Dados da Worldpanel by Numerator mostram que essa transformação já pode ser observada dentro dos lares brasileiros. O principal símbolo desse movimento é a airfryer, cuja presença saltou de 36,2% para 64% dos domicílios entre 2022 e 2025 — um avanço de 27,8 pontos percentuais, o maior registrado entre as principais categorias de eletrodomésticos monitoradas.
O crescimento reflete mudanças importantes na composição dos lares do país. Em pouco mais de uma década, o tamanho médio das famílias brasileiras caiu de 3,3 para 2,8 moradores por residência. Ao mesmo tempo, a população com mais de 50 anos já representa cerca de 26% dos brasileiros, ampliando a demanda por soluções que ofereçam praticidade, conforto e facilidade no dia a dia.
“Os consumidores continuam investindo na casa, mas com prioridades diferentes das observadas há alguns anos. Hoje, ganham espaço os produtos que ajudam a otimizar a rotina e oferecem conveniência, especialmente em lares menores e com menos tempo disponível para atividades domésticas”, afirma Daniel Horai, Diretor da Worldpanel by Numerator.
Enquanto categorias tradicionais e amplamente consolidadas apresentam estabilidade ou retração, equipamentos ligados à praticidade seguem conquistando espaço. Entre 2022 e 2025, a penetração das geladeiras permaneceu praticamente estável, chegando a 98,6% dos lares brasileiros, enquanto os tanquinhos perderam 1,9 ponto percentual no mesmo período.
Na direção oposta, categorias associadas à conveniência registraram crescimento. Além da airfryer, os cooktops ampliaram sua presença nos lares brasileiros, reforçando a busca por soluções alinhadas às novas configurações das moradias e aos hábitos contemporâneos de consumo.
A mudança também aparece entre diferentes perfis socioeconômicos. Na classe C, a presença da airfryer alcançou 62% dos domicílios em 2025, um crescimento de 31 pontos percentuais em comparação a 2022. Já entre os lares das classes AB, a penetração chegou a 82%, com avanço de 29 pontos percentuais no período. Os dados indicam que o produto deixou de ser um item aspiracional para se tornar um equipamento amplamente incorporado à rotina dos brasileiros.
Casa segue como principal destino dos investimentos
Mesmo em um contexto de pressão sobre o orçamento familiar, os consumidores continuam destinando recursos para melhorias dentro do lar. Segundo o levantamento, 7,8 milhões de lares brasileiros compraram eletrodomésticos em 2025, com gasto médio de R$ 2.051 por domicílio.
Atualmente, os gastos relacionados à habitação — incluindo aluguel, prestação do imóvel, reformas, manutenção e aquisição de eletrodomésticos — já representam 26% do orçamento das famílias brasileiras, consolidando-se como a principal categoria de despesas dos consumidores.
O comportamento mostra que a restrição orçamentária não eliminou o consumo. Em vez disso, os brasileiros passaram a selecionar com mais cuidado os investimentos realizados dentro de casa, priorizando produtos que ofereçam benefícios tangíveis para a rotina.
Rapidez e saudabilidade impulsionam adoção
O estudo da Worldpanel by Numerator mostra que as ocasiões de preparo rápido de refeições já representam mais de 30% dos preparos realizados dentro de casa. Em paralelo, as frituras tradicionais perderam espaço e hoje respondem por 17% das ocasiões de preparo, uma redução de três pontos percentuais em comparação com 2024.
A busca por hábitos mais saudáveis também contribui para o avanço da categoria. As ocasiões de consumo motivadas por saudabilidade cresceram dois pontos percentuais no último ano e já representam 19% do total, com destaque para consumidores mais velhos e integrantes da geração X.
Próxima onda de crescimento já está no radar dos consumidores
A tendência de conveniência deve continuar impulsionando o mercado nos próximos anos.
Entre os eletrodomésticos que os brasileiros pretendem adquirir nos próximos 12 meses, a airfryer lidera com 20% das intenções de compra. Na sequência aparecem categorias essenciais, mas também aquelas associadas à praticidade e ao conforto doméstico, como fogão (13,5%), microondas (12,6%), aspirador de pó (12,1%), geladeiras (11,9%), ar-condicionado (11,6%) e lavadora de roupa (9,3%).
O resultado indica que o crescimento do setor deverá vir tanto da expansão de categorias já consolidadas, quanto também da busca por soluções capazes de economizar tempo, reduzir esforço e melhorar a experiência dentro de casa.
“A nova batalha dos eletrodomésticos não é mais pela presença dentro dos lares brasileiros — ela já foi vencida pelas categorias essenciais. O desafio agora é conquistar espaço na rotina das pessoas. E os produtos que conseguirem economizar tempo, simplificar tarefas e melhorar a experiência dentro de casa serão os grandes vencedores dos próximos anos”, conclui Horai.
As informações são da Worldpanel by Numerator.
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