Vivemos em um mundo cada vez mais globalizado e acelerado, onde as inovações tecnológicas surgem em ritmo constante. Processos que ficaram décadas praticamente sem mudanças agora recebem atualizações em questão de semanas.
Na pecuária leiteira não é diferente. O setor tem incorporado, de forma crescente, soluções que facilitam o manejo, aumentam a produtividade, melhoram a sustentabilidade e reduzem desperdícios. Sensores, softwares, câmeras e, mais recentemente, ferramentas de inteligência artificial estão entre as principais inovações com que os produtores de leite passaram a conviver nos últimos anos.
A ascensão dos sensores
Atualmente, é comum vermos vacas utilizando coleiras com sensores que monitoram, por exemplo, a taxa de ruminação. No entanto, quando olhamos para esse cenário de forma mais ampla, percebemos que já existem tecnologias capazes de medir diversas outras características dos animais.
Segundo Alexandre Pedroso, sócio da Plenteous Consultoria Agropecuária, “nós já temos muitos tipos de sensores. Além dos colares, que já são muito utilizados, temos bolus ruminais e até protótipos de sensores intravaginais”.
Esses dispositivos ajudam a identificar com precisão alterações fisiológicas, permitindo que o produtor antecipe intervenções, seja ajustando o manejo ou iniciando um tratamento de forma preventiva. Essa agilidade se reflete diretamente nos resultados financeiros, já que ações antecipadas costumam ser muito menos custosas do que correções tardias.
A importância da gestão de dados
Com o avanço dos sensores, robôs e maquinários automatizados nas fazendas, surge um novo desafio: “como lidar com a enorme quantidade de dados que essas tecnologias geram?” para Pedroso o primeiro passo é entender a diferença entre dados e informação:
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Dados são os valores brutos captados por sensores, câmeras, cochos eletrônicos, teteiras automatizadas, entre outros dispositivos.
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Informação é o significado que extraímos desses dados, ou seja, a interpretação que orienta decisões e ações na fazenda.
É justamente nessa diferença entre dados e informação que está a importância da gestão e análise de dados nas fazendas leiteiras. Esse processo, feito manualmente ou com apoio de softwares, permite transformar dados brutos em informações que orientam decisões práticas. Com isso, o produtor consegue agir de forma mais rápida e precisa, melhorando a produtividade e a eficiência da fazenda.
E para deixar essas decisões ainda mais assertivas, os softwares estatísticos vêm ganhando espaço no campo. Com base no histórico da própria propriedade, essas ferramentas conseguem simular cenários e prever, com boa precisão, como determinadas mudanças podem impactar o desempenho do rebanho.
A inteligência artificial entra no campo
Outra inovação importante que surgiu não só na pecuária leiteira como também na vida da maioria das pessoas é a ascensão meteórica da inteligência artificial. Esse tipo de ferramenta possui diversas funções que podem facilitar muito a vida de quem quer produzir mais, gastando menos. Além de tudo, ela ainda tem a capacidade de atuar em diferentes áreas como por exemplo:
1. Monitoramento dos animais:
Pesquisas já estão sendo desenvolvidas para integrar câmeras de monitoramento e inteligência artificial no acompanhamento da saúde de vacas leiteiras. Uma das principais frentes é o uso dessa tecnologia para calcular o escore de movimentação dos animais, indicador fundamental para avaliar a saúde dos cascos. “Não é uma tarefa fácil para uma pessoa fazer isso com qualidade. Desde 2015, já existem sistemas que reconhecem objetos melhor do que nós. Ou seja, isso tem aplicações fantásticas na pecuária leiteira, principalmente porque permite calcular o escore de forma constante e repetitiva”, destaca Alexandre. Para ele, a possibilidade de prever problemas nos cascos é uma oportunidade valiosa, que dá mais tempo ao produtor para agir e corrigir antes que o prejuízo apareça.
2. Desenvolvimento de manejos especializados
Os softwares de inteligência artificial estão muito mais perto de formular dietas baseadas em machine learning do que se imagina. “Ele vai cruzar os dados dos alimentos disponíveis na fazenda, considerando custo e composição, e sugerir a dieta ideal. É meio óbvio que isso vai acontecer em algum momento”, afirma Pedroso.
Com essa tecnologia, o produtor poderá aproveitar melhor os insumos disponíveis na propriedade ou no mercado, já que o sistema buscará sempre a melhor relação entre qualidade da alimentação e menor custo.
Um assistente sempre ao seu alcance
Hoje, a primeira coisa que vem à mente da maioria das pessoas quando pensamos em Inteligência artificial é ChatGPT, mas pouquíssimas pessoas sabem utilizar ao máximo o que essa ferramenta tem a oferecer.
Para Cristian Chiavassa, diretor do Grupo Chiavassa, o uso do ChatGPT se apoia em três pilares fundamentais:
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Personalização da ferramenta: O ChatGPT pode atuar como um apoio técnico, assumindo diferentes papéis conforme a necessidade. Ele pode responder como se fosse um agrônomo, um zootecnista ou até um gestor de RH, oferecendo sugestões, soluções e informações para tomada de decisão. Não substitui o olhar humano e especializado, mas funciona como uma ferramenta poderosa para agilizar análises, esclarecer dúvidas e apoiar no dia a dia.
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Configuração da memória: O Chat GPT utiliza memória para melhor responder ao usuário, a memória permite que o programa entenda perfeitamente, “Isso é o coração do GPT, é aqui que você define exatamente o que ele deve fazer e o que deve evitar fazer.” afirma Chiavassa.
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Formulação correta das perguntas: O prompt, nome dado ao texto que orienta a IA na execução de uma tarefa, é fundamental para o bom uso do ChatGPT. Quanto mais clara e específica for a pergunta, mais precisa será a resposta. Um dos pontos que Cristian Chiavassa destaca é a possibilidade de anexar arquivos ao sistema. Isso permite, por exemplo, que um manual de um maquinário complexo seja interpretado pela IA e transformado em uma explicação simples e objetiva para o colaborador que irá operar o equipamento.
Cristian exemplifica de forma prática o potencial dessa tecnologia: “Imaginem, carregar todos os manuais dos tratores, dos equipamentos de ordenha, dos sistemas de refrigeração e todos os protocolos de trabalho da nossa fazenda dentro de um GPT. Além de capacitar nossos funcionários, damos a eles acesso a essa ferramenta, seja pelo computador ou até por um bot no WhatsApp, onde podem perguntar e receber respostas imediatas.”
O recado é claro: quando bem configurada, personalizada e alimentada com as informações certas, a inteligência artificial deixa de ser apenas uma curiosidade tecnológica e se transforma em uma poderosa aliada da gestão, da operação e dos resultados no campo.
A revolução digital chegou às fazendas leiteiras. E agora?
Diante de tudo isso, fica claro que a tecnologia já não é mais uma opção, e sim uma necessidade para quem quer se manter competitivo na pecuária leiteira. Seja por meio de sensores, softwares, inteligência artificial ou ferramentas como o ChatGPT, o produtor que entender e adotar essas inovações estará um passo à frente, ganhando eficiência, produtividade e sustentabilidade.
E é justamente para discutir esse novo momento da produção de leite, onde gestão, automação, inteligência artificial e transformação digital se tornam peças-chave que o Milk Pro Summit foi criado. Mais do que um evento, ele é uma oportunidade única de estar lado a lado com os produtores mais inovadores do mundo, especialistas de referência e profissionais que estão moldando o futuro do leite.