Produção de leite na UE deve recuar em 2026, aponta USDA

Redução do rebanho, custos regulatórios e sanidade devem limitar a produção de leite, enquanto o queijo mantém protagonismo na indústria europeia.

Publicado por: MilkPoint

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A produção de leite na União Europeia deve cair 0,5% em 2026, totalizando 148,9 milhões de toneladas, devido à redução de vacas leiteiras e regulações ambientais rigorosas. O consumo de leite fluido também está em declínio. A produção de queijo, em contrapartida, deve crescer 0,2%, mantendo sua importância na indústria. A produção de manteiga e leite em pó deve recuar. O setor enfrenta desafios sanitários e pressões regulatórias, mas novos acordos comerciais podem beneficiar as exportações europeias.

A produção de leite na União Europeia (UE) deve registrar uma leve queda em 2026, refletindo a redução do número de vacas leiteiras, o avanço de regulações ambientais mais rigorosas e os impactos de surtos de doenças animais. Segundo o relatório anual Dairy and Products Annual, do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a produção total do bloco é estimada em 148,9 milhões de toneladas em 2026, o que representa uma redução de 0,5% em relação a 2025.

Mesmo com custos mais baixos de ração e energia ao longo de 2025, pequenos produtores continuam deixando a atividade. A saída está associada à volatilidade dos preços pagos ao produtor, ao aumento das exigências ambientais, às dificuldades sanitárias e à falta de sucessores nas propriedades rurais. A tendência é de maior concentração da produção em fazendas maiores e mais profissionalizadas, embora os ganhos de produtividade não sejam suficientes para compensar a queda no número de animais.

Os preços do leite pagos aos produtores permaneceram elevados em 2025. Em agosto, a média da UE alcançou 53,2 euros (US$ 62,2) por 100 quilos, cerca de 12% acima do registrado no mesmo mês do ano anterior. Em julho, o preço médio foi de 52,8 euros (US$ 61,8) por 100 quilos, tornando o leite europeu até 41% mais caro que o dos Estados Unidos e 35% acima do praticado na Nova Zelândia, o que reduz a competitividade do bloco no mercado internacional.

Consumo de leite fluido continua em queda

O consumo doméstico de leite fluido na União Europeia deve seguir em trajetória descendente. Para 2026, a previsão é de 23 milhões de toneladas, uma queda de 0,9% em relação a 2025. Mudanças nos hábitos alimentares, maior presença de bebidas alternativas e preços ainda elevados explicam o recuo da demanda, especialmente no consumo doméstico.

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Com menor disponibilidade de leite, o uso industrial também deve apresentar leve retração em 2026, exigindo que as indústrias façam escolhas mais criteriosas sobre quais produtos priorizar. Nesse cenário, o queijo segue como o principal destino do leite europeu.

Queijo mantém protagonismo na indústria europeia

A produção de queijo na UE deve alcançar 10,8 milhões de toneladas em 2026, um crescimento modesto de 0,2% em relação a 2025. O produto permanece como a principal aposta da indústria láctea europeia, sustentado por consumo interno consistente e exportações ainda relevantes, embora pressionadas por preços elevados e tensões comerciais.

Cerca de 13% da produção de queijo do bloco é destinada ao mercado externo. Em 2026, as exportações devem somar 1,37 milhão de toneladas, uma leve queda de 0,7%. Reino Unido, Estados Unidos e Japão continuam sendo os principais destinos. Ainda assim, a União Europeia mantém a posição de maior exportador mundial de queijo.

O consumo doméstico também deve crescer, impulsionado pela recuperação econômica, pelo aumento da renda e pelo fortalecimento dos setores de turismo e alimentação fora do lar.

Produção de manteiga e leite em pó perde espaço

A produção de manteiga na UE deve recuar 1,4% em 2026, totalizando 2,06 milhões de toneladas, à medida que mais leite é direcionado à fabricação de queijo. As exportações do produto devem sofrer retração significativa, com queda estimada de 15%, em função da menor competitividade dos preços europeus no mercado global.

Já a produção de leite em pó desnatado está prevista para cair 4,2% em 2026, alcançando 1,36 milhão de toneladas. A redução reflete a menor disponibilidade de leite, preços mais baixos e o enfraquecimento da demanda, especialmente da indústria de rações e do setor de chocolates, impactado pelos altos preços do cacau. Em setembro de 2025, o preço do leite em pó desnatado na UE estava em 232 euros (US$ 271) por 100 quilos, abaixo da média dos últimos cinco anos.

O leite em pó integral também deve apresentar redução de produção em 2026, com queda de 1,7%, totalizando cerca de 590 mil toneladas. A menor competitividade frente a fornecedores da Oceania limita as exportações, enquanto o consumo interno tende a crescer levemente, favorecido por preços mais baixos.

Doenças e políticas ambientais pressionam o setor

Além dos desafios econômicos, o setor enfrenta impactos sanitários relevantes. Doenças como língua azul, doença hemorrágica epizoótica e episódios recentes de febre aftosa em partes da Europa Central afetaram a produtividade, a fertilidade dos rebanhos e o comércio internacional de lácteos.

No campo regulatório, políticas ambientais e de bem-estar animal continuam gerando preocupação entre os produtores. Na Dinamarca, por exemplo, um novo acordo climático prevê um custo estimado de cerca de 130 euros (US$ 152) por vaca ao ano, o que pode acelerar mudanças estruturais no setor. Diante do risco de perda de autossuficiência, alguns países lançaram programas de apoio. A Croácia, por exemplo, anunciou um pacote de 592,5 milhões de euros (US$ 693 milhões) para o período de 2024 a 2030, voltado à expansão da produção de leite bovino e de pequenos ruminantes.

Acordos comerciais podem redesenhar fluxos de exportação

No comércio internacional, novos acordos podem abrir oportunidades para os laticínios europeus. Tratados em negociação ou em fase final com México e Mercosul preveem maior acesso para queijos e leite em pó da UE, o que pode ajudar a compensar perdas em mercados mais tradicionais, como os Estados Unidos, onde tarifas adicionais ameaçam reduzir a competitividade dos produtos europeus.

Apesar das incertezas, o relatório indica que o setor lácteo da União Europeia segue resiliente, porém cada vez mais dependente de decisões estratégicas relacionadas à alocação do leite, à adaptação regulatória e à diversificação de mercados.

As informações são traduzidas do USDA.

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