Para quem gosta de filmes de ficção científica, o nome do nosso artigo pode até ser sugestivo e digno de um episódio de “Star Wars”. A paródia da “guerra” é interessante. Ela existe, porém não nas estrelas ou distantes galáxias... Não é ficção. É realidade. Acontece todos os dias em cima da terra, nas nossas fazendas.
A esperança
Todo produtor sabe da capacidade e impacto que dietas têm sobre a produção em diferentes sistemas de produção de leite. Quando alteramos uma dieta, as mudanças impactam, imediatamente, na produção. Para cima ou para baixo. Em raras oportunidades, não temos alterações. Enfim: mudar a dieta de um rebanho ou de um determinado lote é sempre um “convite” interessante e tentador quando estamos precisando aumentar a nossa receita ou lucratividade (ou seja, sempre!).
Ao mudarmos uma dieta, temos a possibilidade de mexer com custo expressivo na participação final do litro de leite produzido. Mudar uma dieta (ou dietas) é sempre algo “atrativo” para o produtor porque, especialmente, porque lida e mexe com “expectativas”. Quanto maior a necessidade (ou desespero), maior a expectativa depositada na mudança. Pois bem... se algo não vai bem como o esperado, por que não mexer na dieta? Por que não aumentar a densidade energética ou quem sabe um ajuste no teor de proteína bruta? Não, seria a proporção de PDR e PNDR que estão em desacordo... ou será que estamos pecando no balanceamento de aminoácidos? Talvez, se inserirmos gordura protegida seja uma boa opção...
Pergunta: isso tem validade? Por quê e quando devemos alterar a dieta de nossas vacas ou “programa de alimentação”, como um todo?
O objetivo
Para muitos técnicos, o caminho, ou direção está concentrado em “mudanças”. Se o objetivo é propor ou realizar melhorias, temos de mudar, correto? Mudando e alterando a dieta, a cada visita, as chances de imprimir melhores resultados, aumentam. Correto?
Trabalhando há mais de 30 anos, diretamente, com manejo de bovinos de leite, produção de forragens e nutrição podemos afirmar, tranquilamente, que a resposta é NÃO. Definitivamente, NÃO. Negativo. Mudar dietas ou alterar programas de nutricionais nem sempre é o melhor caminho e, acreditem ou não, na maioria dos casos (salvo raras exceções), não é e nem representa a melhor opção para fazendas. Então, por que isso ocorre, com tanta frequência, em muitas fazendas?
São vários motivos. O primeiro deles está associado à forma como muitos profissionais foram formados, capacitados e treinados. Pesa, também, o grau de maturidade e experiência/vivência deste profissional para analisar cada situação. Formular uma dieta é sempre uma tarefa prazerosa para os profissionais da área pois permite que anos de estudo e conhecimento possam ser traduzidos nos números expressos no papel e que se consumidos pelos nossos animais de forma adequada, promovem resultados. Eu mesmo como nutricionista sempre tive esse prazer. Ao mesmo tempo, quando uma dieta nova é implantada e traz resultados estes geram felicidade, reconhecimento e satisfação, por parte do cliente/produtor.
O que muitos profissionais e gestores (ou donos de fazenda) não avaliam, corretamente, é que o objetivo de uma dieta ao ser formulada é, justamente, que a mesma não seja alterada! Uma dieta “persistente”, em uso por muito tempo dentro de um manejo não é uma dieta de fracassada ou ultrapassada, mas sim uma dieta de sucesso! Esse é um conceito muito importante e que precisa ser divulgado (e adotado) dentro de fazendas. Uma formulação “ótima” deveria mudar, teoricamente, por 3 motivos:
- Falta de insumo(s): como por exemplo, a sazonalidade de subprodutos
- Mercado: elevação de preços de ingrediente ou conjunto de ingredientes
- Ausência de resposta produtiva esperada frente o investimento realizado via dieta (neste caso é necessário avaliar, criteriosamente, se a proposta foi condizente com a realidade e cenários do campo e rebanho)
Salvo isso, os itens, acima a pergunta: "por que mudar?"
Por que mudar?
Em muitos casos a mudança se faz necessária, como mencionamos, acima. Porém, antes de “sair mudando”, o produtor precisa fazer uma análise minuciosa do que está acontecendo dentro da sua fazenda. Nesse momento que deve entrar em campo a figura do técnico para realizar um trabalho, adequadamente. Através da consultoria técnica de qualidade e com experiência que traçamos bons programas de alimentação. Atualmente, existem diferente meios e testes práticos para avaliarmos programas de alimentação:
- Análise de %MS na fazenda (via Koster ou Air Fryer),
- NIRS portátil,
- teste da Penn State para perfil de dietas,
- escore de cocho,
- escore de fezes,
- taxa de ruminação,
- enchimento ruminal,
- pH de urina, entre outras ferramentas.
Quando aplicamos, na prática, o “kit teste” de pacotes pós-vendas de muitas empresas de nutrição e interpretamos os resultados, o que nos deparamos? Eu diria que com uma alta probabilidade de encontrar uma imensa variação e resultados “fora dos parâmetros desejados”. Pode ser num teor de MS ou num perfil de dieta via Penn State.... Garfos e facas (afiadas), na mão, vamos ajustar!
Mas por quê? Por quê vamos ajustar (ou mudar)? Ora bolas, porque temos resultados alterados! Cuidado! Nesse momento é necessário muito atenção. Todos estes testes e diagnósticos são importantes, porém, retratam apenas “um dia de trabalho” ou um determinado momento do processo em andamento. Toda vez que realizamos estas avaliações temos de ter consciência que estamos tirando uma foto ou retrato do sistema.
A pergunta que temos de fazer é: os resultados obtidos, hoje, refletem a realidade da fazenda? No dia da avaliação, tudo estava redondo? Ventiladores funcionando, animais sem stress, trato passado no mesmo horário, operador titular do vagão (ou folguista)? Silo novo ou final de silo em consumo? Se pararmos um pouquinho, por aqui, podemos criar uma lista, gigante, de detalhes que podem afetar ou impactar no resultado de uma coleta, teste ou análise na fazenda.
Deixamos claro, aqui, que não estamos menosprezando ou negligenciando as ferramentas de avaliação (ou que não devemos realizá-las), mas sim que devemos utilizá-las como apoio para decisões. Para isso, as decisões devem ser pautadas em critérios seguros e que iremos discorrer em um próximo artigo.