O país com os preços de leite mais altos do mundo não é os Estados Unidos, Hong Kong ou Israel, mas sim Gana, o país da África Ocidental onde comprar um litro de leite pode custar US$ 4,15, segundo o Global Prices. O Global Prices coleta manualmente dados de 78 países, e o preço médio por litro refere-se a leite com teor de gordura entre 1,5% e 2,5%.
Gana lidera, com folga, a lista de preços do leite, com Coreia do Sul (US$ 3,42) e Estados Unidos (US$ 3,31) completando o top 3. No outro extremo da lista estão a Tunísia, onde um litro de leite custa menos de meio dólar, e a Índia, onde os laticínios são menos um ingrediente e mais um modo de vida.
Gana, por outro lado, praticamente não possui uma cultura de consumo de laticínios. De acordo com uma pesquisa publicada pela Discover Food, cerca de 85% dos 35 milhões de ganeses são intolerantes à lactose. O país também não possui uma indústria leiteira organizada. Ele importa cerca de US$ 400 milhões em produtos lácteos, mas a produção doméstica de leite fresco representa menos de 1% do valor total do mercado de laticínios (segundo o USDA). Há diversas razões para isso, que vão desde a falta de confiança na qualidade do leite fresco até problemas de oferta e distribuição devido ao clima quente.
Por que Gana não tem uma indústria leiteira
Embora a criação de gado seja comum em Gana, ela é voltada principalmente para a produção de carne, e não de leite. Países vizinhos como Nigéria e Quênia investiram em raças capazes de produzir entre 15 e 30 litros de leite por dia. Mas, segundo o presidente da Associação Nacional de Criadores de Gado de Gana, apenas “oito em cada 100 vacas leiteiras em Gana conseguem produzir 3 litros de leite fresco por dia”.
O próximo problema é o processamento do leite cru. Com temperaturas frequentemente chegando a 30°C, o leite cru precisa ser refrigerado em até 2 a 3 horas (o leite cru, ou não pasteurizado, pode estragar facilmente, motivo pelo qual é proibido em vários países). No entanto, a maioria dos produtores locais não tem acesso à eletricidade ou refrigeração e acaba descartando o que não consegue vender. Há problemas também em nível comercial. Um relatório da Dairy Global cita o caso da Nature Farms Ghana Limited, principal fornecedora de leite de origem doméstica em Gana. A empresa utiliza menos da metade de sua capacidade de processamento de 7.000 litros por dia devido à oferta limitada.
Um artigo da AgEcon intitulado “Análise da cadeia de valor do leite local em gana: barreiras à competitividade” (publicado em 2021) resume bem os problemas em sua conclusão: “a oferta de leite fresco é sazonal e altamente perecível, com grande parte do leite coletado se perdendo devido à falta de instalações de armazenamento. A higiene é um problema significativo na cadeia de valor do leite fresco, desde a ordenha até a comercialização.”
O cenário, no entanto, parece estar mudando. Há mais shoppings e supermercados, melhorias na logística da cadeia de suprimentos, uma comunidade crescente de expatriados e uma indústria de turismo em expansão — fatores que estão aumentando a demanda por produtos lácteos. Como isso impactará o preço do leite no longo prazo ainda está por ser visto.
As informações são do TastingTable, traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint.
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