Produtividade salta com manejo intensificado e inovação tecnológica

Com técnicas modernas de manejo e alimentação, uma família de Júlio de Castilhos (RS) transformou a propriedade e alcançou crescimento de 117% na lucratividade, mostrando que eficiência e rentabilidade andam juntas no leite a pasto.

Publicado em: - 3 minutos de leitura

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A lucratividade da atividade leiteira da família de Renato de Lima Machado, em Júlio de Castilhos (RS), dobrou em um ano, alcançando 117% de crescimento. O aumento se deve à adoção de técnicas avançadas de manejo de pastagens e alimentação do rebanho, como forrageiras produtivas e pastoreio rotacionado. A renda por hectare equivalente subiu de 37 para 79 sacas de soja. Além do lucro, a família melhorou sua qualidade de vida com rotinas de trabalho mais simples e horários de ordenha ajustados.

A família do agricultor Renato de Lima Machado, no município de Júlio de Castilhos (RS), vive um momento de virada: em apenas um ano, a lucratividade da atividade leiteira mais que dobrou, com crescimento de 117 %, resultado direto da adoção de técnicas avançadas de manejo de pastagens e alimentação do rebanho.

Os números foram divulgados durante o Dia de Campo “Pecuária Leiteira Lucrativa”, realizado na propriedade no Assentamento Santa Júlia, com a presença de mais de 70 participantes, entre produtores rurais e estudantes.
 

Tecnologia que traz resultados reais

A propriedade conta com 19 hectares, dos quais 15 são dedicados à pecuária leiteira. A “virada de chave” veio com a aplicação de conhecimento científico em sistemas de produção a pasto, de forma intensificada e eficiente.

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Segundo o engenheiro agrônomo Leandro Ebert, da Emater/RS-Ascar, os ganhos vieram da adoção de forrageiras mais produtivas associadas a técnicas modernas de manejo do pastoreio e da alimentação do rebanho, temas  apresentados durante o dia de campo.”Apresentamos  a evolução da família ao longo dos anos pra chegar até aqui e o trabalho iniciado ano passado, a partir de julho de 2024 com a família, ressaltando as mudanças que promovemos nesse período que resultaram nesse aumento de produtividade, de 14 pra 19,5 L/vaca/dia, dobrando a lucratividade”, ressalta Ebert.

Dentre as forrageiras, destaque para o trigo para pastejo BRS Tarumaxi e a cevada BRS Korbel consorciada com trevo em sobressemeadura em Tifton 85. BRS Tarumaxi foi desenvolvido pela Embrapa como cultivar de trigo desenvolvido para pastejo prolongado e adaptação ao Rio Grande do Sul e ao clima subtropical, permitindo a implantação ainda no outono, em meados de março, dando pastejo de abril a outubro, com alta qualidade nutricional e produção de massa. Outro destaque foi o arranjo de sobressemeadura em Tifton 85 com um consórcio entre gramínea e leguminosa: a Cevada BRS Korbel, uma cevada forrageira desenvolvida também pela Embrapa, junto a trevo branco, leguminosa perene, inoculada com Rhizobium, contribuindo também com a fixação biológica de nitrogênio no sistema.

Outro ponto decisivo mencionado por Ebert foi o Pastoreio Rotatínuo, com ajuste da altura do pasto para aumentar a ingestão de forragem a cada minuto de pastejo, junto aos ajustes de horários de ordenha para alcançar mais tempo de pastejo em momentos preferenciais do dia pelo comportamento natural dos animais. 

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Com isso, reduziu-se o uso de silagem e ração concentrada, enquanto se elevou a produtividade. “O maior consumo de pasto bem manejado, associado ao ajuste da suplementação no cocho, com menos silagem, menos ração e rações menos proteicas, foi convertido em mais leite de baixo custo - maior produção, gastando menos”, explica Ebert.


Rentabilidade que surpreende 

Ao comparar com a soja, o resultado evidencia a força da pecuária leiteira a pasto: a renda por hectare equivalente passou de 37 para 79 sacas de soja. Isso mostra que, mesmo em pequenas propriedades, há espaço para ganhos expressivos quando se investe em eficiência.

Ebert ressalta que o aumento da rentabilidade não veio à custa de cortes: mais do que isso, os investimentos foram realocados de forma estratégica (as despesas por hectare subiram em 17%), priorizando áreas com maior retorno, como a produção e o consumo de forragem.

 

Mais qualidade de vida junto com mais lucro

Além do salto financeiro, Renato Machado relatou melhorias na rotina familiar:

No verão, o número de piquetes caiu de mais de 30 para apenas seis, o que simplifica o manejo e reduz o trabalho operacional. Os novos horários de ordenha, mais tardios pela manhã e mais cedo à tarde,  permitiram dormir mais e encerrar o trabalho mais cedo, melhorando a qualidade de vida da família. "Antes, o horário e a rotina eram muito puxados. Agora começamos às sete da manhã, conseguimos descansar mais e terminamos o trabalho mais cedo. As vacas também se beneficiaram, passam mais tempo pastejando antes da ordenha da manhã e têm mais tempo de pasto no fim do dia, até o anoitecer. Facilitou muito, tanto pra gente quanto pros animais.”

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Material escrito por:

Stephanie Gonsales

Stephanie Gonsales

Zootecnista formada pela Universidade Estadual de Maringá e pós-graduada em Gestão do Agronegócio. Responsável pela Equipe de Conteúdo do MilkPoint.

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