O presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando (Girolando), Alexandre Lacerda, explica que o cruzamento entre as raças aumenta a produtividade, pois o animal holândes é exigente em relação ao clima, à temperatura e à alimentação, enquanto o Gir não apresenta as mesmas necessidades, mas perde em produtividade. O cruzamento de espécies torna o gado produtivo e suporta o calor e clima tropical.
Internacionalização do Girolando
Segundo o dirigente, o Brasil exporta o material genético do Girolando para países tropicais baseado em um programa de genoma com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), no qual são mapeadas mais de 34 características genômicas da raça, desde a produtividade e resistência ao carrapato até questões de emissão de metano.
“No ano passado, batemos o recorde de vendas de sêmen de Girolando no Brasil, ultrapassando 1,3 milhão doses comercializadas. Da mesma forma, a comercialização de embriões cresce muito, o que agiliza o melhoramento genético. Junto às entidades, buscamos estabelecer protocolos com outros países para liberar exportações de material genético e de animais. As barreiras são difíceis e longas, mas o Brasil tem tudo para ser um grande exportador de genética e, quem sabe no futuro, de produtos lácteos. Queremos trabalhar muito na internacionalização do Girolando”, revelou.
Autossuficiência
Alexandre destacou que o Brasil já é autossuficiente na produção nacional de leite: 80% do leite produzido no Brasil vêm da raça Girolando. Ele salientou que, em 2025, o animal, em média, produziu 7.500 kg de leite.
“Evoluímos muito. Há 25 anos, a produção média no Brasil era de 1.700 kg por animal por lactação (que dura de 9 a 10 meses). Nos Estados Unidos, esse número é maior, então ainda temos espaço para crescer. O produtor trabalha muito, de sol a sol, pois a vaca não tira férias. Produzimos leite todo dia para alimentar a população com uma proteína essencial”, afirmou.
Ainda segundo o presidente, o girolando está em todo o Brasil. A associação tem 4,5 mil associados, com Minas Gerais concentrando 40% deles, além de crescimento nos mercados de Rondônia e do Nordeste. “No Nordeste, o animal mostra sua rusticidade, sendo alimentado com palma (cacto) no sertão e produzindo muito leite mesmo em condições adversas. É uma raça eficiente e produtiva”, completou.
As informações são do Correio Braziliense, adaptadas pela equipe MilkPoint.
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