Segundo o mais recente Consumer Perceptions Tracker, da Dairy Management Inc., 36% dos consumidores atribuíram aos laticínios uma das duas notas mais altas de confiança em uma escala de sete pontos em 2025, um leve aumento em relação ao ano anterior.
Mas a mudança mais significativa está acontecendo entre os adolescentes: o relatório constatou que os adolescentes registraram os maiores níveis de confiança entre todas as faixas etárias, com 47% classificando os laticínios com nota seis ou sete na escala de sete pontos. Esse índice subiu constantemente de 33% em 2023 para 41% em 2024 e agora para 47% em 2025.
A tendência reflete uma mudança geracional na forma como os consumidores mais jovens enxergam os produtos lácteos, em um momento em que as discussões sobre nutrição têm se concentrado cada vez mais em proteína, alimentos integrais e dietas menos processadas.
Leite integral volta aos cardápios escolares
A política federal dos EUA está se alinhando a essas prioridades por meio de padrões atualizados de nutrição escolar, que restabelecem maior acesso ao leite integral e às opções com teor reduzido de gordura. O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) publicou recentemente a regra final que implementa a restauração das opções de leite integral e parcialmente desnatado nos programas federais de nutrição infantil para crianças e adultos com 2 anos ou mais.
A lei, assinada por Donald Trump em janeiro de 2026, reverte restrições anteriores que limitavam as escolas principalmente às opções de leite desnatado e sem gordura. Grupos da indústria elogiaram a medida, afirmando que ela aproxima a política federal das atuais diretrizes nutricionais e das preferências dos estudantes.
Michael Dykes, médico veterinário e CEO da Associação Internacional de Alimentos Lácteos, classificou a regra como “uma grande vitória para a nutrição infantil e para políticas sensatas de alimentação escolar”, acrescentando que o USDA agiu rapidamente para oferecer às escolas e aos processadores “a segurança necessária para disponibilizar aos estudantes as opções de leite que melhor atendam às suas necessidades nutricionais”.
“Por muito tempo, regulamentações federais limitaram a capacidade das escolas de oferecer as opções de leite preferidas pelos alunos”, disse Dykes. “Essa regra devolve flexibilidade enquanto alinha a política pública às Diretrizes Alimentares para Americanos, que reconhecem os laticínios em todos os níveis de gordura como parte de padrões alimentares saudáveis. É importante destacar que ela permite leite com e sem sabor em todos os níveis de gordura, ajudando as escolas a atender melhor às preferências dos alunos enquanto melhora o acesso aos 13 nutrientes essenciais presentes em cada porção de leite.”
Tendências de demanda de longo prazo
Produtos lácteos integrais, como leite integral, cottage e iogurte grego, estão despertando interesse renovado entre os consumidores mais jovens. Grande parte desse interesse parece estar ligada a padrões alimentares com maior consumo de proteína e à crescente atenção dada a alimentos minimamente processados nas redes sociais e ambientes online.
O aumento da confiança dos adolescentes nos laticínios, ao mesmo tempo em que as escolas ampliam novamente as opções de leite, mostra como as preferências dos consumidores e as orientações nutricionais estão convergindo. Os hábitos alimentares formados durante a adolescência tendem a acompanhar as pessoas na vida adulta. As escolhas feitas em relação a alimentos e bebidas do cotidiano nessa fase frequentemente se tornam padrões familiares mais tarde, mesmo que as dietas e preferências continuem evoluindo. Quando a confiança é construída cedo, ela pode persistir e se refletir em padrões de consumo de longo prazo.
Artigo escrito por Taylor Leach, do Dairy Herd Management, traduzido e adaptado pela equipe MilkPoint.
Vale a pena ler também:
EUA: sorveteria lança sorvetes com ingredientes reaproveitados e foco no combate ao desperdício
Por que os preços do leite em 2026 estão desafiando o tsunami de oferta nos EUA