Produtos lácteos da Argentina apresentam aumento de preços no varejo

Publicado por: MilkPoint

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A indústria de lácteos da Argentina pretende transferir ao consumidor o aumento dos seus custos. Desta forma, novo conflito poderá acontecer no país. Representantes da indústria leiteira argentina reiteraram sua resistência em absorver o maior custo que haverá com o novo preço que pagarão pela matéria-prima, de forma que anunciaram um aumento iminente no preço do produto ao consumidor.

Os comerciantes e os executivos dos supermercados confirmaram que, até o momento, não receberam listas de preços com aumento, mas não descartam a possibilidade de que estas sejam recebidas nos próximos dias.

Entre janeiro e março, os preços dos produtos lácteos na Argentina aumentaram entre 20% e 25%, em média. Porém, o aumento da cotação do litro de leite pago pela indústria ao produtor não pode provocar modificações nos preços finais, segundo advertiu a entidade que defende os direitos dos consumidores argentinos.

Segundo a entidade, entre janeiro e fevereiro, os preços dos produtos lácteos aumentaram de 10% a 15%, principalmente nos queijos. Além disso, a partir de 1o de março - prevendo a reivindicação de aumento de preços por parte dos produtores - os preços no varejo aumentaram, entre 12% e 20%, principalmente para o leite, manteiga, creme e iogurtes.

Segundo o presidente do Centro da Indústria Leiteira (CIL) argentino, Ricardo James, se os produtores de leite conseguirem alcançar seus objetivos com relação ao preço do leite - 24 centavos o litro - os produtos lácteos poderão sofrer um aumento de até 20% no varejo a partir do próximo mês. James argumentou que a indústria não está em condições de absorver este aumento no preço do leite.

"Essa alta nos preços tem basicamente duas causas: o aumento dos insumos para a indústria - cartão, plástico, etc.. - após a desvalorização, e os preços que agora devemos pagar aos produtores". Quando consultado sobre a possibilidade de os supermercados absorverem o aumento, sem levá-lo às gôndolas, James disse acreditar que isso seria improvável. "É muito difícil. Os supermercados dizem que não são formadores de preços e que suas margens de lucros não são grandes, mas eu acredito que são". James se manifestou otimista com relação às negociações que vem sendo feitas pelos membros do setor.

Tempo de debates

A discussão formal sobre o futuro do preço do leite em meio às pressões dos produtores, que pedem um preço de 24 centavos o litro (US$ 0,10), e das indústrias, deve ser iniciada nesta semana.

"Até o momento foram discutidas algumas medidas paliativas para o setor, mas não se discutiu concretamente o preço do leite. Os produtores continuam reivindicando os 24 centavos e a indústria insiste em pagar 20 centavos (US$ 0,08) por litro. De qualquer forma, creio que há outra parte da cadeia que tem maior margem para absorver este aumento", disse o presidente da União Geral dos Produtores de Leite, Guillermo Draletti.

Córdoba propõe "leiterizar" os insumos utilizados pelos produtores de leite

Como fruto do acordo feito entre os produtores de leite, as indústrias do setor e as províncias produtoras de leite, determinado pela Secretaria da Agricultura da Argentina, o governo do Córdoba propôs "leiterizar" o preço dos insumos utilizados pelos produtores, o que significa adaptar os preços dos insumos à evolução do preço do leite.

O secretário da Agricultura e Pecuária da Província, Gumersindo Alonso, fundamentou o pedido no "estabelecimento de uma exceção ao decreto pelo qual se determinava individualmente o valor dos insumos agropecuários", ou seja, que se "cerealizava" o valor dos insumos adquiridos pelos produtores, pois deveriam pagar pelos mesmos em função dos preços dos cereais. O secretário anunciou também a formação de duas comissões integradas por representantes dos produtores, da indústria e do Estado, assegurando que deverá ser feito um acordo definitivo para todas as partes.

Alonso reiterou que o governo de Córdoba destinará 1,5 milhão de pesos (US$ 655 mil) à instrumentação de créditos de até 5 mil pesos (US$ 2,18 mil) para cada produtor a taxa zero - equivalentes a dois centavos por litro de leite (US$ 0,01) - com garantia do Fundo Agropecuário da Província.

Fonte: E-campo e La Nación, adaptado por Equipe MilkPoint
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