O Programa Leite das Crianças (PLC) completa 23 anos de atuação no estado do Paraná. Desde sua criação em 2003, a iniciativa já destinou R$ 2 bilhões para a doação de 970 milhões de litros de leite, beneficiando cerca de 1,2 milhão de crianças em todo o território paranaense. Apenas em 2025, o investimento alcançou R$ 140 milhões para garantir o atendimento diário de 87 mil crianças, reafirmando o compromisso da gestão com o combate à insegurança nutricional.
Instituído pela Lei Estadual nº 16.385/2010, com alterações introduzidas pela Lei nº 16.475/2010 e regulamentado pelo Decreto nº 3.000/2015, o programa é coordenado pela Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab) em parceria com as secretarias estaduais da Saúde, da Educação e de Desenvolvimento Social e Família, o PLC foca no desenvolvimento infantil de famílias com renda per capita de até meio salário-mínimo regional.
O programa distribui diariamente um litro de leite pasteurizado e enriquecido com vitaminas A, D e ferro quelato para crianças entre 6 e 36 meses. “O sucesso do programa nestes 23 anos é fruto de uma governança integrada, onde a agricultura se une à saúde e ao desenvolvimento social para transformar recursos públicos em dignidade. Nosso papel é garantir que leite chegue à mesa de quem mais precisa, enquanto fortalecemos a base produtiva do nosso estado”, reforça a secretária interina da Agricultura e do Abastecimento, Camila Aragão
Segundo a Márcia Stolarski, chefe do Departamento de Segurança Alimentar e Nutricional (Desan), essa "rede de proteção" é vital para garantir o crescimento ideal, melhorar a imunidade e prevenir doenças como a anemia. “O programa funciona como uma rede de proteção ao ofertar leite pasteurizado e enriquecido às crianças em insegurança alimentar. Além disso, o PLC é uma política preventiva mais econômica do que realizar um tratamento curativo, que muitas vezes, não vai recuperar o potencial de desenvolvimento das crianças”, ressalta.
Os resultados práticos da iniciativa são comprovados por dados da Secretaria da Saúde, que apontam que 92% das crianças atendidas em 2025 apresentam peso adequado para a idade. Para Francisco Perez, coordenador do PLC, além do impacto social direto, o programa funciona como um motor para a economia rural, beneficiando atualmente 3.200 produtores familiares e 36 laticínios. “Ao exigir padrões rigorosos de higiene e qualidade, o Estado estimula a modernização das usinas de beneficiamento e combate o êxodo rural. A política exerce um papel regulador de mercado, consolidando as bacias leiteiras regionais e promovendo a manutenção de empregos no campo”, explica Perez.
Histórias como a do laticínio Naturalat, na Lapa, exemplificam esse sucesso. O sócio Ilson José Piovezam relata que a vinculação ao programa em 2003 permitiu que a pequena empresa familiar saltasse de uma produção de 400 litros para 5,4 mil litros diários destinados ao PLC. “Foi muito bom para nós, pois conseguimos crescer e viabilizar o laticínio”, comemora Piovezam, ressaltando que a demanda do governo permitiu quitar financiamentos e contratar mais funcionários para a operação.
Com 1.291 pontos de entrega distribuídos por todos os 399 municípios do Paraná, o programa cria um "círculo virtuoso" que eleva a qualidade de vida tanto de quem consome quanto de quem produz. A iniciativa não apenas protege a infância paranaense, mas também fortalece a posição do Paraná como o segundo maior produtor nacional de leite, transformando uma necessidade nutricional em um pilar de desenvolvimento econômico e sanitário para o Estado.
As informações são da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, adaptadas pela equipe MilkPoint.
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