sobre métricas de eficiência das fazendas e das salas de ordenha em termos de leite por unidade ou segundos por ordenha. Essa avaliação oferece uma ferramenta poderosa para lidar com isso.”
Avaliação genética com foco em eficiência real
“Os Estados Unidos têm rebanhos muito maiores, em média, do que a maioria dos países europeus”, explica Miles. “Portanto, um sistema que exige que um técnico classifique individualmente as vacas quanto à velocidade de ordenha seria muito trabalhoso. Além disso, isso introduz viés humano, já que classificadores diferentes podem avaliar a mesma vaca de formas diferentes, o que afeta a confiabilidade.”
Por isso, a equipe optou por uma abordagem baseada em sensores e rica em dados, capaz de capturar métricas consistentes e escaláveis entre fazendas, eliminando a subjetividade humana.
Coleta massiva de dados
De acordo com Miles, a pesquisa por trás do MSPD (Milking Speed, ou Velocidade de Ordenha) começou em 2021, quando o CDCB criou uma força-tarefa dedicada para avaliar a viabilidade de uma avaliação genética dessa característica. O trabalho inicial revelou uma grande oportunidade, mas também desafios significativos.
O banco de dados foi formado por cerca de 300 fazendas nos EUA que concordaram em compartilhar seus dados de ordenha para fins de pesquisa. Em parceria com o Dairy Records Management Systems (DRMS) e com apoio do Laboratório de Genômica Animal e Melhoramento do USDA, os pesquisadores conseguiram coletar mais de 50 milhões de registros individuais de ordenha, cada um contendo peso do leite e duração da ordenha para cada ordenha, ao longo de lactações completas.
“Na época, era quase incompreensível”, diz Miles. “Foi a primeira vez que tentamos algo desse porte.”
Trabalhar com big data foi como "beber de uma mangueira de incêndio", como diz Miles. O maior desafio foi filtrar o ruído.
“Sistemas baseados em sensores são projetados para gestão do rebanho, não para pesquisa genética”, explica. “Por isso, tivemos que aplicar protocolos de filtragem rigorosos para eliminar registros imprecisos ou incompletos e identificar o que realmente era útil.”
Fatores como frequência de ordenha (2x, 3x, 4x), paridade, raça, fabricante do medidor e tipo de sala de ordenha tiveram que ser considerados. Fabricantes diferentes usam algoritmos próprios para determinar o início do fluxo de leite, o que introduz variabilidade que precisou ser controlada estatisticamente.
“Apesar de todo esse ruído, a característica final mostrou confiabilidade extremamente alta”, diz Miles. “Ficamos agradavelmente surpresos com a força da herdabilidade.”
Alta herdabilidade
A herdabilidade do MSPD foi calculada em 42%, a mais alta entre as 50 características atualmente avaliadas pelo CDCB. Para comparação, os traços de produção de leite, gordura e proteína normalmente ficam na faixa de 20%.
“Isso nos diz que é uma característica altamente genética”, diz Miles. “Mesmo com todas as variáveis, nossos modelos conseguem identificar com precisão o sinal genético. Isso significa que os produtores podem fazer avanços rápidos e mensuráveis se selecionarem por essa característica.”
A característica também é expressa de maneira prática e fácil de entender. Vacas Holandesas atualmente produzem, em média, cerca de 3,18 kg de leite por minuto, e os testes preliminares mostraram PTAs (habilidades de transmissão previstas) de touros variando de aproximadamente 2,81 kg/min a 3,67 kg/min. Valores mais altos significam descendentes que ordenham mais rápido.
O que torna o MSPD diferente de outras características
Atualmente, o MSPD está disponível apenas para Holandesas e inclui apenas dados de salas de ordenha convencionais. Embora o banco de dados incluísse 70 rebanhos robotizados, os dados de sistemas automáticos de ordenha (AMS) ainda não foram incluídos, devido à sua complexidade.
“A frequência e o intervalo de ordenha são muito consistentes em salas convencionais, mas em sistemas robotizados, tudo muda”, diz Miles. “Uma vaca pode ordenhar quatro vezes em um dia e apenas duas no seguinte, em horários variados. Isso dificulta muito a modelagem.”
Contudo, Miles observa que os dados de AMS são uma prioridade para futuras pesquisas. Curiosamente, as primeiras comparações mostraram que os rebanhos robotizados tinham velocidades de ordenha médias mais rápidas do que os convencionais, provavelmente porque os produtores já selecionavam vacas que ordenham mais rápido, mesmo sem avaliação genética.
“Foi empolgante ver isso”, diz Miles. “Sugere que os produtores já reconhecem o valor da velocidade de ordenha e estão agindo, mesmo sem uma ferramenta genética formal.”
O MSPD também difere bastante das características existentes, como o MSP usado nas raças Pardo-Suíça e Milking Shorthorn, que dependem de relatos subjetivos dos produtores durante a classificação.
“É muito importante entender como cada PTA é definido e expresso”, enfatiza Miles. “Se você estiver usando a avaliação do Canadá, estará selecionando por algo completamente diferente: filhas de primeira lactação avaliadas nos primeiros seis meses. Já o MSPD é baseado em dados completos de lactações de Holandesas dos EUA, coletados por sensores em linha.”
O que vem a seguir para o MSPD?
O lançamento do MSPD para Holandesas é só o começo. À medida que mais dados forem disponibilizados, o CDCB planeja expandir a característica para outras raças, começando pelas Jersey, que usam a mesma estrutura de avaliação, mas ainda não possuem banco de dados suficiente.
Na frente da pesquisa, modelos de avaliação para AMS também estão sendo desenvolvidos. E com a herdabilidade tão alta, Miles acredita que os produtores verão resultados rapidamente.
“Perguntamos aos produtores na World Dairy Expo há alguns anos o que eles queriam em relação à velocidade de ordenha: vacas mais rápidas ou mais uniformidade. E as respostas foram divididas”, diz ela. “Isso nos mostrou que o interesse é amplo, e com uma ferramenta genética como essa, as possibilidades são imensas.”
Uma nova ferramenta para eficiência na sala de ordenha
Segundo Miles, o MSPD representa uma mudança na forma como a indústria leiteira dos EUA pode pensar em eficiência – não apenas em nutrição, reprodução ou produção, mas em como as vacas realmente se comportam na sala de ordenha.
“Essa avaliação foi construída a partir de vacas dos EUA, usando dados dos EUA e pensada para os sistemas dos EUA”, acrescenta Miles. “É a ferramenta mais relevante e útil que os produtores já tiveram para seleção baseada na velocidade de ordenha.”
Com uma expressão prática e fácil de interpretar, alta herdabilidade e aplicação real no campo, o MSPD está prestes a se tornar parte fundamental do planejamento genético para fazendas leiteiras progressistas.
As informações são do Dairy Herd Management, traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint