Balança comercial de lácteos mantém déficit em fevereiro

As importações somaram 176,4 milhões de litros em equivalente-leite, com leve aumento de 1,7% frente a janeiro. Apesar da alta mensal, o volume permanece 16% abaixo do registrado em fevereiro de 2025, reforçando a tendência de desaceleração das compras externas que já havia sido observada na balança de janeiro.

Publicado por: MilkPoint

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A balança comercial brasileira de lácteos registrou déficit de 171,3 milhões de litros em equivalente-leite em fevereiro de 2026, resultado 1,1% mais negativo que o observado em janeiro. Na comparação com o mesmo mês de 2025, porém, o déficit apresenta recuo de 16%, indicando uma redução na dependência de lácteos importados ao longo do último ano.

Gráfico 1. Saldo mensal da balança comercial brasileira de lácteos – equivalente leite. Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado, a partir dos dados da COMEXSTAT.

As importações somaram 176,4 milhões de litros em equivalente-leite, com leve aumento de 1,7% frente a janeiro. Apesar da alta mensal, o volume permanece 16% abaixo do registrado em fevereiro de 2025, reforçando a tendência de desaceleração das compras externas que já havia sido observada na balança de janeiro.

Gráfico 2. Importações em equivalente-leite. Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado, a partir dos dados da COMEXSTAT.

 

Do lado das vendas externas, as exportações totalizaram 5,1 milhões de litros em equivalente-leite, registrando crescimento expressivo de 27,4% em relação ao mês anterior. Ainda assim, o volume embarcado permanece 15% inferior ao observado em fevereiro de 2025, mostrando que, apesar da recuperação mensal, as exportações brasileiras ainda operam em patamar inferior ao do ano passado.

Gráfico 3. Exportações em equivalente-leite.  Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado a partir dos dados da COMEXSTAT.

Em fevereiro, as exportações de lácteos apresentaram movimentos distintos entre os principais produtos:

  • Soro de leite: principal item da pauta exportadora brasileira, voltou a registrar alta nos embarques, com aumento de 23% frente a janeiro, retomando a trajetória de crescimento após o recuo observado no mês anterior.

  • Manteigas: mais do que dobrando o volume exportado, a categoria apresentou alta de 125%, alcançando 574 mil quilos embarcados no mês.

  • Creme de leite: após a forte recuperação vista em janeiro, os embarques voltaram a recuar, registrando queda de 13% em relação ao último mês.

  • Leites em pó: o leite em pó integral apresentou aumento relevante nas exportações, ainda que os volumes embarcados permaneçam relativamente baixos na pauta exportadora.

No campo das importações, os principais movimentos observados foram:

  • Leite em pó integral (LPI): principal produto da pauta importadora brasileira, continuou a apresentar crescimento nos volumes. Em fevereiro, a alta foi de 12%, podendo indicar desaceleração frente ao avanço de 23% registrado em janeiro.

  • Leite em pó desnatado (LPD): segundo item mais relevante nas importações, apresentou leve recuo de 2% nos volumes, mantendo a tendência de estabilidade observada nos últimos meses.

As tabelas 1 e 2 mostram as principais movimentações do comércio internacional de lácteos nos meses de janeiro de 2026 e fevereiro de 2026.

 Tabela 1. Balança comercial de lácteos em fevereiro de 2026. Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado com base em dados COMEXSTAT. 

Tabela 2. Balança comercial de lácteos em janeiro de 2026. Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado com base em dados COMEXSTAT. 

O que podemos esperar para os próximos meses?

Para os próximos meses, a expectativa é de recuo no volume total de lácteos importados ao longo de 2026. A recuperação dos preços internacionais, aliada a uma produção brasileira ainda elevada, mesmo que com crescimento mais moderado, pode reduzir parte da atratividade das compras externas.

Outro fator importante é o câmbio. Nas últimas semanas, o dólar vinha operando em patamares mais baixos, o que sustentava a competitividade dos produtos importados no mercado brasileiro. No entanto, o aumento das tensões geopolíticas recentes pode trazer maior volatilidade cambial, influenciando diretamente as negociações internacionais de lácteos.

