Balança comercial de lácteos: janeiro registra aumento mensal do déficit, mas melhora no ano a ano

Janeiro marcou um aumento do déficit da balança de lácteos frente a dezembro, mas com sinais de menor pressão no comparativo anual. O cenário reforça a importância do câmbio, da oferta interna e do mercado internacional para 2026.

Publicado em: - 3 minutos de leitura

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Em janeiro de 2026, a balança comercial de lácteos registrou um déficit de 169,2 milhões de litros, 9% maior que em dezembro de 2025, mas 14% menor que em janeiro de 2025. As exportações caíram 16,4% em relação a dezembro, enquanto as importações aumentaram 8,1%. O mercado brasileiro deve manter boa disponibilidade de produtos, reduzindo as importações e permitindo um leve aumento nas exportações, com o câmbio influenciando a competitividade no comércio internacional.

O saldo da balança comercial de lácteos iniciou o ano atingindo um déficit de 169,2 milhões de litros em equivalente-leite, o que representa um aumento de 9% no déficit frente ao mês de dezembro de 2025. Na comparação com janeiro de 2025, no entanto, observa-se um recuo de 14% no saldo negativo.

Gráfico 1. Saldo mensal da balança comercial brasileira de lácteos – equivalente leite.

 

Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado, a partir dos dados da COMEXSTAT.

As exportações de lácteos totalizaram 4,2 milhões de litros em equivalente-leite no mês, registrando queda de 16,4% em relação a dezembro e ficando 11% abaixo do volume exportado em janeiro do ano passado.

Gráfico 2. Exportações em equivalente-leite.

 

Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado, a partir dos dados da COMEXSTAT.

Já as importações avançaram 8,1% frente ao último mês de 2025, alcançando 173,4 milhões de litros, embora ainda apresentem retração de 14% na comparação anual.

Gráfico 3. Importações em equivalente-leite.

 

Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado a partir dos dados da COMEXSTAT.

Em janeiro, as exportações de lácteos apresentaram movimentos distintos entre os principais produtos:

  • Soro de leite: principal item da pauta exportadora brasileira, apresentou recuo de 31% no volume exportado, interrompendo uma sequência de altas observada nos meses anteriores;

  • Leite condensado: após meses de crescimento, registrou queda de 11% nos embarques;

  • Creme de leite: após sucessivos recuos, apresentou forte recuperação, com aumento de 52% nas exportações frente a dezembro;

  • Leite em pó desnatado e leite evaporado: ainda com participação reduzida no total exportado, mas com crescimento percentual relevante no volume embarcado no mês.

No campo das importações, os principais movimentos observados foram:

  • Leite em pó integral (LPI): após dois meses consecutivos de queda, voltou a apresentar crescimento, com avanço de 23% no volume importado frente a dezembro;

  • Leite em pó desnatado (LPD): segundo principal produto da pauta de importações, manteve a tendência de retração e registrou queda de 22% no volume importado em janeiro.

As tabelas 1 e 2 mostram as principais movimentações do comércio internacional de lácteos nos meses de dezembro de 2025 e janeiro de 2026.

Tabela 1. Balança comercial de lácteos em janeiro de 2026

Balança comercial de lácteos em janeiro de 2026

Tabela 2. Balança comercial de lácteos em dezembro de 2025

Balança comercial de lácteos em dezembro de 2025
Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado com base em dados COMEXSTAT. 

O que podemos esperar para os próximos meses?

O mercado brasileiro de lácteos tende a operar ao longo de 2026 com boa disponibilidade interna de produto, refletindo a expectativa de manutenção de uma produção elevada no país. Esse cenário pode contribuir para reduzir o ritmo das importações ao longo do ano e, em alguns momentos, abrir espaço para o avanço das exportações, ainda que de forma pontual e concentrada em alguns produtos.

Além disso, a desaceleração do crescimento da produção em países fornecedores, como a Argentina — uma das principais origens das importações brasileiras de lácteos —, tende a reduzir a pressão da oferta externa sobre o mercado nacional. Soma-se a esse movimento a valorização dos preços futuros negociados na NZX, o que pode limitar a atratividade das importações, inclusive dentro do Mercosul, dado o alinhamento desses mercados às referências internacionais.

Por fim, o câmbio segue como um fator central na dinâmica da balança comercial. Como as negociações são realizadas em dólar, variações na taxa de câmbio podem tornar os produtos importados mais ou menos competitivos, influenciando diretamente as decisões de compra da indústria e o posicionamento do Brasil no comércio internacional de lácteos ao longo do ano.

Para quem acompanha de perto a balança comercial de lácteos, o Fórum MilkPoint Mercado 2026 é uma oportunidade estratégica para transformar dados em decisão. O evento aprofunda a leitura desses movimentos, conectando o cenário global às decisões práticas da indústria brasileira, com análises de mercado e discussões qualificadas voltadas a quem precisa se antecipar às tendências. 

Atenção: amanhã, 06/02, é o último dia para garantir o ingresso no primeiro lote, com condições especiais — uma oportunidade de acessar informação estratégica para orientar as decisões ao longo de 2026.

 

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Material escrito por:

Vivian Batista Padilla

Vivian Batista Padilla

Zootecnista pela FZEA USP e Analista Jr. de Inteligência de Mercado no MilkPoint Mercado.

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David Broad
DAVID BROAD

BRASÍLIA - DISTRITO FEDERAL - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 06/02/2026

Boa tarde Vivian. Uma analise importante é saber quem está importando e, diante da sobreoferta enorme de leite no Brasil que aconteceu em 2025, o porque. Esta analise tambem serviria como orientação para os questionamentos politicos. Os politicos foram atras dos lacticionios - erroneamente pelo jeito. Por que suspeitamos que quem está realmente fazendo a importação é o varejo e transformadores (que usam ingredientes). Entender esta dinâmica tem grande valor.
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