Não é novidade que o setor leiteiro está constantemente se moldando conforme a realidade da produção, como mencionamos anteriormente. Com o recente lançamento da pesquisa Quem Produz o Leite Brasileiro — uma iniciativa da MilkPoint Ventures para acompanhar de perto esses movimentos — os dados atualizados revelam novos insights. A pesquisa foi ampliada em 2024, com a inclusão de 29 novas empresas, além das 36 que já haviam participado no ano anterior.
Mas o que há de novo?
A comparação entre os grupos destaca um contraste na escala média dos produtores: as empresas que participaram anteriormente mantêm uma média de produção de 428 litros/dia por produtor, enquanto as novas empresas apresentam um valor de 325 litros/dia. Essa diferença na escala média de produção sugere que as novas empresas possuem, em média, produtores de menor porte.
Com o novo perfil de participantes, a pesquisa deste ano ampliou a base de dados e trouxe uma visão mais precisa e realista da cadeia produtiva. Ao incorporar uma quantidade maior de pequenos produtores, reflete-se uma parcela importante do setor, composta por produtores com desafios e realidades distintas daqueles que produzem um volume maior.
A pesquisa também expandiu sua cobertura regional, captando com maior precisão variações locais. No Sul, a amostra aumentou 131%, enquanto no Sudeste houve um salto de 362% em relação a 2023. Essa expansão geográfica permite detectar as particularidades regionais e compreender como fatores como clima e sistemas de produção afetam cada contexto de maneira distinta.
Confira os resultados completos do Quem Produz o Leite Brasileiro 2024
Outro destaque da pesquisa é o aumento no uso de sistemas estabulados, como Compost Barn, Free Stall e Confinamento Total, que em 2024 representam 42% do leite produzido (dados de 22 empresas que fornecem essas informações desde 2022) e aproximadamente 8% dos produtores .Esses sistemas trouxeram vantagens claras para a produção leiteira em 2024, como a redução da sazonalidade, permitindo que os produtores mantenham uma produção mais constante e independente das condições climáticas.
Apesar do alto investimento inicial, esses sistemas proporcionam um controle preciso da nutrição e da saúde dos animais, que podem ser monitorados de perto, melhorando a produtividade e a qualidade do leite. Com isso, ao aumentar também o volume produzido, os confinamentos permitem aos produtores acessar bonificações por volume, o que atrai mais investimentos, especialmente em um setor cada vez mais competitivo.
No entanto, esses sistemas demandam maiores custos operacionais e cuidados específicos com nutrição e problemas de saúde animal, como mastite e claudicação. Mesmo com esses desafios, a adesão crescente a esses modelos destaca seu potencial de melhorar a eficiência produtiva e a qualidade do leite no Brasil.
E tem mais: a pesquisa deste ano traz outros indicadores inéditos para os resultados de 2024. No vídeo abaixo, Juliana Torres, líder da pesquisa e consultora de projetos da MilkPoint Ventures, explica mais sobre os comparativos de 2023 e 2024.