Produtividade é chave para leite do Brasil chegar ao mundo

Média de produção por vaca ainda é baixa no Brasil, mas projetos com Embrapa, cooperativas e grandes laticínios apontam rumo à exportação.

Publicado por: MilkPoint

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O Brasil é o terceiro maior produtor de leite do mundo, com previsão de captação de 37 bilhões de litros em 2023. Apesar do potencial para exportação, o país ainda importa leite, principalmente da Argentina e Uruguai. A Lactalis busca transformar o Brasil em um hub de exportação, enquanto a Aurora Coop integra cooperativas para melhorar a qualidade e os preços. Especialistas apontam a necessidade de aumentar a produtividade e a organização dos produtores para melhorar a competitividade do setor.

Terceiro maior produtor mundial de leite, com estimativa de captação de 37 bilhões de litros neste ano, o Brasil reúne condições para se tornar um grande exportador, segundo especialistas. Essa perspectiva tem mobilizado alguns dos maiores players desse mercado nos últimos anos, em um movimento que envolve principalmente qualificação dos produtores e melhoria da qualidade e da produtividade média dos rebanhos, hoje de 2.280 litros por vaca/ano, baixa em relação à média global, de 2.660 litros, segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Por enquanto, o país está longe da meta de vender ao exterior e ainda importa leite. No ano passado, foram 6,348 milhões de litros/dia, de acordo com o Centro de Inteligência do Leite (CILeite), da Embrapa, vindos principalmente da Argentina e do Uruguai, que têm produção mais eficiente, preços mais baixos e ainda são isentos de tarifa por integrarem o Mercosul. As exportações foram de apenas 179 mil litros/dia, dada a falta de competitividade do país no mercado externo.

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Após forte alta dos preços, o litro pago ao produtor chegou, em média, a R$ 3,19 em julho de 2022, recuando para R$ 2,77 em julho de 2023 com aumento das importações, conforme dados do CILeite. Neste ano, a média tem oscilado em torno de R$ 2,70. Embora esteja em queda, o preço ao produtor no Brasil é, segundo Guilherme Portella, diretor de ESG da Lactalis, o quinto mais alto do mundo. “É preciso melhorar a produtividade, de modo que o preço baixe e, ainda assim, remunere bem o produtor”, diz Portella.

Uma das companhias que primeiro enxergaram o potencial leiteiro do Brasil, a francesa Lactalis projeta transformar o país em um hub de exportação de lácteos. A empresa consolidou sua presença no Brasil há cerca de dez anos, ao comprar os ativos de laticínios da BRF, que incluíram as marcas Batavo e Elegê e, em seguida, a fábrica e a marca Itambé, da mineira Cooperativa Central de Produtores Rurais (CCPR), a maior cooperativa de captação de leite do Brasil. Hoje, a Lactalis é líder em captação, com 2,7 bilhões de litros em 2024, quando faturou R$ 17 bilhões.

Figura 1Foto: Arte/Valor

A companhia adquiriu nos últimos anos várias outras marcas, algumas da suíça Nestlé, e 21 plantas fabris, instaladas em oito Estados, que produzem de compostos lácteos, leite UHT e requeijão a queijos especiais, que já exporta para vários países da América Latina e Estados Unidos. A meta agora é dobrar as vendas em cinco anos, apostando que o setor leiteiro passará por movimento semelhante ao que consolidou o Brasil como grande exportador de aves e suínos nas últimas décadas.

Um dos pilares daquele movimento foi a organização de pequenos e médios produtores em cooperativas, que também vem caracterizando a cadeia produtiva do leite. Entre os maiores fornecedores da Lactalis, a CCPR vende exclusivamente para a companhia os cerca de 90 milhões de litros/mês que consegue captar, segundo a empresa. Após a venda da Itambé, há oito anos, a CCPR concentrou-se em captação, além de nutrição animal, em suas cinco fábricas em Minas Gerais, que produzem cerca de 300 mil toneladas por ano.

Neste ano, a companhia desenvolve um projeto de originação de grãos para integração lavoura-pecuária, com apoio da Embrapa e do governo do Estado de Minas Gerais. O projeto deve ser iniciado ainda neste ano e se consolidar em cerca de dez anos, na expectativa de Marcelo Candiotto, presidente da CCPR. Ao verticalizar a produção, a tendência, ele diz, é garantir empregabilidade, recuperar terras degradadas, ser mais sustentável e reduzir custos.

Já a Cooperativa Central Aurora Alimentos, a Aurora Coop, terceiro maior grupo agroindustrial de proteína animal do Brasil, começou a operar com lácteos em 2004, por meio de cooperativas que produziam leite já nos anos 1980. Neste ano, adquiriu a Gran Mestri, ingressando no segmento de queijos especiais. Do faturamento da Aurora Coop, de R$ 24,9 bilhões em 2024 (36,4% no mercado externo), 12% referem-se a lácteos.

A Aurora Coop compra a maior parte do leite (80%) de produtores do oeste de Santa Catarina, onde estão localizadas 70% das três mil cooperativas associadas ao sistema, com captação de aproximadamente 450 milhões de litros de leite/ano, segundo Selvino Giesel, gerente de captação da companhia. Ele conta que aqueles produtores vendiam no mercado spot pelo preço mais baixo de todo o país até serem integrados à Aurora Coop, que passou a comprar toda a produção das cooperativas singulares e dos demais associados. O resultado, relata, foi a melhoria da qualidade do leite e dos preços pagos ao produtor.

Como diz Geraldo Borges, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Leite (Abraleite), não há medidas mágicas e isoladas para melhorar a competitividade da cadeia do leite: “É um processo lento, inclusive pela heterogeneidade dos produtores e dos laticínios/cooperativas. Mas estamos avançando, com melhores tecnologias, eficiência, escala de produção e qualidade”.

As informações são do Valor Econômico.

 

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