O saldo da balança comercial de lácteos iniciou o ano atingindo um déficit de 169,2 milhões de litros em equivalente-leite, o que representa um aumento de 9% no déficit frente ao mês de dezembro de 2025. Na comparação com janeiro de 2025, no entanto, observa-se um recuo de 14% no saldo negativo.
Gráfico 1. Saldo mensal da balança comercial brasileira de lácteos – equivalente leite.
Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado, a partir dos dados da COMEXSTAT.
As exportações de lácteos totalizaram 4,2 milhões de litros em equivalente-leite no mês, registrando queda de 16,4% em relação a dezembro e ficando 11% abaixo do volume exportado em janeiro do ano passado.
Gráfico 2. Exportações em equivalente-leite.
Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado, a partir dos dados da COMEXSTAT.
Já as importações avançaram 8,1% frente ao último mês de 2025, alcançando 173,4 milhões de litros, embora ainda apresentem retração de 14% na comparação anual.
Gráfico 3. Importações em equivalente-leite.
Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado a partir dos dados da COMEXSTAT.
Em janeiro, as exportações de lácteos apresentaram movimentos distintos entre os principais produtos:
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Soro de leite: principal item da pauta exportadora brasileira, apresentou recuo de 31% no volume exportado, interrompendo uma sequência de altas observada nos meses anteriores;
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Leite condensado: após meses de crescimento, registrou queda de 11% nos embarques;
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Creme de leite: após sucessivos recuos, apresentou forte recuperação, com aumento de 52% nas exportações frente a dezembro;
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Leite em pó desnatado e leite evaporado: ainda com participação reduzida no total exportado, mas com crescimento percentual relevante no volume embarcado no mês.
No campo das importações, os principais movimentos observados foram:
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Leite em pó integral (LPI): após dois meses consecutivos de queda, voltou a apresentar crescimento, com avanço de 23% no volume importado frente a dezembro;
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Leite em pó desnatado (LPD): segundo principal produto da pauta de importações, manteve a tendência de retração e registrou queda de 22% no volume importado em janeiro.
As tabelas 1 e 2 mostram as principais movimentações do comércio internacional de lácteos nos meses de dezembro de 2025 e janeiro de 2026.
Tabela 1. Balança comercial de lácteos em janeiro de 2026
Tabela 2. Balança comercial de lácteos em dezembro de 2025
Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado com base em dados COMEXSTAT.
O que podemos esperar para os próximos meses?
O mercado brasileiro de lácteos tende a operar ao longo de 2026 com boa disponibilidade interna de produto, refletindo a expectativa de manutenção de uma produção elevada no país. Esse cenário pode contribuir para reduzir o ritmo das importações ao longo do ano e, em alguns momentos, abrir espaço para o avanço das exportações, ainda que de forma pontual e concentrada em alguns produtos.
Além disso, a desaceleração do crescimento da produção em países fornecedores, como a Argentina — uma das principais origens das importações brasileiras de lácteos —, tende a reduzir a pressão da oferta externa sobre o mercado nacional. Soma-se a esse movimento a valorização dos preços futuros negociados na NZX, o que pode limitar a atratividade das importações, inclusive dentro do Mercosul, dado o alinhamento desses mercados às referências internacionais.
Por fim, o câmbio segue como um fator central na dinâmica da balança comercial. Como as negociações são realizadas em dólar, variações na taxa de câmbio podem tornar os produtos importados mais ou menos competitivos, influenciando diretamente as decisões de compra da indústria e o posicionamento do Brasil no comércio internacional de lácteos ao longo do ano.
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