Nesse cenário, embora os preços dos lácteos no Mercosul já apresentem tendência de alta, o dólar mais baixo vinha funcionando como um fator de equilíbrio para as importações. Ainda assim, alguns produtos nacionais seguem com preços superiores aos equivalentes importados, o que mantém as compras externas ainda como uma alternativa competitiva para o mercado nacional.

Com um cenário internacional em transformação e mudanças importantes na dinâmica de oferta e demanda, acompanhar de perto os movimentos do mercado global se torna cada vez mais estratégico para a cadeia láctea brasileira. Esses temas estarão no centro das discussões do Fórum MilkPoint Mercado 2026, evento que reunirá especialistas e lideranças do setor para analisar tendências, competitividade e perspectivas para o mercado de lácteos. O encontro acontecerá no dia 09 de abril, em Piracicaba (SP). O segundo lote de ingressos está disponível até o dia 13/03, então aproveite para garantir sua participação com condições especiais.

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Mario Schneiders
MARIO SCHNEIDERS

NOVA CANDELÁRIA - RIO GRANDE DO SUL - AGRICULTURA

EM 06/03/2026

Por que o Brasil importa leite?

Mesmo sendo um grande produtor, o Brasil ainda importa leite e derivados por alguns motivos:

Diferença de preço internacional
Países como Argentina e Uruguai costumam ter custo de produção menor, em parte por escala, logística e políticas públicas.

Acordos comerciais do Mercosul
Dentro do Mercosul há tarifa zero ou muito baixa para vários produtos entre os países membros, o que facilita a entrada de leite em pó, queijos e outros derivados.

Oscilações do mercado interno
Quando a indústria encontra produto mais barato fora, ela importa para reduzir custo de processamento.

Câmbio
Quando o real está valorizado, importar fica mais barato.

A grande reclamação dos produtores

Produtores brasileiros frequentemente apontam que:

Nos países exportadores há subsídios diretos ou indiretos ao leite.

O produtor brasileiro enfrenta custo alto de ração, energia, impostos e logística.

Muitas vezes o preço pago ao produtor não cobre o custo de produção.

Esse debate aparece frequentemente em entidades como a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil e a Associação Brasileira de Produtores de Leite, que pressionam por medidas como:

limites ou cotas de importação

salvaguardas comerciais

incentivos à produção nacional

crédito e subsídios semelhantes aos de países concorrentes

A realidade do produtor

A sensação de “pagar para trabalhar” infelizmente não é incomum na pecuária leiteira, especialmente em períodos de:

custo alto de insumos

excesso de oferta

preço baixo pago pela indústria

Por isso muitos produtores acabam abandonando a atividade ou reduzindo o rebanho.

Ao mesmo tempo, o Brasil ainda é um dos maiores produtores de leite do mundo, com forte presença em estados como Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e Goiás.
Região Noroeste uma das maiores bacias leiteiras do estado do Rio Grande do Sul, sem amparo nenhum, tendo que conviver com diversos intraves , como a seca agora que está acabando com pastagens , aumentando ainda mais o custo de produção . Para piorar em alguns lugares enfrentando problemas de dessedentação animal prejudicando a saúde do rebanho e consequentemente baixa na produção agravando ainda mais a situação do produtor de leite.
Até quando o produtor de leite tem que sangrar para se tomar as devidas providencias , as quais já enviamos aos deputados , senadores em todas as esferas e a crise só vai se agravando! ESTÁ NA HORA OU NOSSA REGIÃO VAI DIMINUIR DRASTICAMENTE O REBANHO E A PRODUÇÃO! VAMOS AGIR ANTES QUE É TARDE DEMAIS PARA SALVAR OS PRODUTORES DE LEITE !!!! iNDIGNAÇÃO PELA INDIFERENÇA DO GOVERNO COM O NOSSO PRODUTOR! eLE SÓ QUER PODER TRABALHAR E TIRAR O SUSTENTO DA SUA FAMILIA E NEM ISSO LHE É PERMITIDO!!!
Qual a sua dúvida hoje?