S. aureus: o principal causador de mastite subclínica nos EUA

A presença de S. aureus na mastite subclínica dos EUA vem crescendo. Saiba mais sobre os dados e estratégias preventivas. Clique e leia a matéria completa!

Publicado por: MilkPoint

Publicado em: - 4 minutos de leitura

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 1

Se você procurar o suficiente, vai encontrar Staphylococcus aureus (S. aureus) em pelo menos uma vaca em todo rebanho leiteiro dos EUA, segundo Justine Britten, cientista animal com doutorado, que atua na Udder Health Systems Inc.

Apesar da declaração ousada, Britten não está sugerindo que todas as fazendas tenham um problema de mastite ou estejam prestes a enfrentar um surto. Ela está apenas destacando o quão comum é esse patógeno nas propriedades e como ele frequentemente passa despercebido, contribuindo principalmente para casos de mastite subclínica.

Uma coisa que ainda me surpreende é que acho que a maioria dos produtores, veterinários e consultores sabe disso — e, na verdade, nem sempre sabe”, ela comenta a Fred Gingrich, diretor executivo da American Association of Bovine Practitioners, durante um episódio recente do podcast “Have You Herd”: Managing Staph aureus Mastitis in Dairy Cows.

Britten afirma que a prevalência de S. aureus está aumentando, com base em cerca de 7.800 amostras de leite de tanque analisadas anualmente por sua empresa. De 2017 a 2021, a prevalência permaneceu relativamente estável, em torno de 20%. Hoje, esse número mais que dobrou.

Agora estamos vendo que cerca de 44% a 45% de todas as amostras de tanques estão positivas para S. aureus”, afirma.

 

Considere as novilhas

Algo que surpreendeu Britten é que novilhas podem parir já com uma infecção subclínica causada por S. aureus, mesmo em rebanhos fechados.

“Ser um rebanho fechado ajuda a reduzir as chances disso acontecer, mas ainda é possível”, diz ela.

Ao revisar a literatura, Britten aponta que entre 2% e 15% das novilhas irão parir com a infecção, podendo ter um episódio clínico. No entanto, a contagem de células somáticas nas novilhas infectadas tende a ser baixa, o que dificulta a detecção.

Continua depois da publicidade

Isso é uma das coisas mais frustrantes — novilhas positivas podem manter contagens em torno de 100.000 ou menos por um bom tempo antes que comecem a subir, e isso dificulta muito para os produtores aceitarem que esse animal está permanentemente infectado com um patógeno contagioso. Isso também torna a doença muito mais difícil de manejar”, afirma.

Se a fazenda não estiver monitorando ativamente, a novilha pode se recuperar de um episódio e parecer saudável. Nesse ponto, ela geralmente retorna ao rebanho, onde pode infectar outras novilhas e vacas.

Minha conclusão é: se S. aureus fosse mais visível, como o Mycoplasma, suspeito que os produtores seriam muito menos tolerantes do que são atualmente”, diz ela.

 

Realize triagem de todas as vacas e novilhas

Britten considera que realizar uma cultura mensal do tanque de leite é o mínimo que uma fazenda pode fazer para monitorar patógenos, e destaca que essa é uma ferramenta extremamente útil.

Continua depois da publicidade

Caso contrário, você está operando no escuro”, comenta. “Mesmo monitorando no nível do tanque, estamos observando de uma altitude de cerca de 3 mil metros. Mas se [a fazenda] não faz nenhum outro tipo de cultura, isso ainda é melhor do que nada.

Ela é uma defensora firme da triagem de todas as vacas e novilhas, pois acredita ser a abordagem mais proativa para prevenção.

Funciona. Eu sei que funciona. Mas é muito importante ter algum tipo de sistema de auditoria em funcionamento, para garantir que você esteja testando todas — não 50%, não 70%, mas todas — e que exista um plano de manejo para saber o que fazer com os animais positivos”, explica.

Nas fazendas com as quais ela trabalha, que apresentam taxas muito baixas de positividade, os animais infectados geralmente são vendidos.

Elas não toleram esses animais. Para outras, isso é caro demais, então eles vão para um curral separado, ou — no caso das novilhas — tentam tratar e ver se conseguem eliminá-los. Mas sim, triagem e cultura de todas as vacas recém-paridas e novilhas é a melhor forma de identificar esses animais cedo e manejá-los adequadamente.

 

Mensagens principais

No podcast, Gingrich e Britten discutem que, em situações de surto, é importante investigar por que as vacas estão sendo infectadas e lembrar que a infecção geralmente ocorre na ordenha — o foco deve estar nesse ambiente. Isso inclui avaliar a condição dos tetos, os procedimentos da ordenha e o funcionamento dos equipamentos.

Programas agressivos de cultura, segregação e descarte são importantes para minimizar riscos.

Britten também destacou três pontos principais da discussão com a AABP:

  1. Nem todas as colônias de S. aureus apresentam beta-hemólise, por isso é essencial que todas as colônias passem por teste de coagulase para identificação correta da espécie.

  2. Culturas mensais do tanque de leite são o mínimo que uma fazenda deve fazer para monitoramento.

  3. A contagem de células somáticas é um indicador tardio. As culturas detectam infecções mais cedo. Britten enfatiza que a diferença está nas práticas de manejo. Monitoramento proativo, cultura e implementação de medidas rigorosas de controle podem evitar que S. aureus se torne um grande problema — mesmo sendo um patógeno presente.


As informações são do Dairy Herd Management, traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint 

 

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 1

Publicado por:

Foto MilkPoint

MilkPoint

O MilkPoint é maior portal sobre mercado lácteo do Brasil. Especialista em informações do agronegócio, cadeia leiteira, indústria de laticínios e outros.

Deixe sua opinião!

Foto do usuário

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração.

Qual a sua dúvida hoje?