Ao observar detalhadamente as dinâmicas regionais, a área administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, especialmente nos municípios da Campanha e da Fronteira Oeste, ainda lida com os efeitos do vazio forrageiro outonal. Essa situação acabou agravada pela escassez de chuvas observada nas últimas semanas, uma restrição hídrica que limitou o estabelecimento das pastagens e aumentou a necessidade do uso de feno e silagem; em Hulha Negra, por exemplo, os volumes coletados de leite estão abaixo do esperado para o período.
Em contrapartida, na região de Caxias do Sul a produção mostra-se estável, sustentada por uma oferta de pastagens de qualidade e pelo suporte de forragens conservadas, incluindo silagem, feno e pré-secado. Os animais da serra apresentam um estado corporal satisfatório e sanidade estável, com poucos casos de mastite e um controle rotineiro de ectoparasitas, garantindo que a qualidade do leite atenda rigidamente aos padrões exigidos pela legislação, sem registros de rejeição por parte das indústrias.
O clima também desempenhou um papel crucial em outras localidades, como na região de Ijuí, onde as temperaturas amenas, a umidade do ar elevada e as chuvas que ocorreram no início do período favoreceram o bem-estar dos animais, com destaque para as raças europeias. Esse cenário propiciou um aumento na produção de leite devido à maior oferta de forrageiras de inverno, além de gerar uma melhora perceptível na qualidade do produto através da redução da contagem de células somáticas (CCS) em comparação aos meses anteriores, o que melhora a remuneração final do produtor.
Nessa área, a dieta bovina é composta predominantemente por pastagens, complementada por silagem, rações, feno e outros suplementos. Caminhando para a região de Passo Fundo, o escore corporal dos animais também é satisfatório, sustentando uma produção de leite que se manteve estável. A nutrição desses rebanhos baseou-se nas espécies forrageiras de inverno, que recebem complemento de silagem e ração concentrada, enquanto o aspecto sanitário demandou apenas as práticas preventivas que já fazem parte da rotina.
Por outro lado, o limitado desenvolvimento das pastagens de inverno em partes da região de Pelotas tem exigido um uso mais intenso de suplementação alimentar e de silagem, embora a produção consiga se manter estável nas propriedades que contam com melhor disponibilidade de forragem. Já na região de Porto Alegre, os rebanhos seguem exibindo boas condições nutricionais, mas o baixo desenvolvimento das pastagens cultivadas em algumas áreas específicas forçou o aumento do fornecimento de silagem de milho e de bagaço de cevada, somando-se a isso relatos pontuais de infestação por carrapatos.
Finalmente, a região de Santa Rosa vivencia um momento bastante favorável, onde a boa oferta de forragem beneficiou diretamente a alimentação dos animais e a manutenção da condição corporal das vacas em lactação. O predomínio do tempo seco nessa região trouxe ainda melhorias operacionais significativas para as propriedades, reduzindo o pisoteio excessivo da terra e evitando a formação de lama nas áreas de circulação e nos acessos às salas de espera para a ordenha, consolidando um período sem eventos relevantes que pudessem comprometer a produção leiteira local.
As informações são da Emater/RS, adaptadas pela equipe MilkPoint.
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