Da gestão à genética: o modelo da Xapetuba que elevou a performance do leite no Brasil

Com mais de 50 mil litros/dia, a operação liderada por Thiago Silveira mostra como estratégia, gestão e execução caminham juntas.

Publicado em: - 4 minutos de leitura

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A pecuária leiteira no Brasil, segundo Thiago Silveira da Xapetuba Agropecuária, está se transformando com foco em três pilares: pessoas, tecnologia e gestão. A dificuldade em atrair mão de obra qualificada é um desafio central. A adoção de tecnologia e melhoramento genético são cruciais para aumentar a produtividade. Além disso, a integração com a agricultura e a gestão baseada em dados são essenciais para a sustentabilidade econômica. Silveira também destaca a importância da representatividade política e a necessidade de controle nas importações de lácteos.
A pecuária leiteira brasileira vive um momento de transformação — e, na visão de Thiago Silveira, esse movimento passa, inevitavelmente, por três pilares: gente, tecnologia e gestão. À frente da Xapetuba Agropecuária, em Uberlândia (MG), o produtor — que também atua como Diretor da ABRALEITE (Associação Brasileira dos Produtores de Leite), construiu um dos sistemas mais eficientes do país, figurando entre os maiores produtores do ranking Top 100 MilkPoint.

Thiago também foi atuou como Secretário de Agronegócio do município, presidente do Sindicato Rural e vice-presidente da FAEMG (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais). Mais do que números, o caso da Xapetuba revela um modelo de produção que combina alta produtividade com visão estratégica dentro e fora da porteira.

Fazenda Xapetuba

Na leitura de Thiago, um dos principais gargalos da atividade hoje está nas pessoas. A dificuldade de atrair e reter mão de obra no campo deixou de ser um tema periférico e passou a ocupar o centro da estratégia. Não se trata apenas de oferecer emprego, mas de criar condições reais de permanência: moradia adequada, acesso à saúde, educação, conectividade e proximidade com centros urbanos. Em propriedades muito isoladas, esses fatores se tornam decisivos — e muitas vezes limitantes — para o crescimento.

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Ao mesmo tempo, ele enxerga uma mudança importante no perfil da mão de obra, com a entrada de uma nova geração mais qualificada e conectada. Jovens com formação em áreas como veterinária e agronomia chegam ao campo com maior familiaridade com tecnologia, o que facilita a adoção de sistemas mais avançados e amplia o potencial produtivo das fazendas.

Esse avanço passa, necessariamente, pelo uso intensivo de tecnologia — e, dentro desse contexto, a genética aparece como um dos pilares centrais. O investimento contínuo em melhoramento genético, aliado ao conforto animal e a uma nutrição bem estruturada, tem permitido ganhos consistentes de produtividade ao longo dos anos. Hoje, segundo ele, o Brasil já conta com fazendas que operam em níveis comparáveis aos principais países produtores do mundo, com médias que evidenciam esse salto de eficiência.

Mas produzir mais não basta. A sustentabilidade econômica da atividade exige controle rigoroso de custos — e isso passa, inevitavelmente, pela integração com a agricultura. Produzir dentro da fazenda boa parte dos alimentos consumidos pelo rebanho deixa de ser uma opção e se torna uma necessidade. Nesse cenário, o produtor de leite precisa ampliar sua atuação e dominar também a lógica agrícola, sob pena de comprometer a viabilidade do sistema.

"Se há um elemento que conecta todas essas frentes, esse elemento é a gestão baseada em dados. Na Xapetuba, decisões não são tomadas por percepção, mas por informação. O controle abrange desde fluxo de caixa e custo de produção até indicadores zootécnicos e operacionais, incluindo monitoramento de ambiente, manejo e desempenho do rebanho. Esse nível de detalhamento permite entender com precisão onde estão os gargalos e onde estão as oportunidades de ganho, algo essencial em uma atividade marcada por margens apertadas", disse Thiago em entrevista exclusiva ao MilkPoint. 

Fora da porteira, os desafios assumem outra natureza. O ambiente de negócios passa por questões como custo do crédito, segurança jurídica e representatividade política. Para Thiago, o fortalecimento de entidades e lideranças comprometidas com o setor leiteiro é fundamental para garantir condições mínimas de competitividade. Nesse contexto, instituições como a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil ) exercem papel estratégico na articulação nacional.

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Entre os pontos mais sensíveis está o avanço das importações de lácteos, especialmente em momentos em que os volumes entram de forma mais intensa no mercado interno. Embora reconheça que importações possam ser necessárias em determinadas situações, ele defende maior transparência e controle, de forma a evitar distorções que penalizem o produtor de leite brasileiro. Na sua avaliação, o país tem potencial não apenas para atingir a autossuficiência, mas também para se posicionar como exportador de lácteos no médio e longo prazo.

"A trajetória da Xapetuba ajuda a traduzir, na prática, esse conjunto de conceitos. Quando o projeto foi iniciado, em 2010, a meta era atingir 20 mil litros de leite por dia até 2020. Hoje, a produção já supera os 50 mil litros diários. O crescimento é resultado de planejamento, disciplina e disposição para assumir riscos — especialmente no uso estruturado de capital de terceiros para financiar a expansão", completou ele. 

Fazenda Xapetuba

Mais recentemente, a Xapetuba também passou a olhar com mais atenção para modelos de economia circular. Iniciativas como a produção de biogás e o aproveitamento de dejetos são vistas como oportunidades para tornar o sistema mais eficiente, criando um ciclo em que solo, planta e animal se retroalimentam. Trata-se de um caminho que, segundo Thiago, pode ampliar a produtividade ao mesmo tempo em que reduz custos. 

Durante sua participação no Interleite Brasil, Thiago pretende compartilhar essa trajetória com o público, mostrando que, apesar dos desafios, é possível crescer e prosperar na atividade quando há gestão, planejamento e consistência na execução. Mais do que isso, ele defende uma postura ativa do produtor, baseada em organização e confiança, sem espaço para vitimismo, mas com clareza sobre a importância de defender o setor também fora da porteira. Saiba mais sobre o Interleite Brasil 2026 clicando aqui

Figura 3

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Material escrito por:

Raquel Maria Cury Rodrigues

Raquel Maria Cury Rodrigues

Head do MilkPoint e Zootecnista pela UNESP de Botucatu

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