Micotoxinas em dietas para bovinos leiteiros: quais sao os limites?

Micotoxinas em dietas de bovinos leiteiros podem comprometer a produção e o bem-estar animal. Veja os níveis críticos de contaminação e aprenda a calcular a concentração total na dieta.

Publicado em: - 2 minutos de leitura

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Micotoxinas são substâncias tóxicas produzidas por fungos, como Aspergillus, Fusarium e Penicillium, e podem contaminar alimentos e rações, afetando a saúde de humanos e animais. A ingestão dessas toxinas pode causar redução na produção de leite e problemas reprodutivos. A tabela apresentada mostra concentrações críticas de micotoxinas em dietas de bovinos leiteiros. Para calcular a concentração total de uma toxina na dieta, utiliza-se a proporção do alimento contaminado na dieta total.

Micotoxinas são metabólitos secundários produzidos por fungos filamentosos, como os gêneros Aspergillus, Fusarium e Penicillium. Elas podem contaminar uma ampla variedade de alimentos, incluindo rações e forrageiras, e são conhecidas por causar problemas de saúde tanto em humanos quanto em animais. A ingestão de micotoxinas pode levar a sérios problemas, como queda na produção de leite, problemas reprodutivos e até intoxicações graves.

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Na Tabela 1 estão apresentas as concentrações individuais de micotoxinas nas dietas de bovinos leiteiros expressas com base na matéria seca. Esses valores foram compilados da literatura científica e definidos de forma conservadora, de modo a representar níveis de contaminação abaixo dos quais os efeitos sobre os animais seriam mínimos ou inexistentes. Em níveis mais elevados de contaminação nas dietas, deverão ocorrer efeitos negativos sobre o desempenho produtivo (produção e qualidade do leite), reprodutivo, além de distúrbios imunofisiológicos, com prejuízos ao bem-estar dos animais.

Tabela 1. Níveis críticos de contaminação por micotoxinas em dietas de bovinos leiteiros

Micotoxina

Concentração na dieta

(com base na matéria seca)

Aflatoxina

2,0 a 2,5 ppb*

Deoxinivalenol (DON)

0,5 a 1,0 ppm

Fumonisina**

2 ppm

Toxina T-2 e HT-2**

100 ppb

Zearalenona

300 a 350 ppb

Ocratoxina

5 ppm

Alcaloides de ergot

500 ppb

ppb = partes por bilhão ou µg/kg de matéria seca; ppm = partes por milhão ou mg/kg de matéria seca.
*Calculado com base no limite legal de aflatoxina no leite, segundo a fórmula proposta por Veldman et al. (1992).
**De acordo com as indicações do Rock River Lab (Goeser J., 2020). Os autores não possuem dados que confirmem plenamente essas recomendações.

 

Como calcular o nível de toxina na dieta total?

Para estimar a concentração da toxina na dieta total com base no alimento contaminado, multiplica-se o nível da toxina no alimento pela proporção desse alimento na dieta total, conforme a fórmula:

Nível de Toxina na Dieta Total (ppb ou ppm) = Nível de Toxina no Alimento (ppb ou ppm) × [Quantidade do alimento usada na dieta (kg MS/animal/dia) ÷ Quantidade total de dieta (kg MS/animal/dia)]

Exemplo de cálculo para DON em silagem de milho:

Se a concentração de DON na silagem de milho for, por exemplo, 2,0 ppm (base matéria seca) e a inclusão dessa silagem na dieta for de 30 kg por animal por dia (base matéria natural), deve-se calcular primeiro o aporte de matéria seca diária proveniente da silagem:
30,0 kg de matéria natural/animal/dia × 35,0% de matéria seca = 10,5 kg de MS/animal/dia

Em seguida, relaciona-se esse valor à ingestão total de matéria seca diária do animal (25,0 kg MS/animal/dia):

2,0 ppm × (10,5 ÷ 25,0) = 0,84 ppm de DON na dieta total.

Autores: 

Antonio Gallo, professor titular

Alessandro Catellani, pesquisador de pós-doutorado
 

 

Declaração de não responsabilidade

Diversos fatores além da concentração de micotoxinas na dieta podem influenciar a resposta do animal e eventuais perdas de desempenho. Não é possível responsabilizar os autores por decisões tomadas em nível de fazenda com base nos dados apresentados nesta tabela, que tem caráter meramente descritivo, ainda que fundamentada em literatura científica publicada em periódicos revisados por pares (peer-reviewed).

Referências bibliográficas

Catellani, A. et al. 2025. A mycotoxin deactivating product may reduce the negative impact of Fusarium mycotoxins contaminated ration on post-partum ciclicity in lactating dairy cows. (in press).

Diaz, D.E. 2005. The mycotoxin blue book. Nottingham University Press, Thrumpron, Nottingham.

Gallo, A. et al. 2020. A mycotoxin-deactivating feed additive counteracts the adverse effects of regular levels of Fusarium mycotoxins in dairy cows. Journal of Dairy Science 103: 11314–11331. 

Gallo, A. et al. 2024. Review: Strategies and technologies in preventing regulated and emerging mycotoxin co-contamination in forage for safeguarding ruminant health. Animal 18: 101280.

Gallo, A. et al. 2022. Adverse effects of fusarium toxins in ruminants: A review of in vivo and in vitro studies. Dairy. 3: 474–499.

Goeser, J. 2020. Mycotoxin guidelines and dietary limits. Adapted from Literature and Summarized by Dr. John Goeser, PAS & Dipl. ACAN, Revised May, 2020. chrome-extension://efaidnbmnnnibpcajpcglclefindmkaj/https://rockriverlab.com/file_open.php?id=316.

Masoero, F. et al. 2007. Carry-over of aflatoxin from feed to milk in dairy cows with low or high somatic cell counts. Animal. 1: 1344–1350.

Veldman A et al. 1992. Carry-over of aflatoxin from cows’ food to milk. Animal Production. 55: 163–168.

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Material escrito por:

Antonio Gallo

Antonio Gallo

Professor titular, Facoltà di Scienze Agrarie, Alimentari e Ambientali Università Cattolica del Sacro Cuore (UCSC)

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