Para se ter uma ideia da força desse produto, o período de São João foca a maior parte do consumo anual. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Queijo (ABIQ), as vendas no período das festas juninas correspondem a 65% do volume anual comercializado do Queijo do Reino, representando uma sazonalidade vital para a indústria de laticínios.
De presente de luxo a tradição junina
O Queijo do Reino também carrega uma forte tradição afetiva: ele é um dos presentes mais tradicionais entre amigos e familiares nessa época do ano. Essa cultura de presentear com o queijo não é por acaso. O hábito nasceu do prestígio histórico do produto, que remonta à chegada da corte portuguesa ao Brasil e a uma forte influência holandesa.
As origens do Queijo do Reino e a relação com a coroa portuguesa
A história do Queijo do Reino começou em 1808, com a vinda da família real portuguesa para o Brasil. Para abastecer a nobreza durante a longa travessia marítima, os navios trouxeram exemplares do famoso queijo holandês Edam, armazenados em recipientes metálicos redondos para garantir a conservação.
O que ninguém esperava era a "mágica" que aconteceria no caminho: durante os meses de jornada nos porões das caravelas, sob condições específicas de temperatura e umidade, o perfil do queijo se transformou. O queijo original maturou de forma única, tornando-se mais intenso, picante e levemente adocicado.
Por ser o queijo que vinha "do reino de Portugal", o nome pegou e o produto virou sinônimo de status e sofisticação no Brasil colônia. No final do século XIX, o Brasil deixou de apenas importar a iguaria e começou a produzi-la em solo nacional, especificamente na região da Serra da Mantiqueira, em Minas Gerais.
Hoje, embora a maior parte da produção nacional ainda esteja concentrada no estado mineiro, a região da Zona da Mata de Pernambuco também se destaca como um importante polo produtor, abastecendo o mercado nordestino com o frescor que a festa exige.
Marcas tradicionais e novidades no período junino
No imaginário popular, falar de Queijo do Reino é lembrar de marcas que atravessam gerações. Empresas como Palmyra, Borboleta e Jong (marca da Vigor Alimentos) são referências absolutas, mantendo as embalagens vintage que os consumidores tanto amam.
De olho no público que adora colecionar as latas e decorar a casa para o São João, a indústria se moderniza sem perder a essência. Este ano, marcas como Tirolez e Jong anunciaram latas comemorativas com temáticas juninas exclusivas para o período.
Seja puro, com um bom vinho, na mesa de petiscos ou derretido em receitas típicas, o Queijo do Reino prova que o seu reinado no Nordeste está longe de acabar. E você, já garantiu a lata da sua família este ano?
Vale a pena ler também:
Santa Vitória une leite de excelência, iogurte em vidro e clube de assinaturas
Betânia faz o coração do Nordeste bater mais forte com João Gomes em campanha de São João
Festa junina: Vigor lança latas comemorativas de queijo do reino com xilogravuras de J. Borges